Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

O homem que malhava na direita, agora só diz mal

  • 333

Tiago Miranda

O homem que costumava "malhar na direita" desapareceu. Em vez dele surgiu um político contido e que até quando diz mal, o faz suavemente

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Texto

Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotos

Fotojornalista

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, foi o principal orador do jantar que esta sexta-feira reuniu mais de 1300 pessoas no Centro de Congressos de Desportos de Matosinhos. Toda a intervenção foi dedicada a apelar ao voto "em consciência e liberdade" e a demonstrar por que é que votará em Sampaio da Nóvoa, apesar dos "amigos de valor e que admira" que estão a concorrer ao cargo.

"Que mal tem ser um académico, uma pessoa da qual se conhece obra, trabalho e ideias para além do palco do momento", interrogou.
"Que mal tem ser investigador (...) ter um percurso universitário, ser eleito reitor da universidade e realizado o objetivo desse trabalho", perguntou em outro passo do seu discurso. "Quem fora da pura intriga pode achar que este é um currículo menor?"

"Confio em Sampaio da Nóvoa, e porque conheço e respeito este percurso, entendo que a vida política precisa de mais percursos destes, de mais cidadania, de gente de fora da política", avançou.

"Sei o que ele pensa todos os dias da semana"

E foi aí que disparou no alvo: "também confio porque sei o que ele pensa à segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo e sei que não é dos que acha que a chuva é uma maravilha quando chove, que o sol é espetacular quando brilha e que quando está em nevoeiro, ele é ao mesmo tempo da chuva, do sol e do nevoeiro". Estava identificado o adversário, sem ser preciso nomeá-lo, Marcelo Rebelo de Sousa.

Segundo Santos Silva, uma campanha para Presidente da República não é para se saber "quem entra mais à vontade nos cafés e pastelarias", mas para avaliar "o mérito dos que se candidatam, percebendo o que pensam".

E concluiu: "ao cinismo de quem procura diminuir esta candidatura por ser apenas de cidadania, prefiro o civismo e por isso voto em Sampaio da Nóvoa".

Nóvoa: “Nada está decidido”

No mesmo comício, interveio também o candidato, que parece estar a aprender depressa o ofício de candidato. Num discurso curto, conseguiu galvanizar o mais de milhar de pessoas presentes, que por várias vezes se levantou para o aplaudir.

Para ele, a mensagem foi direta: "instalou-se no país a ideia de que tudo está decidido, não entro nessa onda, nada está decidido, porque quem decide somos nós".

"Lembrem-se dos últimos 10 anos", recordou, "e comparem-no com os mandatos dos três presidentes anteriores e o seu prestígio, referiu ainda, numa menção crítica ao papel do atual PR, tema que já se tornou recorrente nas suas últimas intervenções. "Há um antes e um depois", sublinhou.

"Chegou o tempo de um cidadão-Presidente"

Depois de dizer que o seu compromisso com a Constituição nada tem de vago, Nóvoa explicou que isso significa defender o estado social "ameaçado por investidas ideológicas" e respeitar a herança política dos anteriores presidentes.

"Vamos ter alguém comprometido com a defesa da Constituição ou vamos ter continuidade da linha que desprestigiou a presidência da República", indagou ainda o candidato. "Dez anos é muito tempo, 20 anos seria tempo a mais", sublinhou. "É importante voltar a encontrar na presidência uma voz ao lado dos portugueses".

Nesta linha, empenhou-se em defender a importância da sua candidatura, "porque a participação cidadã é um dos maiores bloqueios e desafios da nossa democracia".

"Fazer política é escolher, fazer compromissos e pontes entre as margens, não há nada mais nobre e até por isso a política não pode ser um clube fechado", concluiu. "Um cidadão-Presidente é um ato político do nosso tempo".