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Presidenciais 2016

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“Penso que alguns candidatos não se deram ao trabalho de ler a Constituição”

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José Ventura

Para António Vitorino, ainda não se percebeu a verdadeira clivagem entre os candidatos a Belém. “Isso também se deve à estratégia de Marcelo”, considera o antigo comissário europeu

“Há uma desigualdade grande entre as candidaturas. Penso que alguns [candidatos] não se deram ao trabalho de ler a Constituição”, disse António Vitorino, esta noite, no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias, que partilha com Santana Lopes.

O antigo comissário europeu considera que durante a pré-campanha e a campanha presidencial - que está a decorrer - ainda não se percebeu a verdadeira clivagem entre os candidatos. “Isso também se deve à estratégia de Marcelo”, sustentou.

“Por favor, Marcelo, diz qualquer coisa de direita”, disse entre risos.

António Vitorino admitiu que existe risco de se registar uma maior abstenção nas eleições do próximo dia 24 de janeiro. “O problema é que havendo 10 candidatos todos vão contar para perceber quem ganha na primeira volta. Os brancos e nulos não contam, tem que haver mais de 50% dos votos que todos os candidatos”, sublinhou.

O antigo governante socialista lembrou, contudo, que a taxa abstenção nas reeleição de um Presidente é quem tem sido mais elevada, em comparação com as eleições mais competitivas como a que irá ocorrer daqui a menos de duas semanas.

Também Santana Lopes reconheceu a possibilidade de menos portugueses se deslocarem às urnas nestas eleições. “Tenho receio que a abstenção não seja inferior à das últimas Presidenciais”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD considera que a campanha eleitoral está a ser “pouco interessante”, não captando a atenção dos portugueses.

Em relação aos candidatos, Santana reconheceu que Sampaio da Nóvoa cresceu em presença na última semana, em termos de “reconhecimento” e de “estatuto” e que Marisa Matias tem defendido com “assertividade” as suas posições.

Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-líder dos sociais-democratas frisou que nos debates televisivos os portugueses podem ter-se apercebido de algumas características do candidato, nomeadamente a questão de zelar pela estabilidade governativa.

“Marcelo tem feito tudo para mostrar que com ele não há nenhum prejuízo para o Governo. Se Edgar Silva fosse eleito Presidente da República talvez estivesse mais em causa essa matéria do que com Marcelo Rebelo de Sousa”, apontou.

Santana diz não ter dúvidas: Se a Presidência da República se debater com problemas no futuro é porque a “situação parlamentar se degradou”.