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Sampaio da Nóvoa não responde a acusações de Vera Jardim

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Casa onde Sampaio da Nóvoa nasceu, em Caminha

Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa recusou-se hoje a responder às acusações de Vera Jardim que, tal como Manuel Alegre, afirmou de que estaria a beneficiar do apoio da máquina socialista. O dia foi um "roteiro pela infância" no Alto Minho

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotografia

Fotojornalista

"Os meus adversários são dois", disse o ex-reitor, apontando Marcelo Rebelo de Sousa e a abstenção. "Estou aqui na lógica do que é a minha campanha e a minha candidatura, e não me desvio um milímetro desse caminho. Sei muito bem quais são os meus adversários", afirmou em Valença, a sua terra natal, quando confrontado pelos jornalistas.

E, sem nunca referir os nomes dos históricos socialistas, o professor sublinhou apenas que é uma "enorme felicidade" que "toda a gente venha a esta candidatura", dizendo-se "satisfeito" por contar com o apoio de "todas as pessoas, todos os movimentos, todas as dinâmicas" e que, nesse sentido, ninguém é excluído, sejam do PS ou de "muitos outros lugares".

"Nunca me ouvirão fazer qualquer gesto ou qualquer palavra que possa prejudicar a convergência", que, acredita, se formará "naturalmente" de "pessoas do PS e de outros partidos" em torno da sua candidatura, na hipótese de uma segunda volta.

Roteiro de infância

O dia foi uma espécie de "roteiro da infância", ou uma "romaria da saudade", pelo Alto do Minho, a "mátria", a terra da mãe de que Sampaio da Nóvoa fala frequentemente e que hoje voltou a insistir.

"É daqui que quero partir para conquistar o país inteiro", afirmou ele em Caminha, o local onde fez a instrução primária - e lá estavam eles, uma dezena de colegas da escola primária, cujos abraços deixaram o candidato comovido, ao ponto de confessar que lhe era difícil falar, quando terminou uma curta intervenção na Praça do Terreiro.

Os antigos colegas apressaram-se em contar as "travessuras" do antigo colega, que se destacava por ser um bom aluno e bom colega, que gostava de jogar à bola, com quem partilhava o lanche em casa depois do jogo de bola. Aí era "barra", contou um deles.

Caminha foi o último ponto da romaria antes de chegar a Viana do Castelo e onde tinha a recebê-lo o presidente da Câmara, Miguel Alves, um costista de vários costados: foi assessor de António Costa quando este foi ministro da Administração Interna e manteve-se também com ele quando foi para a Câmara de Lisboa.

O apoio de Nuno Portas

Mas se a ideia era boa - dinamizar a campanha indo às origens (e ele fê-lo sempre acompanhado pelo pai) - nem tudo correu bem ao candidato. Depois do arranque de Barcelos, a tarde foi uma correria por Ponte de Lima (terra de fraca adesão socialista), depois Monção, com uma passagem pelo Museu Alvarinho, onde tinha a esperá-lo Nuno Portas, que ali veio dar-lhe o apoio.

O pai de Paulo Portas considerou que o ex-reitor era alguém "capaz", mas reiterou que era "amigo pessoal" de Marcelo Rebelo de Sousa e que ambos eram "muito inteligentes". E afirmou: "seria bom que houvesse uma segunda volta".

Antes, foi ocasião para parar junto à casa onde nasceu, já muito transformada, segundo reconheceu. Era uma casa de aldeia, explicou Nóvoa, hoje é uma casa de cidade, que os novos proprietários dividiram em duas.

Seguiu-se Valença, a sua terra. E aí, dentro dos muros da muralha, onde se esperava uma grande adesão, foi mais um passeio com muita gente misturada entre turistas e apoiantes. Largaram-se balões, enquanto o candidato cumprimentava os jovens do seu tempo que ainda se lembravam dele, apontava a casa do avô, a antiga ourivesaria de um tio, a fábrica de chocolates de um familiar, a visita de sonho da sua infância.

Depois, paragem ainda em Vila Nova da Cerveira, já caía a noite e se entranhava um frio gelado. Tempo para mais uns abraços e um curto convívio na sede campanha. Abriu-se um bolo SNAP, comeram-se pataniscas. O roteiro encerrou em Caminha. Mas os apeadeiros foram demasiados.