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Presidenciais 2016

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“O 25 de abril é que foi o tempo novo. Não há outro”

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LUCÍLIA MONTEIRO

Em Coimbra, falando com os estudantes da República da Praça, Maria de Belém voltou a lançar farpas a Sampaio da Nóvoa. E, numa frase que poderia ser lida como uma confissão do que sente por ter avançado para a Presidência sem o apoio do PS, disse: "Às vezes vemos que estamos a imolar-nos. Mas não temos outra forma de estar"

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Texto

Jornalista da secção Política

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

Fotografia

Fotojornalista

O dia de Maria de Belém terminou em Coimbra, ao som de uma tuna académica e com acordes nostálgicos dos seus tempos de estudante de Direito na cidade do Mondego. Acompanhada do seu amigo e correligionário Alberto Martins, líder da revolta académica de 1969 (e que narrou com emoção os incidentes de há quase 47 anos que levaram à sua detenção pela PIDE), Belém aproveitou o regresso ao passado para passar o que entende ser "uma lição importante para as novas gerações": "Não podemos aceitar que Portugal volte a ser um país de medos".

Nos anos da ditadura, lembrou, "os medos eram assentes em pressões verdadeiras". E no que poderia ser interpretado como uma confissão do que sentiu quando colocada perante o desafio de se candidatar à Presidência da República disse: "Às vezes é muito difícil fazer alguma coisa (...) vemos que às vezes estamos a imolar-nos, mas não temos outra forma de estar senão aceitar isso mesmo". Por fim, numa referência a Sampaio da Nóvoa - aliás um alvo identificado pela candidata em mais do que um vez ao longo do dia de hoje -, que elegeu como lema de candidatura "um Presidente para um tempo novo", sublinhou: "Para mim, o 25 de abril é que foi o tempo novo. Não há outro".

Antes de Coimbra, Maria de Belém estivera em Riba d'Ave, Braga, onde foi visitar a corporação local dos bombeiros, uma das poucas do país que é presidida por uma mulher. Pretexto para a candidata enfatizar temas que lhe são particularmente caros: o papel das mulheres em funções normalmente desempenhadas por homens e a valorização da atividade do voluntariado.