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“Na terra do galo, o sr já ganhou”. Assim cantou a Sampaio da Nóvoa o repentista de Barcelos

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Tiago Miranda

Nóvoa está satisfeito. Este sábado anda a percorrer o Minho da sua infância e Barcelos foi a terra escolhida para o arranque da jornada

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

O Nelo Aguiar, o repentista de Barcelos, um mestre a cantar ao desafio, não se calava. Antes de Sampaio da Nóvoa chegar à cidade, os apoiantes foram-se juntando frente à sede de candidatura e enquanto esperava, o Nelo não resistiu. No café ao lado, foi logo um copo de vinho do Porto. Para aclarar a voz, supõe-se. Fazia um frio de rachar, apesar do Sol.

E, depois, o Nelo não parou mais. Primeiro deu a vez a um pequeno grupo de cantores que com acordeão e ferrinhos saudaram a chegada do professor, mas, ao longo de todo o trajecto pela Rua Direita abaixo, até ao Mercado Municipal, volta e meia, lá cantava o Nelo: "e pode ficar à vontade que a sua batalha está ganha", lançou-lhe uma das vezes.

O candidato está satisfeito. Depois do comício de ontem, em Matosinhos, “1500 pessoas com gente de todos os lugares”, disse, hoje é o Alto Minho, os lugares da sua infância por excelência. E o arranque foi em Barcelos, onde, contou - era "paragem obrigatória para comer um sonho nas deslocações da família, entre Famalicão e Valença". Desta vez espantou-se com a dimensão do dito, enorme e trincou só um bocadinho.

“O sonho é para o Marcelo”

“Deixe o sonho para o Marcelo, aqui na terra do galo, o sr. já ganhou”, aproveitou o Nelo, treinando a voz.

Foi grande a arruada na terra e os apoiantes estão satisfeitos. De certa maneira, está a jogar em casa. O presidente da Câmara é socialista e lá estava ele, a apoiá-lo. Mas no distrito, a coligação ganhou de longe, com 57% de votos, frente a um PS com cerca de 26%. À partida não lhe é favorável, mas na terra estão animados que, apesar das sondagens, ele leve daqui uma boa votação.

No Mercado Municipal foi a confusão total, com os comerciantes e clientes do costume, a deixar passar a caravana entusiasmada com as cantorias do Nelo. As vendedoras também não se perderam.

Nem a Maria José dos tremoços, que lhos quis vender "porque fazia bem ao sexo". O professor lá se esquivou, "e à cabeça", mas ela, mulher avantajada ja nos idos dos sessenta, não se ficou: "sem uma não ha o outro". Brejeirices da terra com que o candidato vai lidando - "aprendo todos os dias", confessou ao Expresso.

“É impensável criar um partido concorrente ao PS”

Na política também. De chofre, colocado perante os alertas ao PS feitos ontem por Manuel Alegre, de que ele pode tentar criar um partido concorrente, como ocorreu outrora com o PRD de Eanes, foi perentório: "jamais o faria, é impensável, está fora fora de qualquer possibilidade".

Recusa a ideia do discurso contra os partidos, "pelo contrário, sempre disse que todos os militantes eram bem-vindos". E quanto ao gostar de ter António Costa a seu lado nesta campanha, não cai na armadilha: "ele tomou a decisão em nome do partido que entendia", Sampaio da Nóvoa respeita.

Também diz que não apelará à desistência de nenhum candidato, "os que vieram é porque entendiam que tinham um contributo a dar, em nenhuma circunstância apelaria à desistência", até porque é contrário à sua "atitude democrática".

Diferente será na segunda volta, que acredita "está ao virar da esquina" e onde espera "ter toda a gente que seja contra o candidato que representa valores contrários pelos quais eu me bato, espero ter toda a gente, incluindo Maria de Belém".