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Presidenciais 2016

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Marisa Matias: “As eleições não são um concurso de popularidade nem de antiguidade”

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Nuno Botelho

Poucas horas após ter exaltado a escola pública, a candidata esteve numa escola pública, ao início da manhã desta quinta-feira. O empenho de Marisa Matias num “ensino de excelência e inclusivo” é absoluto; já a crença num bom resultado parece mais mitigada e defensiva

Paulo Paixão

Paulo Paixão

(texto)

Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

(foto)

Fotojornalista

“Estamos em campanha, as eleições são no dia 24, há muitas alternativas e nada está fechado”, afirmou Marisa Matias no final de uma visita à escola secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, na manhã desta quinta-feira. “Ainda há toda uma margem de manobra”, acrescenta.

Talvez porque na véspera, no comício da noite na Voz do Operário, em Lisboa, tenha praticamente esgotado o tema da escola pública – foi esse o foco principal do discurso de Marisa Matias -, as perguntas dos jornalistas à candidata centraram-se menos nos motivos da visita desta manhã.

E motivos não teriam faltado: uma escola onde tudo parece estar no sítio certo – estabelecimento de “excelência”, chamou-lhe Marisa -, desde a ampla e luminosa biblioteca a um funcional auditório, passando pela sala de professores que manteve o ambiente distendido mesmo quando foi invadida, e se tornou de repente pequena, pelo “staff” da candidata e pela comitiva de jornalistas.

Na Avelar Brotero, Marisa Matias falou com funcionários e professores e, claro, muitos alunos. A sua entrada na escola coincidiu com o segundo intervalo do dia e foi como se de repente tivesse sido engolida pela súbita afluência ao átrio de centenas de jovens que não escondiam a surpresa ante a ilustre visitante e a parafernália de câmaras de televisão e microfones.

Já numa segunda ida ao átrio, já no intervalo seguinte, certamente porque se espalhou a novidade, Marisa Matias não teve mãos a medir para acudir aos pedidos de “selfies”.

Ela é mais bolos!

Se a mensagem da candidata presidencial é enfática quando fala da escola pública, já são mais contidas as palavras quando responde às interpelações de jornalistas sobre o que pensa de outros candidatos. E aqui, ontem como hoje, o ponto de partida é a profecia de Marcelo Rebelo de Sousa, para quem “o voto já está decidido”.

Marisa diz que “nada está fechado”. Mais adiante - já depois de ter sido confrontada com a sua idade (39 anos), e também com o facto de ser mulher -, responde: “As eleições não são um concurso de popularidade nem de antiguidade”. E prossegue: “Gostava que nos concentrássemos na campanha e nas propostas de cada candidato”.

Sobre o vaticínio de Marcelo: “São palavras dele”, riposta secamente, esvaziando assim a questão e recusando alimentar o protagonismo do candidato que tem “recomendação de voto” do PSD e CDS.

Questionada se os candidatos de esquerda “partem atrás” de Marcelo, concede: “Existe uma diferença em relação ao que foi a exposição mediática [de Marcelo] ao longo dos últimos anos”.

Quando lhe é pedido um prognóstico em votação própria – “Gostava de atingir os valores do Bloco de Esquerda?” (nas últimas legislativas teve cerca de 10%) -, Marisa Matias dribla o desafio e fá-lo recorrendo ao humor antológico de Herman José: “Eu é mais pessoas, não são números”.

Serenata à chuva?

Será assim pelo menos até dia 24. Mas na noite eleitoral pessoas e números serão uma e a mesma coisa: os votos em cada candidato que se traduzem num resultado.

Na caminhada que termina dentro de dez dias, Marisa Matias tem hoje uma jornada importante. Joga em casa (perto da aldeia onde cresceu), na cidade onde estudou e trabalhou até entrar na política. Tem a seu lado um filho da terra, José Manuel Pureza, que só as incursões na vida parlamentar (é deputado do BE e vice-presidente da AR) o afastam das margens do Mondego.

Logo à tarde, uma arruada na Baixa de Coimbra, Marisa poderá ter o primeiro banho de multidão que a sua campanha ainda não conheceu (por opções de agenda, não por qualquer falta de comparência de apoiantes). Mas o dia por cá amanheceu chuvoso e sombrio, embora o céu comece a limpar pela hora de almoço.

Irá São Pedro dar uma ajuda?