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Presidenciais 2016

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Marcelo dramatiza segunda volta: “é preciso uma clarificação rápida”

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José Carlos Carvalho

Marcelo está preocupado com eventual segunda volta e obcecado em mobilizar votos para ganhar à primeira. Mas não parece disposto a rever a campanha que, reconhece, alguns criticam de demasiado “suave”

Ângela Silva

Ângela Silva

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Marcelo arrancou a campanha oficial preocupado com a eventualidade de não ganhar à primeira volta. É indisfarçável - todos os momentos servem para o professor avisar os apoiantes de que é preciso irem votar se querem “resolver a 24 de janeiro o que não devem deixar para fevereiro”. Até a feira gastronómica do porco, em Boticas, foi assombrada pelo tema.

“Tem que ser à primeira, tem que à primeira”. Enquanto mastigava presunto e queijo nas inúmeras tasquinhas onde não parou de comer - Marcelo, ao contrário de Cavaco, não tem problemas em falar de boca cheia -, o candidato deixou perceber o que o preocupa. “Como diz o povo, não deixem para amanhã o que podem fazer hoje”.

Marcelo diz que não tem medo de ter que ir a uma segunda volta para chegar a Presidente da República, mas defende a necessidade de ganhar à primeira para o país não perder mais tempo.

“O país está cansado de campanhas eleitorais e é importante uma clarificação rápida para o próximo Presidente começar a função de unir, ligar e fazer convergir” as feridas abertas na sociedade portuguesa. O candidato vai mais longe e diz que isso é essencial até para “ajudar o atual Governo a governar”.

“Não pode haver esta ideia de que as presidenciais não são importantes. Estas são muito importantes”. Marcelo dramatiza para ver se mobiliza votos, por perceber que o país está mesmo cansado e mais alheado destas andanças eleitorais do que se poderia pensar.

Trás os Montes não é terreno fácil, o tempo - intempérie a valer - não ajuda, mas o comentador profissional sabe ler nas estrelas e percebe que é preciso levantar apoiantes da cadeira.

Mudar de registo, isso não. Pelo menos por agora. “Às vezes sou considerado demaciado suave, mas eu acho que a função do Presidente da República é essa”, afirmou pela manhã no Café Gomes, em Vila Real, onde um transmontano lhe pediu que ataque mais os adversários.

Na véspera, Marcelo deu um sinal de quem considera ser o seu verdadeiro adversário, quando entrou na sede de Sampaio da Novoa, em Santarém. O número correu-lhe bem, foi bem recebido como se estivesse em casa. Mas é preciso garantir que a campanha quase sem meios - “ando com três carros”, sublinha o candidato - chega, porque a popularidade de anos a fio na televisão faz o resto. Chegará?