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Presidenciais 2016

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Marisa Matias. Uma presidente da esperança ou um presidente para a matar no berço?

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Marisa Matias esteve este domingo no Mercado dos Lavradores, no Funchal

Gregorio Cunha / Lusa

A campanha de Marisa Matias arrancou no Funchal, um lugar onde se quebraram já “muitos impossíveis”, e teve António Capelo, o mandatário nacional, a declamar Jorge de Sena

Marta Caires

Jornalista

Uma presidente a ajudar o novo ciclo de esperança ou um presidente que a quer matar no berço? Marisa Matias diz que esta é a questão essencial nas eleições presidenciais e essa é a decisão que os portugueses terão de tomar a 24 de Janeiro.

O ciclo de esperança, explicou a candidata no arranque da campanha este domingo no Funchal, já começou, resta saber se será ou não parado em Belém. “Nestas eleições nós vamos ter de decidir se queremos ter uma presidente a ajudar a esta mudança ou se vamos ter um presidente que quer matá-la no berço. É essa a questão essencial.”

A candidata lembrou que a reviravolta no ciclo da austeridade começou a 4 de Outubro de 2015 com a maioria de esquerda. Os resultados estão à vista: “recuperação de salários e pensões, um novo contrato de confiança com as pessoas e não as imposições das elites sobre a vida de todos nós”. É este ciclo que Marisa Matias não quer que seja parado em Belém, por isso apelou à consciência e lembrou que não há eleições ganhas antes da campanha ou antes de se ir a votos.

Aos apoiantes que a ouviam no almoço no Mercado dos Lavradores, a candidata prometeu mais, disse que estava ali para ajudar à mudança, mas também para os momentos difíceis. Afinal, explicou, “é para os momentos difíceis que os portugueses precisam de um Presidente da República”.

Marisa Matias garantiu que, nesses momentos, terá em cada decisão que tomar “o peso e responsabilidade” de um milhão de desempregados, das famílias separadas pela emigração e de todos os desfavorecidos, todos os “que têm de decidir se compram os medicamentos ou comem uma boa refeição”.

Esse país que, segundo lembrou, foi esquecido estará presente e será lembrado se chegar a Belém, bem como a educação de qualidade para todos, a saúde universal, a justiça igualitária e o trabalho com direitos. O país, garante, será o Portugal “onde cabe toda a gente” e não apenas os “interesses das elites económicas”. O Presidente da República não governa, mas Marisa Matias salientou que é função presidencial fiscalizar e fazer com que a democracia funcione.

Quebrar impossíveis

A candidata nunca se referiu a Marcelo Rebelo de Sousa, o adversário da direita e o nome que segue à frente nas sondagens. As críticas vieram de Catarina Martins, a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, o partido que apoia Marisa Matias, que também esteve no almoço no Funchal.

A escolha da Madeira para o início de campanha foi justificada por ser um lugar onde, nos últimos anos, se quebraram muitos impossíveis. Quando parecia impossível derrotar o PSD na Câmara do Funchal foi conseguido, quando se pensava que era impossível o BE voltar à Assembleia Legislativa, foi conseguido. A Madeira elegeu até um deputado do BE à Assembleia da República, o que também parecia impossível.

Exemplos que Catarina Martins deu para explicar que as eleições presidenciais não estão ganhas para Marcelo Rebelo de Sousa, que não basta ser popular e que não serão um passeio. Pelo menos na parte que toca ao Bloco de Esquerda e à candidatura de Marisa Matias.

A coordenadora do BE fez questão de sublinhar alguns dos comentários que o candidato da direita fez a propósito da austeridade, quando, ainda comentador da TVI, dizia que era inevitável. Catarina Martins também lembrou as alianças antigas, quando Marcelo Rebelo de Sousa esteve ao lado de Jardim no Chão da Lagoa e no Pontal com Passos Coelho.

O almoço do arranque da campanha eleitoral de Marisa Matias, que encheu a praça do peixe no Mercado dos Lavradores, teve ainda discursos do líder regional do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, de Raquel Gonçalves, da comissão regional da candidatura. António Capelo, ator e mandatário nacional, declamou Jorge de Sena e, servindo-se das palavras do poeta, disse que Marisa Matias “é uma luz que brilha”, uma luz que não vacila.