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Presidenciais 2016

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Belém preocupada com condições de trabalho e pobreza infantil

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

A candidata presidencial considera que é vital mobilizar a sociedade para estas duas questões e compromete-se a ser a voz das pessoas mais frágeis

Maria de Belém Roseira disse esta sexta-feira, em Santo Tirso, que quer mobilizar a sociedade na luta contra a pobreza infantil e pelo direito ao trabalho, defendendo ainda a importância da contratação coletiva.

Num jantar com cerca de 350 apoiantes e simpatizantes, a antiga presidente do PS direcionou o seu discurso à causa do direito ao trabalho, referindo que este tem sido "enfraquecido em nome da produtividade", mas sem que o emprego tenha crescido.

O que cresceu, na sua opinião, foi a precariedade, transformada em recibos verdes ou em contratos a prazo, para além daquilo que é razoável e é admissível e com um grande abaixamento dos salários".

"Temos uma coisa em Portugal, que é algo que passou a acontecer nos países submetidos a programas de ajustamento, que é uma nova realidade, que é a realidade dos trabalhadores pobres. As pessoas trabalham, têm ocupação mas não ganham o suficiente para viver a vida com dignidade", referiu.

Por isso mesmo, frisou, "é que é preciso mobilizar a sociedade".
"Sabemos que devemos flexibilizar as condições de trabalho para facilitar a vida de todos, para ajudar as empresas a aumentarem os seus níveis de produtividade, mas a flexibilização das condições de trabalho não tem nada a ver com o enfraquecimento do direito laboral, do vínculo laboral, nem tem nada a ver com o perder-se a noção que, numa relação de trabalho, há um que pode mais e há outro que pode menos e é dever do Estado corrigir essa assimetria para que haja justiça", salientou.

Por isso, defendeu, "é importante a contratação coletiva, porque permite que o trabalhador mais frágil seja representado por outrem que não está dependente do poder maior de um sobre o outro".

"É é por isso também que eu como Presidente da República, se for eleita, serei essa representante, porque é absolutamente indispensável que as pessoas mais frágeis e as pessoas que não têm voz tenham alguém que saiba ouvi-las, escutá-las e que saiba ser a sua patrona junto de quem pode resolver os problemas", frisou.

Maria de Belém Roseira mostrou-se ainda preocupada com a pobreza infantil porque, neste momento, "as crianças são o grupo etário em maior risco de pobreza" em Portugal, tendo "ultrapassado o dos idosos".

"E isto é dramático", frisou.

A candidata não governa nem tem políticas públicas, mas, em contrapartida, disse que "tem capacidade de mobilização para lutar contra este flagelo".

Maria de Belém voltou a lembrar que, desde o início, apresentou como programa eleitoral a Constituição da República Portuguesa, referindo que foi, depois, seguida por outros candidatos que "não foi por aí que começaram". "E em política também há direitos de autor", frisou.

O socialista Manuel Alegre juntou-se esta noite à candidata, a qual aproveitou para pedir aos presentes pedir um aplauso especial pela homenagem na Academia das Ciências de Lisboa, 50 anos do livro "Praça de Canção",

Após o discurso da ex-presidente do PS foi a vez da atuação de um rancho folclórico.

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