Siga-nos

Perfil

Presidenciais 2016

Presidenciais 2016

Marisa no bairro onde as creches abrem às seis da manhã

  • 333

Nuno Botelho

Na Cova da Moura (Amadora), a candidata puxou pela inclusão social. “Houve um agravamento muito grande das desigualdades. E isso ficou esquecido nos roteiros” de Cavaco Silva, disse Marisa Matias

Paulo Paixão

Paulo Paixão

Texto

Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Foto

Fotojornalista

A Associação Cultural Moinho da Juventude, projeto comunitário que desde os anos 80 dá vida e dá mais coesão ao bairro da Cova da Moura, foi a instituição visitada por Marisa Matias para sublinhar a necessidade de combater a exclusão social e as desigualdades no país.

“A inclusão foi uma das principais falhas do atual Presidente”, disse Marisa Matias aos jornalistas no final da visita, a meio da tarde desta quarta-feira. Antes, durante cerca de quase uma hora, a candidata conhecera alguns dos espaços do Moinho da Juventude, desde a biblioteca ao espaço de convívio, entre outros.

Na sala, onde decorrem atividades de ginástica e de expressão pela arte, entre outras iniciativas, a tarde desta quarta-feira estava reservada para uma sessão de alfabetização de adultos. Meia dúzia de mulheres desenhavam em caderninhos de linhas as letras que deviam ter aprendido na escola primária.

Antes, já Marisa Matias ouvira explicações de responsáveis do Moinho da Juventude sobre a atividade da instituição, que em 2007 recebeu o prémio Direitos Humanos, concedido pela Assembleia da República.

Munida de materiais (folhetos e DVD's) que lhe foram entregues, e depois do pequeno périplo por espaços da instituição, dispersos por diferentes ruelas, nos quais ouviu miúdos e graúdos, e cumprimentou também velhos conhecidos, Marisa Matias fez por fim o balanço da visita.

Nas declarações aos jornalistas, defendeu a necessidade de “serviços públicos dignos” para bairros como a Cova da Moura, “onde as creches abrem às seis da manhã”, para que as mães das crianças possam de seguida ir trabalhar na limpeza de escritórios de Lisboa ou arredores.

A escolha da Cova da Moura e da realidade que o bairro bem espelha impõe-se porque “a inclusão foi uma das falhas do atual presidente”, disse Marisa Matias.

Para a candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, que termina a jornada desta quarta-feira com um jantar-comício na Voz do Operário, em Lisboa, nos últimos anos “houve um agravamento muito grande das desigualdades” em Portugal. “E isso ficou esquecido nos roteiros” que Cavaco Silva fez pelo país fora

A Cova da Moura é um bairro de população maioritariamente negra, no qual habitam comunidades oriundas do PALOP, sobretudo de Cabo Verde. Muitos dos residentes não têm nacionalidade portuguesa.

Especificidade que é uma riqueza, segundo Marisa. “Temos um país que, e ainda bem, é multicultural”.

O que poderá um Presidente da República fazer em concreto para combater as desigualdades e pugnar pela inclusão social?

A candidata deu uma resposta na ponta da língua. “Não é preciso inventar a roda. Basta cumprir o que está inscrito no texto da Constituição. Quando juramos a Constituição, não é apenas a capa, mas todo o conteúdo”.