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Presidenciais 2016

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Marcelo: “No dia 24 vai abrir-se uma nova página no nosso país”

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José Carlos Carvalho

Marcelo tem a mensagem consolidada. Os tempos exigem um Presidente "diferente". E ele está disposto a sê-lo. Como? Sendo "próximo das pessoas", "moderado", "extrovertido" e disposto a puxar pelo país. "Nós somos muito bons"

Ângela Silva

Ângela Silva

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

Fotografia

Fotojornalista

Já não há novidades no discurso do candidato Marcelo Rebelo de Sousa. Se não ataca os adversários, não alimenta polémicas e não quer comprometer-se nos grandes temas políticos, o que é que resta? Resta insistir no ADN da candidatura: ser diferente.

"O estilo da campanha será o estilo da Presidência". Marcelo teve sala cheia na sessão pública com que encerrou o dia em Viseu - uma das novidades do registo que escolheu é que ninguém se lembra de contar cabeças, é indiferente se estiveram 100 ou mil -, e forçou a nota do "virar de página" que associa a estas presidenciais.

"A mensagem é essa: há aqui uma viragem. No dia 24 vai abrir-se uma nova página no nosso país". E o que é que isso quer dizer? Quer dizer que se ele ganhar, vem aí um Presidente da República institucionalmente "moderado", mas socialmente "muito perto das pessoas". E como é que as duas são possíveis? Com "autenticidade". E como é que isso se faz? "Não há agência de marketing que consiga simular um genuíno".

Marcelo tenta focar o que promete: ele será diferente porque será um PR para "unir, olhar pelos que mais precisam e estar próximo das pessoas". À tarde, quando lhe falaram do cavaquistão, ele levantou a barreira: "muito diferentes". Com Cavaco de saída, tenta sinalizar à esquerda que não tem que temer em eleger o segundo Presidente seguido da mesma área política.

Com uma conjuntura difícil - a crise económica, a instabilidade europeia, os refugiados, o Médio Oriente, o referendo britânico -, Marcelo apresenta-se como "um realista otimista", que promete ajudar a puxar o país para cima. "Noutras circunstâncias", se calhar não se tinha candidatado.

"Nós somos muito bons, o que nos tem faltado é auto-estima". Marcelo exibe os mandatários distritais que quis escolher entre "independentes, exemplos de mérito e de imaginação" - entenda-se: fora do aparelhismo do costume - e promete fazer da educação "uma prioridade para os acordos de regime" que se propõe forçar a partir de Belém.

Resta o guião do apelo ao voto. Se vem aí um PR diferente e no dia 24 há um virar de página, ninguém ponha em causa a importância destas eleições. Marcelo reconhece que é a sua única dúvida: onde chegará a abstenção e qual o limite de abstenção, para que ele não corra o risco de ter que pensar numa segunda volta.