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Presidenciais 2016

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Qual cavaquistão! Marcelo quer (e precisa) de um país maior que o PSD

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José Carlos Carvalho

Nem cavaquistão, nem marcelistão. Marcelo prefere "Portugalistão". O candidato quer provar que, consigo, o país vale mais que o PSD. Quanto a Presidentes, admite que as pessoas anseiem por alguém "mais extrovertido". Ele promete ser um PR diferente.

Ângela Silva

Ângela Silva

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

A pergunta era óbvia e o candidato vinha preparado. Viseu foi, durante anos, conhecida por Cavaquistão, porque foi marcante nas arrasadoras maiorias absolutas de Cavaco Silva. Mas Marcelo não quer trocar o cavaquistão pelo marcelistão. Prefere "Portugalistão". Na campanha que escolheu, o país está acima do partido.

Almeida Henriques, o presidente da câmara, que integrou o Governo de Passos e é do PSD, ajudou a preparar alguns contactos do professor nesta visita e enadou com ele pelas ruas de Viseu, mas foi almoçar a casa. Deixou Marcelo no Cortiço - um monumento gastronómico - a conversar com professores.E Marcelo não quer comparações entre o cavaquistão e a sua candidatura.

"Somos diferentes na formação (ele e Cavaco), no percurso, no temperamento, na personalidade, tudo isso faz estilos de Presidência muito diversos. Não há dois Presidente iguais e o país neste momento está porventura mais à espera de um PR mais extrovertido". Eis o guião do candidato para que não o voltem a comparar com o atual Presidente. Passos foi o último a fazê-lo. Marcelo distancia-se..

Nas legislativas de outubro, quando Passos Coelho e Paulo Portas passaram por Viseu, o tema da comparação deu conversa. O PSD inaugurou o "passistão", Paulo Portas teve ciumes e disse preferir o PàFistão (PàF era a coligação). Mas Marcelo não dá corda à conversa.

No distrito que durante décadas foi identificado com Cavaco Silva - o primeiro-ministro das grandes obras públicas - ele preferiu um programa cultural: o Conservatório de Música (onde ouviu miudos a tocar guitarra à portuguesa), a Escola da Danca, o Museu Grão Vasco,

Com Marcelo Rebelo de Sousa não há enchentes em Viseu.E o passeio pela Rua Direita (um clássico das campanhas) é suave e sem empurrões. Só Marcelo a falar com quem passa.

Um miudo diz-lhe que gosta de política. E Marcelo entrevista-o em direto para as TV: "Achas que deviamos investir em quê? Na Agricultura? E mais? No turismo? Muito bem! E és conservador ou revolucionário? Conservador? No fundo és um reformista. Ora aqui está um candidato a Presidente da República. Imagina daqui a uns anos, eu com 90, a votar em ti".

É assim, a campanha acima dos partidos. Pouca gente. Muita conversa. O candidato parece imbatível no tu-cá-tu-lá.