Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

Edgar Silva. “Sondagens não captam as sementes de Abril a germinar”

  • 333

LUÍS FORRA/LUSA

O candidato presidencial comunista criticou o “excesso de confiança” de alguns adversários face às sondagens

Edgar Silva desvalorizou esta sexta-feira os estudos de opinião que vão sendo conhecidos porque são incapazes de "captar com nitidez o germinar das sementes" de Abril e a crescente mobilização que diz sentir na sua campanha.

"Uma mobilização que as sondagens não conseguem ainda captar, as sementes de esperança e de alegria, de confiança, que é impossível que não deem frutos. Nenhuma sondagem conseguirá captar com nitidez o germinar das sementes, que é intenso e profundo, mas nem sempre explosivo", justificou, num comício noturno, em Faro.

O membro do Comité Central do PCP referia-se a estudos de opinião que atribuem ao antigo presidente do PSD e comentador político Marcelo Rebelo de Sousa a eleição à primeira volta, com mais de metade dos votos expressos face aos restantes nove concorrentes.

"Nenhum ganhará se não conseguir mais de metade dos votos expressos, é importante esclarecer, não basta ganhar as eleições. É urgente e é possível derrotar o candidato da direita, do PSD e CDS. O que menos há são favas contadas", defendeu, lamentando algum "excesso de confiança (de outras candidaturas) por algumas sondagens que vão aparecer".

Perante uma plateia de cerca de 500 apoiantes, animados pelas típicas "charolas" (da Bordeira, Santa Maria de Nexe) - cantares jocosos de Ano Novo acompanhados por acordeão -, o deputado regional madeirense seguiu pelo regionalismo, para defender o conceito da regionalização.

"Hoje ensinaram-me um conceito algarvio - o "atibar", que julgo ser de origem árabe - que quer dizer precisamente estar a fermentar, em preparação, em crescendo. É esta atibar da história que está a acontecer e a história não poderá ser travada. As sementes de Abril vão dar frutos de esperança", garantiu.

Em terreno algarvio, Edgar Silva referiu-se à necessidade de apoio às pescas, à agricultura e ao turismo, com "mais e melhor investimento e produção nacionais", focando ainda a criação de regiões administrativas, uma "mediação entre poder local e Governo central, com legitimidade democrática, para melhor se decidir em favor do povo e do desenvolvimento de uma região".

"Não podemos escolher o mal menor, não nos podemos ficar pelo menos", continuou o candidato apoiado pelo PCP e a maioria dos dirigentes de "Os Verdes", defendendo a tomada de "opções pela positiva, através de compromissos e valores" contra a resignação de "escolher, do mal, o menos".

Para o candidato comunista, a sua proposta é "insubstituível" porque é a única vinculada aos valores de Abril, à independência e soberania nacionais, aos direitos consagrados pela Constituição, como a educação, a saúde, a segurança social e a regulação do mercado de trabalho.

"Há de chegar o dia em que da Presidência da República se fale de e por Portugal e se fale Português, já chega de tanta subserviência e subjugação a interesses estranhos a Portugal. Que o Presidente tenha um coração de carne e não seja indiferente aos dramas, injustiças e desigualdades por que passam os portugueses. Que seja um amante incansável da liberdade e da democracia porque nem sempre lá tivemos quem estivesse interessado no aprofundamento do regime democrático", lamentou.