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Laureado Prémio Pessoa 2004 - Mário Cláudio

Mário Cláudio (pseudónimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa) nasceu no Porto, em 6 de Novembro de 1941. Nesta cidade efectuou estudos secundários. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, veio a diplomar-se mais tarde com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Faculdade de Letras da mesma Universidade. Como bolseiro do Instituto Nacional de Investigação Científica, frequentou a Universidade de Londres (University College), onde se pós-graduou como Master of Arts in Library and Information Studies. É técnico superior do Ministério da Cultura desde 1980 e professor do ensino superior. Foi condecorado com a Ordem de Santiago de Espada.

Recebeu os seguintes Prémios:
Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, pelo romance Amadeo.
Prémio Antena 1, da Radiodifusão Portuguesa, pelo romance Guilhermina.
Prémio Lopes de Oliveira, pelo romance Tocata para Dois Clarins.
Prémio PEN-Clube Português e Prémio Eça de Queirós, pelo romance O Pórtico da Glória.
Grande Prémio de Crónica, da Associação Portuguesa de Escritores, pela antologia A Cidade no Bolso.
Prémio Seiva Trupe.
Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra.


Obras mais importantes

Ficção:
Amadeo, 1984.
Guilhermina, 1986.
Rosa, 1988.
A Quinta das Virtudes, 1990.
Tocata para Dois Clarins, 1992.
As Batalhas do Caia, 1995.
O Pórtico da Glória, 1997.
Peregrinação de Barnabé das Índias, 1998.
Ursamaior, 2000.
Itinerários (antologia de contos), 1993.
O Anel de Basalto e Outras Narrativas, 2002.

Teatro:
Noites de Anto (1996)
A Ilha do Oriente (1996)
Henriqueta Emília da Conceição (1997)
O Estranho Caso do Trapezista Azul (1998)

Edições especiais:
Meu Porto (2001)
Fotobiografia de António Nobre (2001)
Triunfo do Amor Português (2004)

Viagem:
Italy: 41 Impressions (de colaboração com Michael Gordon Lloyd), Turnbridge Wells, Badger Editions, 1979


Tradução:
Dezasseis Poemas de Odysseus Elytis, Porto, O Oiro do Dia, 1980
William Beckford: Vathek, Porto, Edições Afrontamento, 1982
Nikos Gatsos: Amorgosk – A Uma Estrela Verde, Porto, O Oiro do Dia, 1982
História do Califa Vathek, Porto, Edições Afrontamento, 1982
Virginia Woolf: Rumo ao Farol, Porto, Edições Afrontamento, 1985


Mário Cláudio é autor de inúmeros artigos publicados na imprensa nacional e estrangeira, e tem proferido palestras e conferências sobre temas literários ou conotados com a literatura. As suas obras estão traduzidas em inglês, castelhano, francês, italiano, alemão, húngaro, checo e croata.

Entrevista ao Expresso

Mário Cláudio, o pseudónimo escolhido em 1969 para a publicação do seu primeiro livro. Aos 63 anos, vê o seu trabalho reconhecido como o Prémio Pessoa, mas nem isso o desvanece. Crente, muito dado à contemplação do sublime, que pode plasmar-se numa página de Proust, num concerto de Mozart, numa cantata de Bach, ou na indizível atmosfera contida num passeio por Paredes de Coura, Mário Cláudio ficou contente com a distinção, mas não rejubilou. Porque diz, “não é aí que está a felicidade”.

Perturba-o a brusca exposição pública decorrente da atribuição do prémio Pessoa?

Tem de haver lugar para uma certa relatividade. Perante uma situação como a que estou a viver agora, sei perfeitamente que nenhum prémio, por maior que seja, significa alguma coisa em termos de felicidade de quem o recebe. Não é aí que está a felicidade. É um regozijo recebê-lo, mas não é uma felicidade tê-lo. Posso Ter o prémio e estar infelicíssimo. Não rejubilei, nem passei a ver-me no centro do Mundo. Sei que a felicidade não está aqui, mas poderá estar algures em Paredes de Coura, num dos passeios que posso dar com os meus cães. E não é todos os passeios. É num ou noutro em que, de facto, estou sintonizado com a Natureza e as coisas simples. O bem-estar e a felicidade, a minha harmonia e a minha saúde mental não têm a ver com prémios ou muitas traduções. A conversa com um amigo, a descoberta de um livro, uma gravura, uma visita a um museu, o contacto com a música podem significar momentos de grande apaziguamento, de grande serenidade, de grande enriquecimento interior. É nisso que consiste a felicidade, quando há uma coincidência entre aquilo que nós somos e o Mundo em que estamos.

Para lá da componente material associada ao prémio, não valoriza o reconhecimento da singularidade da sua escrita, feita sem concessões?

Claro que é reconfortante, mas é um conforto fugaz. Por uma razão muito simples: eu sei que amanhã vou estar outra vez a debater-me com a escrita. É cada vem mais difícil escrever. Se agora é difícil, como é que conseguia escrever há 15 anos? A verdade é que escrevia. Não sei se escrevia pior. Nunca lá vou ver. Não tenho grande simpatia pelos autores que passam a vida a reformular os livros que escreveram. Isso faz-me lembrar o “lifting” da velhinha que pretende parecer jovem. Quero que as coisas marquem as suas próprias épocas, mas é muito difícil. Com uma língua como a nossa, tão complicada, é dificílimo escrever.

Mas os seus livros revelam uma impressionante riqueza de vocabulário...

Sim, claro, a língua é para ser utilizada em toda a sua plenitude. Um compositor nãos e serve só de uma parte do teclado ou da escala. Recorre a tudo o que tem à sua disposição. Todas as palavras são utilizáveis, o que é preciso é que sejam oportunas. Que venham a propósito. Poder dispor de um órgão tão extraordinária como é a língua nacional é algo de fascinante.

O Mário Cláudio tem um método muito rígido de trabalho e chega a dar a sensação de viver numa espécie de reclusão. Para ser um verdadeiro escritor é necessária uma prática quase monástica no exercício da escrita?

Qualquer actividade criativa, se for levada a sério, implica isso. Muitas vezes os alunos procuravam-me, traziam-me textos e pediam-me para lhe dizer se eram ou não escritores. Digo-lhes sempre a mesma coisa: se não conseguirem viver sem escrever, são. O grande critério é esse. Quem consegue sobreviver sem escrever pode escrever muito bem, pode fazer coisas interessantes, mas não é visceralmente um escritor, que é o tipo de escritor que me interessa. O escritor que me interessa. O escritor visceral é o que não pode viver sem escrever, aquele para quem escrever é uma actividade quase biológica. Como essa necessidade se manifesta de uma forma muitas vezes incontrolável, pode encaminhar as pessoas para essa reclusão.

É muitas vezes um recluso?

Sou. O meu quotidiano é a escrita. Quando estou a escrever um livro acordo muito cedo e fico a trabalhar até à hora do almoço. Às vezes escrevo da parte da tarde, mas nem sempre. Tenho tempos de leitura, depois do almoço, antes do jantar, a seguir ao jantar. A minha vida é fundamentalmente isso. Uma das situações que conduziram à escrita com esse carácter monástico que você refere é que eu tenho um problema de saúde que me faz estar muito mais remetido a casa do que as pessoas normais. Tenho uma relação com o exterior muito dificultada. Procuro resolver isso com os paliativos fármacos habituais, mas tenho a certeza que se não tivesse essa condição de saúde, que me remete à interioridade, não teria, pelo menos em termos de quantidade, produzido o que produzi.

Esse recolhimento leva-o a uma maior introspecção? É um homem religioso?

Sou profundamente religioso. Tenho essa marca católica, apostólica, romana em mim. O que não significa que não cultive alguns posicionamentos particularmente heréticos, sobretudo do ponto de vista disciplinar, em relação àquilo que a Igreja defende e propugna. Mas tenho um impulso grande para continuar a frequentar a Igreja. Gosto muito de estar em Roma e ir ao coração da sede da Igreja Universal Católica. Sinto-me muito bem com isso. Os dois lados da Igreja que me tocam são os dois lados anti-éticos: o da pobreza e o triunfalista. Acho que as suas situações não se excluem uma à outra. Admiro muito a Igreja Católica porque é provavelmente, de todas as instituições humanas, a mais pluralista e aquela que tem durado mais tempo, por isso mesmo.

De que forma se traduzem os comportamentos heréticos?

Por exemplo em relação a determinados aspectos da moral da Igreja, sobretudo na área da sexualidade, que me parecem particularmente tenebrosos e aos quais não posso aderir. É o caso das posições relativas à contracepção, inclusivamente quanto ao uso de preservativo numa fase como aquela que estamos a atravessar. O posicionamento que a Igreja continua a manter em relação ao celibato do sacerdócio, ou relativamente à ordenação das mulheres, à posição dos divorciados dentro da Igreja, aos homossexuais, são tudo situações com que não posso estar de acordo, sendo, como sou, cristão. No entanto, tendo a coincidir bastante com o pensamento da Igreja relativamente ao aborto. A diferença está nas situações de violação. Suponho que, nesses casos, a Igreja nem sequer o admite, enquanto eu, aí, tenho de pensar duas ou três vezes se acho que o devo fazer. Não acho que a sociedade deva estar condicionada por isso. Não podemos ditar aos outros comportamentos que têm a ver com o exercício da sua liberdade. A Igreja proclama, tal como a nossa moral tradicional e a própria legislação, que o homicídio é um crime. Isso não significa que, se alguém quiser matar, não mate. Ponho o aborto no mesmo plano. Entendo que tem uma dimensão criminosa, mas não me posso arrogar o direito de cortar as mãos a uma pessoa que quer abortar o que traz nas entranhas. Há uma coisa que me choca imenso, que é ouvir reivindicar o direito ao corpo, que está habitado por outro corpo. Não pode ser. A partir de um determinado momento, o corpo deixa de ser exclusivamente da mulher. Não vale a pena estar a iludir esta questão.

Há uma outra vida.

Como se define politicamente e como tem seguido o actual momento político?

Sempre tive um posicionamento de esquerda, sem ser um activista. A leitura e a escrita deixavam-me pouco tempo disponível. Os últimos acontecimentos tenho-os seguido com curiosidade, apreensão e desgosto. Sobretudo desgosto, porque se vive um espectáculo de degradação moral.

O Perfeccionista

Se a casa é o espelho da alma, Mário Cláudio é um baú de emoções. Mesmo se é quase impossível arrancar-lhe uma lágrima. O espaço onde se abriga da cidade, na Travessa Pisca, uma zona de Francos onde o Porto não resiste à tentação de se manter abraçado ao aconchego das memórias perdidas dos bairros antigos, o escritor conserva um mundo de recordações, de símbolos, de retratos envelhecidos em diálogo com contemporâneas representações mergulhadas numa imensa paleta de cores.

Enquanto o telefone continua a roubar a tranquilidade de um frio fim-de-tarde e Mário Cláudio começa a ter dificuldade em encontrar palavras diferentes para os mesmos agradecimentos a quem o felicita pela atribuição do Prémio Pessoa, deixamos correr o olhar pela sala, do piano carregado de imagens de familiares à cadeira de leitura ao lado da janela, das mesas apinhadas de livros às paredes escondidas pelas pinturas, algumas delas preenchidas com o rosto do escritor.

Para melhor se penetrar no imaginário do autor de Oríon, o ideal seria acompanhar a leitura desta viagem ao mundo de Mário com a audição de uma obra de Mozart, talvez o Concerto para Piano nº 20, com Alfred Brendel. Ou, em alternativa, uma Cantata de Bach. Porventura a nº 4, pelo Bach Collegium Japan. Melhor ainda, seria intercalar com episódicas leituras de páginas de Marcel Proust. Pode ser a Segunda parte de à Sombra das Raparigas em Flor, de Em Busca do Tempo Perdido, na tradução de Pedro Támen, quando se fala da clausura do homem solitário.

Embora viva só, aquele a quem os familiares baptizaram de Rui Manuel Pinto Barbot Costa não se considera um homem sozinho. Tem muitos amigos. Frequentam-lhe a casa. Acompanham-no em momentos de lazer ou em situações delicadas. São pessoas de quem o Rui sabe poder esperar todo o amparo. São “familiares e amigos que estão muito próximos e muito me ajudam, me sustentam e estimulam-me em termos de escrita”.

São os primeiros leitores. Alguns deles têm o privilégio de receber as diferentes versões dos manuscritos antes de chegarem à versão final, transcrita para computador por uma colaboradora. Mário Cláudio escreve à mão. É um solitário exercício de paciência, em busca de uma perfeição de que apresenta Proust como paradigma inatingível. Considera-o “um homem muito musical” e lê-o em francês. Acha-o, “de longe, o maior de todos”. Para Cláudio, Proust, o primo afastado de Karl Marx, “é a catedral” e, por isso, “uma leitura de toda a vida”. Não procura atingir aquela dimensão divina, mas aceita como bom método de trabalho colocar-se à sombra desta e de “outras figuras gigantescas, como Musil, Thomas Mann, ou Kafka”.

De momento trabalha num novo romance, que será publicado no final do próximo ano. Já vai na Quarta versão. O mesmo texto é escrito e rescrito várias vezes. Sempre à mão. Sempre dominado por uma devota procura perfeccionista. A rescrita “não é tanto em termos de construção, porque essa mantém-se mais ou menos a mesma a partir do esquema inicial”. As variações ocorrem ao nível da linguagem, submetida a uma constante reformulação. Mário Cláudio dá uma importância inimaginável à pontuação, por exemplo. “Uma das coisas mais difíceis de utilizar é a vírgula”, que, garante, “a maior parte das pessoas não sabe utilizar”. Até alguns escritores a “usam mal, porque o fazem sem critério e de uma forma arbitrária”. Isso perturba-o.

Escrever à mão dá muito mais trabalho, mas o autor do Pórtico da Glória não abdica deste método. Precisa sentir “o elemento corpóreo do texto, a rasura”. Antes de passar a limpo, quer ver o borrão. “Com o computador perdem-se todas aquelas sensualidades dos toques do papel, do cheiro das tintas”, diz.

Quando escreve, o dia amanhece-lhe muito cedo e adopta uma atitude próxima da clausura. Senta-se à secretária quatro a cinco horas seguidas durante a manhã, mais duas ou três à tarde. Se não escreve, lê. Se não lê, ouve música. Tem uma relação difícil com o jazz, embora goste de compositores de toda a época e de todo tempo. Se tivesse de construir um pedestal, no topo estaria Mozart, ladeado por Johann Sebastian Bach.

Mário Cláudio escreve há mais de trinta anos. Começou pela poesia. Enquanto militar na Guiné, em 1969, onde, com Gomes Canotilho, exercia o seu curso de Direito, deixa para publicação o livro de poemas Ciclo de Cypris, numa edição acompanhada pelo pai, António Júlio.

Embora nunca em criança tenha imaginado ou desejado vir a ser escritor, houve uma altura, por volta dos 16 anos, em que sentiu “que nunca mais deixaria de escrever”. Um dos culpados por essa paixão poderá ter sido um professor de História do Colégio Almeida Garrett, com quem se cruzou aos 13 anos. Chamava-se Ramiro de Aguiar. Nunca impunha uma leitura, “mas comentava os livros com um entusiasmo tal, que ficávamos com um grande entusiasmo para saber o que diziam”, recorda o autor de Tocata para Dois Clarins.

A partir dos 17 ou 18 anos começa a mostrar alguns dos seus escritos, sobretudo poemas. Quando parte para a definitiva exposição pública, no início de uma caminhada ainda em curso, quem aparece não é o Rui Barbot Costa, mas o Mário Cláudio. O pseudónimo impõe-se logo a partir do primeiro livro para nunca mais ser abandonado. Em tudo quanto até hoje publicou, só uma vez este filho de famílias da burguesia portuense assinou com o seu nome de baptismo. Foi em 1979, com a publicação da tese de mestrado, intitulada “Para o Estudo do Analfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal”.

Curioso título para quem se confessa “um leitor compulsivo”. Lê tudo e em qualquer lugar. Seja nas inúmeras viagens de carro entre Lisboa e Porto, seja nas férias pela Europa. Se entrar num avião, o que é raro, por preferir evitá-lo, também se refugia nos livros e nas revistas. O desejo de leitura ocorre-lhe a todas as horas, a todos os momentos. Não se vangloria de tanto ler, porque, diz, “a anorexia da leitura é tão grave como a bulimia”. Passa os olhos por tudo: jornais, revistas, livros, ensaio, romance. Só não lê livros técnicos, “ou livros científicos impenetráveis”. Lê revistas do coração, jornais desportivos e “todas aquelas coisas que as pessoas dizem ser uma perda de tempo”. Para o escritor não é um desperdício. Recolhe ali material precioso. Teve a preocupação, por exemplo, de ler os autores ou autoras da chamada literatura “sei lá”, como Margarida rebelo Pinto ou Rita Ferro. Para saber o que lá está. Depois de o fazer concluiu que as autoras fazem parte de um universo exterior ao seu. “Cultivam uma certa frivolidade, mas que tem o seu lugar. São escritoras de entretenimento”. O que acha mais censurável em algumas delas “é a incorrecção linguística”. Fica particularmente incomodado com o mau trato da língua, o que, adverte, não significa que não se encontrem manchas nos seus textos, porque no melho pano caí a nódoa: “De certeza absoluta há deficiências linguísticas nos meu livros, como há em todos os autores, mas podem é ser mais ou menos graves, mais ou menos gritantes, ou mais ou menos frequentes”.

Em definitivo, a língua e a sua infinita riqueza são paixões deste licenciado em Direito nascido no Hospital da Ordem da Trindade quando faltavam dez minutos para as duas horas da tarde do dia 6 de Novembro de 1941. A mãe, Maria da Conceição, casara muito jovem como o também muito novo António Júlio. Não voltaram a Ter outro filho e ao único que criaram deram uma educação sem constrangimentos materiais, ou de ordem educativa. Rui cresceu na Rua Júlio Dinis próximo da Rotunda da Boavista, em casa da avó, já viúva, numa daquelas enormes residências da burguesia portuense, com cinco andares e um jardim nas traseiras, três criadas e uma cozinha onde os homens não entravam.

Recorda-se de brincar com as senhas de racionamento do tempo da II Guerra Mundial. Um dos seus grandes sonhos profissionais era ser condutor de carros eléctricos, “porque achava que andavam com a mala cheia de dinheiro”, o que lhe parecia “uma coisa fabulosa”. Apesar de, com a avó, ter ainda os pais e três tios adolescentes, irmãos do pai, Rui teve uma infância solitária em termos de convívio com crianças da mesma idade. Só na 4ª classe vai para a Escola Primária. Da 1ª à 3ª classe tivera um professor particular e é sobretudo quando chega ao liceu que vive em pleno a experiência do relacionamento com os miúdos da sua idade.

A avó e a mãe, ainda viva, impõem-se como figuras tutelares do seu crescimento, apesar de serem duas mulheres muito diferent