26/05/2012 atualizado às 15:12
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Portugal terá que fazer contas no fim da crise, diz Cavaco

O Presidente da República alertou que Portugal terá de olhar com atenção para finanças públicas no final da crise. (Veja vídeo SIC no fim do texto)

13:38 Terça feira, 23 de junho de 2009

Portugal e outros países terão de "olhar com atenção para as suas finanças públicas depois da crise", advertiu hoje em Edimburgo o Presidente da República , que admitiu haver decisões políticas difíceis de reverter.

"Muitos países, e não só Portugal, vão ter de olhar com muita atenção para as suas finanças públicas depois da crise", avisou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas, após receber um doutoramento honoris causa na Universidade de Heriot-Watt.

Mas também vincou existirem "países em muito pior situação que Portugal", enumerando os casos da Irlanda, Espanha, Alemanha e Grécia.

O Presidente respondia na qualidade de economista a uma pergunta sobre como deve reagir um país que perca 20% de receitas fiscais nos primeiros meses do ano, situação que no início Cavaco Silva pensava referir-se ao Reino Unido.

"Portugal é um dos países que perde muita receita fiscal daquilo que se chama perda automática da receita fiscal", explicou.

"Há menos consumo, há menos receita de IVA, há menos lucros, há menos receita de imposto sobre as empresas, há mais desemprego, há menos salários e consequentemente menos IRS", continuou.

Mas lembrou que "todos os países estão a perder bastante receita fiscal".

"Se fosse só por essa perda automática, no futuro, quando a economia melhorasse [e] a recuperação económica começasse, também automaticamente subiam as receitas do IVA porque aumentava o consumo, as receitas do IRC porque aumentavam os lucros, as receitas do IRS porque aumentavam os salários e dos rendimentos", estimou.

Mas a questão, sublinhou, é que o "problema orçamental" não está apenas na "chamada variação automática da receita", ou seja, a variação da despesa e da receita, que são corrigidas automaticamente quando a crise acaba.

Existem também, afirmou, decisões políticas.

"Normalmente é feita agora uma decisão política para aumento da despesa discricionária ou diminuição discricionária da receita", comentou.

Mas no final da crise, acrescentou, têm de ser feitas outras opções políticas que "ao contrário do que os economistas dizem, são sempre decisões difíceis de reverter".

Como exemplo deu os impostos e as despesas sociais.

"É fácil aumentar impostos, é difícil subir impostos. É fácil aumentar despesas sociais, é difícil cortar despesas sociais", salientou.

Cavaco Silva entende que se deve esperar pelo fim da crise para avaliar a situação do país e tomar mais decisões.

"Vamos ver como é que estaremos no fim da crise", sugeriu.

 

 

Lusa
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mais votados ▼
Como terão de fazer todos os países...
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 14:46 | Terça feira, 23 de junho de 2009
Se a direita internacional, que teve no poder durante quase uma década, fosse responsável, isto não teria de acontecer...

Mas teve que ser...

Sr. Presidente... Em 2007, quando lhe perguntaram se o país estava melhor que em 2005, o que é que respondeu?

Se calhar foi o Sócrates que deixou o Lehman Brothers falir...
 
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