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Presidenciais 2016

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Edgar Silva ataca Marcelo em direito laboral

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Marcos Borga

O candidato do PCP diz que está sempre do lado dos trabalhadores. Já Marcelo “quis impor uma revisão constitucional que atentava contra o despedimento sem justa causa”, acusa

Em dia de contacto direto com os trabalhadores das fábricas do Norte do País, Edgar Silva avançou diretamente para o terreno de origem do seu adversário de direita: o Direito. À saída da fábrica Sakthi, na Maia, não teve dúvidas em dizer que a sua "marca diferenciadora" é a "valorização dos direitos dos trabalhadores", enquanto Marcelo Rebelo de Sousa tentou "impor uma revisão constitucional que atentava contra o despedimento sem justa causa". "Não pode haver reserva mental sobre qualquer capítulo da Constituição", disse o candidato.

O caso remonta a 2010, altura em que Passos Coelho apresentou uma proposta de revisão constitucional que previa a substituição da "justa causa" por "causa atendível" para o despedimento. Edgar Silva garante que Marcelo "esteve do lado" do ex-primeiro-ministro e isso serve como mais uma "marca distintiva" entre as duas candidaturas.

O candidato comunista deu, esta quarta-feira, expressão física à máxima "sempre, sempre ao lado do povo". Começou o dia na fábrica de canoagem "Ficocables", na Maia e seguiu para a Sakthi, a poucas centenas de metros de distância. Saudou os trabalhadores e ouviu-lhes as queixas. Na primeira fábrica, uma das maiores empregadoras da região, há 800 trabalhadoras, 700 das quais mulheres. De capitais espanhóis, a empresa proporciona emprego, mas salários médios que não atingem os 580 euros mensais. "Fazem coisas que não deviam fazer", diz Conceição Azevedo, uma das operárias que entra para um turno de oito horas de trabalho seguido, "com direito a uma pausa de 15 minutos". O quê?, perguntam os jornalistas. "Discriminação", responde de jato.

Com uma população maioritariamente de mulheres jovens, o ritmo de trabalho intenso e repetitivo tem um duro preço: "muitas operárias sofrem já de tendinites graves, o que as prejudica na saúde, mas também nos prémios da empresa", explica Paula Gonçalves.

Mais abaixo, é de capitais indianoO candidato do PCP diz que está sempre do lado dos trabalhadores. Já Marcelo “quis impor uma revisão constitucional que atentava contra o despedimento sem justa causa”, acusa s que a fundição Sakhti se mantém em laboração. As queixas laborais são menores, mas feitas sem a presença de jornalistas. O nível salarial médio de perto de 900 euros explica o clima de paz na empresa. "Isso e a organização dos trabalhadores", acrescenta Luís Pinto, responsável do sindicato do Norte (SIT) que organizou e acompanhou a visita.