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Presidenciais 2016

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A lição dos pescadores a Sampaio da Nóvoa

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Tiago Miranda

O candidato passou a manhã com os pescadores da Afurada e depois “jogou em casa”, na terra do pai, a Póvoa de Varzim

Luísa Meireles

Luísa Meireles

(texto)

Redatora Principal

Tiago Miranda

Tiago Miranda

(fotos)

Fotojornalista

Foi uma manhã em cheio para Sampaio da Nóvoa, que passou o tempo na rua e ouviu lições de economia dos pescadores na Afurada (Vila Nova de Gaia) e, depois, matou as saudades da infância na Póvoa de Varzim, onde passou os verões até à adolescência.

Esteve o pai, o tio, a família e os amigos e, claro, um cortejo bem animado de apoiantes durante o passeio pela rua pedonal. De caminho ainda teve tempo para falar aos jornalistas e comentar a atualidade política.

Na Afurada, foi a varina Maria Silva que lhe disse como era a vida naquela vila piscatória: "Se os pescadores não vão ao mar pára tudo aqui, porque não há dinheiro nem para os cafés, nem para nada". Ali, eles não vão desde setembro e as quotas de pesca reduziram-se drasticamente.

De políticos estava ela farta e desiludida, "porque são todos iguais", e quanto ao que o candidato diz respeito sabia quem ele era mas não em quem votar. Tinha pai, marido e filho na pesca e a banca à sua frente tinha fanecas e jaquinzinhos e pouco mais: "Tudo espanhol", zangou-se. Não se podem reproduzir aqui os mimos vernáculos que reservou para a ministra Cristas.

"Tem que se ouvir tudo, o bom e o mau", comentou depois Sampaio da Nóvoa. Depois de uma pequena volta pelo cais batido por um vento gélido, rumou ao Centro Interpretativo e à Casa do Mar, o centro de convívio dos pescadores, onde jogavam às cartas uns poucos.

Disse Sampaio que não andava "nem à pesca, nem à caça de votos, mas a falar com as pessoas", mas estendeu as redes com os pescadores - o que dá sempre um bom boneco para os fotógrafos.

De regresso aos tempos de infância

Mas foi na terra dos verões da infância (e de onde é oriunda a família paterna) que lhe estava reservado maior acolhimento. Gente mobilizada e a "surpresa" do pai ("ah, estás cá?"), do tio, amigos e primos. Um passeio a pé pela rua das lojas tradicionais, onde todos (ou quase todos) o conheciam, o sr. Heitor, a mãe da menina Irene...

O pai, juiz reformado que foi ministro para a República nos Açores, não se fez rogado às declarações à imprensa. Acha que ele dará um bom Presidente e que "dedicará todos os minutos da sua vida a exercer as suas funções". Acredita que será eleito.

O tio Nuno corrobora: "Aos sete anos foi fiscal de linha, agora está a fazer o estágio para primeiro árbitro do país".

Os apoiantes não paravam de animar as hostes com os slogans. Aqui, já não é só "Nóvoa a Presidente!", é também "a Póvoa vai votar, Sampaio vai ganhar" e um mais recente: "O Presidente está aqui, não está na TVI" .

Na sede, a mensagem no vidro é explícita do "orgulho poveiro". Tem inscrito no vidro da montra que "estas ruas, estes cafés, todos estes locais fazem parte das minhas memórias mais felizes de infância". No final, ofereceram-lhe uma camisola tradicional, bordada com o seu o nome.

A despedida não podia deixar de ser: "É bom recordar estes tempos e lembrar o que vamos fazer no futuro, agora é sempre a pedalar, é mobilizar para 24 de janeiro e, a 14 de fevereiro, vamos comemorar todos juntos a vitória".

Sampaio da Nóvoa passará o resto do dia no Porto. À noite, será a vez de entrar mais um ministro na campanha: Augusto Santos Silva, no comício previsto para Matosinhos.

Sampaio da Nóvoa cruzou-se com o pai na Póvoa de Varzim

Sampaio da Nóvoa cruzou-se com o pai na Póvoa de Varzim

Tiago Miranda