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Presidenciais 2016

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O dia em que Jorge Sampaio decepcionou os socialistas

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Pedro Santana Lopes e Jorge Sampaio durante a cerimónia de tomada de posse do XVI Governo Constitucional, no Palácio da Ajuda, em Lisboa

Rui ochôa

Em tempo de campanha para as presidenciais, o Expresso recorda alguns dos momentos mais importantes do Palácio de Belém, desde Spínola até aos dois mandatos de Jorge Sampaio. Este é o sétimo episódio desta série de artigos.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Por mais que perdoe - e ele assegura que sim, que perdoou -, Eduardo Ferro Rodrigues não esquece aquela sexta-feira, 9 de julho de 2004. O dia em que Jorge Sampaio, então Presidente da República, comunicou ao país que, na sequência da demissão de Durão Barroso do cargo de primeiro-ministro (que trocara pelo lugar de presidente da Comissão Europeia), entendia dar posse a um novo Governo do PSD, chefiado por Pedro Santana Lopes, sem recurso a eleições antecipadas.

O secretário-geral do PS não queria acreditar no que acabava de escutar: o seu amigo de há tantos anos, a quem o ligavam cumplicidades desde o tempo do Movimento da Esquerda Socialista (MES), acabava de lhe negar a hipótese de chegar ao Governo, dois anos volvidos sobre umas legislativas que perdera para o PSD por uns honrosos 37,8% (pouco mais de 2% de diferença em relação ao resultado dos sociais-democratas).

Ferro sobrevivera a um ano dificílimo (com a prisão do seu braço direito, Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia; os rumores de envolvimento no processo de outros dirigentes do partido; a morte do cabeça de lista ao Parlamento Europeu, António Sousa Franco) e obtivera quase 45% (maioria absoluta se fossem legislativas) nas europeias de 13 de junho. Se o PR dissolvesse a Assembleia da República e convocasse novas eleições, era expectável que os socialistas as vencessem com facilidade.

Mas esse não foi o raciocínio que o então inquilino do Palácio de Belém privilegiou. Aos portugueses, Sampaio justificou a decisão, que garantiu não ter tomado "de ânimo leve", com o valor da "estabilidade política" e a convicção de que "a demissão do PM não é motivo bastante para, por si só, impor a necessidade de eleições antecipadas".

Ferro "respeitou" mas não compreendeu. Confessando a sua "decepção", não esperou pelo final do dia para também ele fazer uma comunicação ao país e anunciar que se demitia do lugar de secretário-geral do PS, assumindo a decisão do Presidente - que qualificou como "errada e perigosa" - como "uma derrota pessoal e política".

Ao decidir não dissolver o Parlamento, em julho de 2004, Sampaio acabaria por imprimir um rumo à história que resultaria na maioria absoluta de José Sócrates (o sucessor de Ferro na liderança do PS), em fevereiro de 2005. Um bater de asas de uma borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo, está cientificamente demonstrado. Politicamente, pelos vistos, também.

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    Em tempo de campanha para as presidenciais, o Expresso recorda alguns dos momentos mais importantes do Palácio de Belém, desde Spínola até aos dois mandatos de Jorge Sampaio. Este é o sexto episódio desta série de artigos.

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