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Presidenciais 2016

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“É uma revolução tranquila que se está a passar aqui”

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Tiago Miranda

Sampaio da Nóvoa está entusiasmado com viragem na campanha. Está no Alentejo esta quarta-feira e segue para o Algarve

Luísa Meireles

Luísa Meireles

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Redatora Principal

Tiago Miranda

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Fotojornalista

Sampaio da Nóvoa é professor, mas também é um bom aluno que aprende depressa os truques e os jeitos de um candidato na política dura. Natural a sério, garante, rejeita que um político tenha de ser também um ator, qualidade que lhe poderia cair que nem uma luva, se se lembrar do seu primeiro curso no Conservatório de teatro, nos idos dos setenta. "É-se mais ator como professor."

Mais do que entusiasmado - que está de sobra -, o candidato disse ao Expresso estar impressionado com a campanha - que cumpre como um profissional. "É impressionante a quantidade de pessoas que aparece, há muita gente em todo o lado", disse, entre um beijinho aqui, aperto de mão acolá, enquanto percorria o curto trajeto no centro histórico de Beja até à Associação Defesa do Património Cultural da Região de Beja, para uma curta visita.

Sampaio da Nóvoa estabelece a viragem no debate com Marcelo Rebelo de Sousa, na semana passada: "As pessoas passaram a acreditar e a prova é que todos os dias temos de mudar de sala de jantar, porque se inscreve mais gente". Terça-feira o teatro Garcia Resende, em Évora, onde fez o comício, estava cheio, é certo, mas o recinto também é pequeno.

Tiago Miranda

Uma a uma, voto a voto, grão a grão

Não é a primeira vez que o candidato está a "bater o terreno" - desde abril, quando anunciou a candidatura, que o faz - mas diz que agora é diferente. "Sempre acreditei, mas agora há uma perceção concreta, que até me é transmitida pelas pessoas." O acreditar, claro está, é ser ele a passar à segunda volta - se a houver, e ele acha que sim.

"Uma a uma, voto a voto, grão a grão", vai dizendo o candidato enquanto cumprimenta quem lhe vai surgindo pelo caminho. Alguns já o esperavam na soleira da loja, outros vêm espontaneamente ter com ele: "Boa sorte!".

Há um que questionado não revela a preferência ("o voto é secreto"), outro diz logo que vota sempre no mesmo: "No PS, mas neste PS, não o da outra senhora". Ficámos esclarecidos. Um professor diz que deu uma falta. É professor de História mas faltou à aulas. Explicou aos alunos que, tal como na Grécia antiga, o primeiro dever de um cidadão é participar na política.

Uma "ideia de caminho"

Tiago Miranda

Depois foi a visita a uma exploração agrícola em Montes Velhos, no concelho de Aljustrel. O presidente da Câmara (PS) é o seu mandatário distrital, acompanha-o e faz a introdução à conversa com os agricultores.

Na freguesia, há agora o maior amendoal de regadio da Europa, 300 hectares de produção, 600 toneladas por ano enviadas para as mais diversas marcas de bombons e gelados. É uma novidade na região, trazida pela água do Alqueva. Antes era só tomate e pimento.

É por isso que no final do périplo matinal, e antes de ir ouvir um grupo de cante alentejano já na cidade de Aljustrel, disse aos jornalistas: "É uma revolução tranquila que se está a passar aqui, e é um exemplo daquilo que eu quero trazer - uma ideia mobilizadora de futuro, de um país capaz" .

E concluiu: "É isto que Portugal precisa, de uma ideia de caminho e mantê-lo, e não de resignação".

Depois de Aljustrel, o caminho é rumo ao sul, ao Algarve, com passagem por Lagos, Portimão e comício final em Faro. Depois, é a subida outra vez, desta vez para o centro do país.