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Portugueses protegem pernas de Drogba na final da Champions

Quando entrar em campo no sábado para disputar a final da Liga dos Campeões, Didier Drogba não prescindirá das caneleiras SakProject, made in Portugal. Cristiano Ronaldo também as usa.
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Drogba só tem de se preocupar em marcar golos.
Drogba só tem de se preocupar em marcar golos. / Crystian Cruz

É uma empresa de Viseu que protege as pernas de alguns dos melhores jogadores do mundo, como Didier Drogba, ponta de lança do Chelsea, ou Cristiano Ronaldo, estrela do Real Madrid. As caneleiras da SakProject têm tecnologia 100% portuguesa e adaptam-se de tal forma às pernas de quem as usa que conseguem dissipar a energia dos impactos produzidos pelas caneladas dos adversários, reduzindo drasticamente as lesões. 

Filipe Simões, 33 anos, é o responsável pelo desenvolvimento tecnológico dos equipamentos, mas a ideia partiu de Rui Pina, 39 anos, depois de uma formação sobre processos de fabrico com materiais compósitos, quando perceberam que seria possível aplicar esses conhecimentos na área das proteções desportivas. Os dois professores da Universidade de Coimbra demoraram quase oito anos a desenvolver as caneleiras. Foi preciso um grande investimento próprio - de dinheiro e tempo - até concluírem que tinham, finalmente, um negócio com pernas para andar. "Investimos largas dezenas de milhares de euros, fizemos muitas viagens à procura dos melhores materiais, inúmeros testes, fomos comprando e descontinuando máquinas para a produção das caneleiras", mas, em 2008, chegaram ao que queriam. 

A Sakproject foi convocada para o Euro 2008 


Passo seguinte: procurar a aprovação dos jogadores da seleção nacional. "Foi muito motivador ver a forma entusiasta como acolheram as nossas caneleiras", admitem, mas a emoção forte foi saber que elas também disputaram o Euro 2008 e o Mundial de 2010. A partir daí o negócio faz-se com o passa-palavra: "Os nossos maiores embaixadores são os clientes". Foi assim que as SakProject saltaram dos balneários da seleção nacional para os dos maiores clubes de futebol internacional. Hoje protegem também as pernas de todos os jogadores do Chelsea, e de muitos outros em Espanha, Alemanha, Itália, Holanda e até Arábia Saudita. "Onde quer que apareça um jogador com as nossas caneleiras, acaba por provocar um efeito dominó, conseguindo converter todo o clube", explica Filipe Simões. 

Até ao aparecimento da SakProject as caneleiras eram feitas a partir de moldes em gesso. Foi a empresa de Viseu que desenvolveu o processo de produção completamente inovador, rápido e não invasivo que hoje utiliza. Os dois sócios deslocam-se aos clubes interessados com um digitalizador a 3D, que regista a geometria das pernas dos jogadores e, duas semanas depois, estes recebem as suas caneleiras personalizadas, perfeitamente ajustadas ao seu corpo e feitas em materiais muito robustos, mas leves. Os jogadores podem definir a extensão das caneleiras, e entusiasmam-se, geralmente, com a escolha das cores e em acrescentar imagens ou a sua própria assinatura. 

Um mercado de 260 milhões de jogadores 


A concorrência, que vem das grandes marcas desportivas, nunca assustou os fundadores da SakProject, porque "estas fazem apenas produtos standard, que apresentam em tamanho único (ou quando muito dois ou três tamanhos). Depois é esperado que o atleta se adapte à protecção que usa, e não o contrário, como é desejável", não lhes garante, assim, o mesmo conforto e segurança que as caneleiras made in Portugal proporcionam. 

A empresa, que só começou a comercializar este produto em 2008, tem os olhos postos nos 140 mil jogadores de futebol federados que existem em Portugal, mas especialmente nos 260 milhões que jogam em todo o mundo. "Este projeto foi feito desde a raiz para ser facilmente exportado e tornar-se um negócio à escala global", assumem os dois sócios. E as suas caneleiras estão longe de ser requisitadas apenas pelos jogadores profissionais. Apesar de o seu preço começar em €150, a empresa recebe muitas solicitações de amadores e mesmo de pessoas que jogam ocasionalmente. "Todos parecem ser unânimes ao considerar a prática do futebol entre amadores ainda mais arriscada do que no mundo do futebol profissional", declaram. 

Os fundadores da SakProject estão agora concentrados num projeto que lhes permitirá instalar toda a produção em Viseu - até agora têm subcontratado parte dos serviços de produção - e na entrada em mais países. A Europa será o primeiro destino, e assumem que as solicitações que têm recebido para representação do conceito noutras zonas do globo, os deixa otimistas. "Apesar do período de recessão que se vive, a oportunidade para a SakProject existe e este é o momento certo para apostar na expansão do conceito", acredita Rui Pina.