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Presidenciais 2016

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Marques Mendes. Alguns candidatos a Belém “não têm os mínimos exigíveis”

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Marques Mendes comenta a atualidade política no Jornal da Noite da SIC

D.R.

O comentador da SIC considera que houve uma “desvalorização do cargo presidencial”, levando “qualquer um a achar que tem condições” para ser Presidente da República, “o que não é bom para a democracia. O futuro de António Guterres e a sucessão de Portas no CDS são outros temas do seu comentário

Luís Marques Mendes defende que houve muitos debates entre os candidatos presidenciais nesta fase de pré-campanha e que este modelo “não ajuda nada”. “Acho que estes debates mostraram que alguns dos candidatos não têm os mínimos exigíveis para uma função tão importante como é ser Presidente da República", afirmou este domingo no seu habitual comentário na SIC.

“É um sinal de que há um grande desprestígio das instituições”, acrescentou. “É uma certa desvalorização do cargo presidencial”. Marques Mendes considera que “qualquer um acha que tem condições para lá chegar”, o que “não é bom para a democracia”.

Os três debates que sublinha terem sido os mais importantes foram entre Marcelo e Sampaio da Nóvoa, Marcelo e Maria de Belém e o debate deste passado sábado, entre Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Para Marques Mendes, os objetivos dos três candidatos eram diferentes nestes debates. Se, por um lado, Marcelo tencionava “não perder”, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém tinham como objetivo “radicalizar, atacar Marcelo e mostrar qual dos dois conseguir mais bater o pé”.

“Acho que todos saíram satisfeitos”, conclui o antigo líder do PSD, defendendo que Marcelo “não perdeu” e que Nóvoa e Maria de Belém “obrigaram Marcelo a ter de responder e contra-atacar”.

Já sobre o debate entre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, sublinha que ambos estão a tentar ver “quem fica em segundo lugar”. “Acho que Sampaio da Nóvoa esteve melhor que Maria de Belém.”

Marques Mendes vê no antigo reitor uma vantagem: “Está a tentar encostar-se ao máximo à esquerda”. Porém, “aquilo que agora é uma vantagem pode ser um grande handicap se chegar à segunda volta, pois ainda agrava mais a sua imagem”, associando-se “à esquerda das esquerdas”. “É uma espécie de Salgado Zenha de há 30 anos.”

Quanto a Marcelo, na opinião de Marques Mendes, o objetivo é ganhar à primeira volta. “Ele penetra nos vários eleitorados.” Contudo, corre um risco. “A abstenção. Se for alta, Marcelo é prejudicado. Se for baixa, é beneficiado.”

O futuro de Guterres

Marques Mendes fez ainda referência ao futuro de António Guterres, que terminou o seu mandato como Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). “É-lhe devida uma palavra de cumprimento. Toda a gente reconhece que ele fez um grande trabalho”, diz. “Prestigiou-se e prestigiou Portugal. Mostra que um país pequeno não tem de ser necessariamente irrelevante.”

Acreditando que o grande objetivo de Guterres seria o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, Marques Mendes acha que não terá condições para tal. “O próximo vai ser uma pessoa da Europa de leste e já há quatro candidatos.”

Marques Mendes falou ainda no futuro sucessor de Paulo Portas no CDS. “Pelas informações que tenho, acho que vamos ter dois candidatos à liderança: Nuno Melo e Assunção Cristas. Julgo que os dois estão inclinadíssimos para isso.”

O comentador defende que se Nuno Melo tem o apoio das bases e da estrutura do partido, Assunção Cristas tem “a imagem mais forte”. “Acho que no futuro vão precisar um do outro. Um tem peso no aparelho, outro na sociedade.”