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Presidenciais 2016

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Costa apela à mobilização dos socialistas por Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém

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António Costa numa reunião da Comissão Nacional do PS

MÁRIO CRUZ/LUSA

O secretário-geral do PS considera que a primeira volta das eleições presidenciais será uma espécie "de eleições primárias da esquerda portuguesa"

O secretário-geral do PS apelou este sábado à mobilização dos socialistas em torno das candidaturas presidenciais de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém e equiparou a primeira volta das eleições a umas "primárias" da esquerda portuguesa.

António Costa falava no discurso de abertura da Comissão Nacional do PS, ocasião em que reiterou a defesa da posição de ausência de apoio oficial a um candidato por parte do seu partido nas eleições presidenciais, mas em que também frisou que "é dever dos militantes e simpatizantes socialistas se baterem" por uma das candidaturas da área do PS: Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém.

O líder socialista considerou que a primeira volta das eleições presidenciais será uma espécie "de eleições primárias da esquerda portuguesa" e caso haja segunda volta - passe a esta fase Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém - "terá de haver concentração de votos" num deles.

Na sua intervenção, o também primeiro-ministro voltou a não dar qualquer sinal de apoio a um dos candidatos em disputa e reiterou a tese de que o PS "tem a velha tradição de respeitar a natureza própria da função presidencial", razão pela qual "nunca apresentou um candidato oficial".

No entanto, logo a seguir, Costa ressalvou que, para o PS, as presidenciais "não são eleições irrelevantes ou indiferentes para o futuro do país".

"Por isso, lançamos um apelo muito vivo para que todos se mobilizem e participem ativamente na campanha eleitoral e, sobretudo, para que votem no próximo dia 24. Como sabemos, há essencialmente dois candidatos relevantes da nossa área política e o PS entendeu que, nesta primeira volta, não deveria apoiar oficialmente nem Maria de Belém nem Sampaio da Nóvoa, mas os socialistas têm feito as suas escolhas", referiu.

António Costa reafirmou neste contexto que, como secretário-geral do PS, não apoiará qualquer dos dois candidatos na primeira volta, mas frisou em seguida ser "importantíssimo" que nesta primeira volta das presidenciais "se criem condições para que à segunda volta o candidato apoiado pelo PS possa vir a ser eleito Presidente da República".

"Esta primeira volta deve servir verdadeiramente como as eleições primárias da esquerda portuguesa e na segunda volta é absolutamente fundamental uma convergência de todos os votos para eleição de Maria de Belém ou de Sampaio da Nóvoa, conforme aquele que passe à segunda volta", defendeu.

No seu discurso o secretário-geral do PS procurou também salientar a importância da questão presidencial para o futuro do país, advogando então que a figura do chefe de Estado dever ser "representativa do conjunto dos cidadãos e que a sua essencialidade só se sente e verifica nos momentos de crise".

Numa série de críticas implícitas a Cavaco Silva, o líder socialista pediu a todos dos membros da Comissão Nacional do PS para que fizessem o exercício de imaginar "como teria sido importante nestes últimos quatro anos, em que os portugueses sofreram uma crise tão profunda, poderem ter contado com um Presidente da República que lhes desse animo, carinho, esperança, confiança no futuro e que lhes fosse próximo".

"Como teria sido importante nestes anos, em que houve tantas clivagens e confrontações políticas, um Presidente da República capaz de unir, de promover o diálogo político e social. Como teria sido importante que houvesse um Presidente da República que soubesse que a sua primeira missão era fazer cumprir a Constituição, porque só assim se garante o valor fundamental do Estado de Direito", afirmou, recebendo então muitas palmas da plateia.

Ainda no mesmo tom crítico, o secretário-geral do PS pegou nos casos das últimas privatização feitas pelo anterior Governo.

"Como teria sido importante ter um Presidente da República que impedisse uma maioria conjuntural de abusar da sua situação e de em plena campanha eleitoral, ou mesmo já depois de demitida, ter tomado medidas que comprometem duramente o futuro dos portugueses, tal como o anterior Governo teve a desfaçatez de fazer ao assinar um contrato de privatização da TAP", apontou, antes de tirar uma conclusão de caráter político.

"É isto que temos de ter bem presente. Não é indiferente saber quem é o Presidente da República. Por isso, ninguém pode andar distraído nas próximas semanas sobre as eleições presidenciais", acrescentou.