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Presidenciais 2016

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Eu é que sou o candidato de todos

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Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa no último debate da pré-campanha, na TVI

MÁRIO CRUZ / LUSA

Maria de Belém recuperou a voz mas não a serenidade, ao contrário de Sampaio da Nóvoa que aparenta estar cada vez mais seguro e convicto de ir à segunda volta. Depois da troca de acusações, os candidatos terminam o debate deste sábado com causas

O último confronto televisivo da pré-campanha que colocou frente a frente os dois candidatos da ala socialista mais bem posicionados nas sondagens presidenciais, começou com Maria de Belém a justificar que não tinha ido à festa do XV aniversário da SIC Notícias "para preservar a voz" para o debate deste sábado com Sampaio da Nóvoa. Seguiu-se um apelo ao voto e só depois vieram as respostas.

A primeira pergunta, como se esperava, foi sobre o apoio de Carlos César, presidente do PS, a Sampaio da Nóvoa, declarado hoje.

Ambos os candidatos convergiram no estilo Paulo Bento ao afirmar que encaravam esse apoio "com tranquilidade", disse Maria de Belém, e "com naturalidade", assumiu Sampaio da Nóvoa. Maria de Belém disse ainda não ter ficado surpreendida nem desiludida e lembrou que ela própria tem o apoio do presidente honorário do PS, Almeida Santos.

A seguir, a ex-ministra da Saúde de Guterres abriu o caminho à critica, com a primeira alfinetada. Primeiro disse que estamos perante "uma candidatura de uma militante do PS" e um candidato que, além de não ser militante, "assume muito a sua independência", mas logo a seguir fez questão de colar o seu adversário à "extrema-esquerda".

Afirmou que foi impulsionada por muita gente que "considerava a candidatura de Sampaio da Nóvoa de frente-esquerda, que não cobria o espectro do centro-esquerda", na qual a candidata diz situar-se. E acrescentou que "esse frentismo de extrema esquerda" onde Nóvoa se encaixa "foi amputado pelas candidaturas autónomas e fortes" do BE e do PCP. O remate final foi a lembrança de que, a nível de partidos, o ex-reitor conta apenas com o apoio do MRPP e do Livre.

Num tom calmo, Sampaio da Nóvoa reagiu defendendo que a sua candidatura é de cidadania e que causa incómodo por ser de "uma enorme abrangência, de muitas pessoas que se situam à esquerda, ao centro e à direita".

Um ponto em comum

Depois das primeiras críticas, veio o consenso. O principal adversário de ambos é Marcelo Rebelo de Sousa. Nisso ambos concordam.

Maria de Belém voltou à carga, e tal como Marcelo, lembrou que o ex-reitor evoca constantemente o apoio dos três ex-Presidentes da Republica, reafirmou que os dois estão em campos politicos diferentes e que o facto de ser militante do PS não lhe retira nenhuma autonomia e independência. Puxou dos galões ao afirmar que por ter desempenhado muitas funções na área pública e política ganhou uma experiência e maturidade maior que a do seu opositor para desempenhar as funções de PR.

O contra-ataque de Nóvoa é feito em duas frentes. Por um lado, lembra que a candidatura de Maria de Belém surge com a divisão dentro do PS e que se mostrou hesitante na altura em que António Costa faz o acordo com a esquerda. Aliás, chega a afirmar que a candidata "nunca acreditou" nos acordos à esquerda. E, por outro lado, cola-se ao primeiro-ministro e ao novo Governo, afirmando que "há oito meses previu este tempo novo e explicou que eram precisas novas alianças".

Como resposta, Maria de Belém recorda que tem desde o início o apoio de três históricos do PS - Manuel Alegre, Almeida Santos e Vera Jardim -, que também apoiaram António Costa. E ainda acusa o mandatário de Sampaio da Nóvoa de a atacar de forma "descabelada". A antiga ministra de Guterres diz que a acusação é infundada, que nunca hesitou e que apenas quis que a Constituição fosse cumprida.

O que é isso de tempo novo?

É um dos motes da campanha de Nóvoa. O tempo novo. Maria de Belém "obrigou" o candidato a explicar o que quer dizer com esta expressão.

Antes disso, porém, voltou a puxar dos galões para dizer que é militante do PS há mais de 40 anos, que esteve e lutou em todas as causas, mas que nunca lá viu Sampaio da Nóvoa. Este ataca, lembrando que ela "faltou à chamada na defesa da Constituição", ao não ter pedido fiscalização sucessiva do orçamento de Estado de 2012, deixando para outros deputados esta tarefa.

Depois, lá veio a explicação do tempo novo: "É o tempo que se abriu agora e que nunca tinha acontecido em 41 anos, em que os partidos todos entram em diálogo, partidos que nunca se tinha entendido e conversado".

A ex-presidente do PS não considera que o tempo novo seja este acordo à esquerda, defende antes que "o verdadeiro tempo novo foi o 25 de abril, que nos abriu à democracia".

O debate prosseguiu com as funções do PR e a dissolução da Assembleia da República. Sampaio da Nóvoa diz que nunca será um elemento perturbador mas antes de consensos, "um árbitro, moderador, equilibrado", que protege os portugueses e que não se devem traçar cenários de catástrofes antecipadamente. Já Maria de Belém optou por salientar a importância da estabilidade política, afirmando que o PR "deve ser alguém que tem influência mas que não interfere".

Depois vieram as causas. Ela diz que as principais são mobilizar o país contra a pobreza infantil, o desemprego e a diplomacia científica, enquanto ele prefere a causa da "qualificação dos portugueses".

A alfinetada final de Maria de Belém surge quando homenageia Mariano Gago por aquilo que fez pela ciência no país, recuperando uma entrevista de Nóvoa em que este "chumbava" Mariano Gago como ministro.

Sampaio da Nóvoa termina afirmando que a matriz central da sua candidatura é o estar em todos os espaços políticos, contando com a liberdade de todos.