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Presidenciais 2016

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“Acho que as pessoas me percebem”

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Edgar Silva não tem dúvidas: a justiça social é uma causa e um “dever constitucional” no exercício das funções presidenciais. O candidato apoiado pelo PCP chamou a pobreza para a campanha, porque ela é “um problema político prioritário”. E, diz, “acho que as pessoas me percebem”

Marcos Borga

Uma sala cheia. Os reformados não faltaram à chamada e não houve cadeiras suficientes no salão nobre da Casa do Alentejo, em Lisboa, para acolher tanto público. "Envelhecemos, mas continuamos determinados a continuar a lutar", disse o primeiro dos oradores. A assistência recebeu o candidato presidencial de punho erguido e gritos de "Abril vencerá", provando que a militância não se perde com a idade. Nem os votos.

Edgar Silva esteve, de manhã, na Cova da Moura. Começou a tarde com idosos. O tema trazido para cima da mesa e para as câmaras de televisão foi o da justiça social. E, em particular, o apontar de dedo para a pobreza, que atinge um terço da população e, entre eles, os reformados.

O candidato madeirense sabe do que fala, ou não fosse ele um histórico combatente no terreno. Na Casa do Alentejo, mostrou que tinha a lição na ponta da língua, lembrando que entre os três milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza, "360 mil" são pensionistas e reformados. Contas são contas, e destes 42 mil são "novos pobres", ou seja, engrossaram as estatísticas da fome nos últimos anos.

"Este é um problema político dos mais graves e prioritários da sociedade portuguesa"', disse, provocando aplausos na sala. "O Presidente da República tem de estar na vanguarda da exigência de justiça social. Este é um dever constitucional", continuou o candidato, lamentando que o país "nunca teve" um chefe de Estado assim.

"As pessoas percebem isto. Quando falamos neste dever, as pessoas compreendem-nos e acompanham-nos", disse. O problema é outro. "Não basta que nos deem razão. Deem-nos força para podermos agir e transformar", apelou Edgar Silva. Porque a simpatia nem sempre se traduz em votos.

Marcos Borga