Portugal: risco, de novo, acima de 61%
Também no mercado secundário os juros das obrigações do Tesouro português subiram. Mas o dia foi particularmente penalizador para Itália e Espanha.
Confirmando a tendência de subida da manhã, a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos subiu para 61,48%, segundo dados da CMA DataVision. Ontem havia fechado em 59,48%. Portugal conserva o segundo lugar do "clube" dos candidatos a um incumprimento da dívida, logo a seguir a Chipre, o líder, com 63,94%.
Também no mercado secundário se observou a mesma tendência de agravamento. As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) a 2, a 3 e a 5 anos subiram hoje mais de 5%, revelando uma pressão, de novo, sobre o curto prazo, segundo dados da Bloomberg. Os juros a 2 anos fecharam em 9,62% e os a 10 anos em 11,34%. Os juros a 3, a 5 e a 6 anos estão ainda em níveis acima de 13%.
A diferença em relação aos juros dos títulos irlandeses voltou a ampliar-se. Os juros a 2 anos dos títulos irlandeses fecharam hoje em 4,67% a 2 anos e em 6,82% a 9 anos (os títulos a 10 anos não se têm negociado desde novembro de 2011). O mesmo sucedeu com o prémio de risco da dívida portuguesa em relação à dívida alemã que subiu para 9,53 pontos percentuais.
Este prémio de risco está já muito distante do pico de 15,6 pontos percentuais de 30 de janeiro deste ano e regressou ao nível do prémio exigido pelos investidores no princípio de julho do ano passado, depois do plano de resgate aprovado por Bruxelas e pelo FMI. O prémio de risco da dívida portuguesa subiu muito rapidamente de 5 pontos percentuais em abril, quando foi anunciado o pedido de resgate pelo governo anterior, para 10 pontos percentuais em meados de julho, já depois de assinado o Memorando de Entendimento com a troika.
Mas o dia foi particularmente penalizador para Itália e Espanha no mercado secundário. A pressão fez-se sentir sobretudo sobre os prazos a 2, a 3 e a 5 anos. No caso dos títulos italianos (BTP), os juros nos prazos a 2, a 3 e a 5 anos ultrapassaram hoje os juros das obrigações espanholas, refletindo uma pressão no curto prazo muito acentuada sobre Roma.
Os juros das obrigações espanholas (OE) a 10 anos fecharam em 5,46% e os dos BTP em 5,21%, um valor ligeiramente abaixo dos 5,24% que o Tesouro italiano teve de aceitar, em média, para colocar hoje 5,75 mil milhões de euros com prazo a 10 anos. Os juros da dívida dos dois países neste longo prazo estão agora no mesmo patamar, alterando a situação que se vinha a observar desde 5 de março de distanciamento entre os juros das OE (em alta) e os dos BTP (abaixo do limiar dos 5% até 21 de março).
Também no risco de incumprimento se verificou um agravamento da situação nos dois países. A probabilidade de incumprimento de Espanha subiu de 31,48%, no fecho de quarta-feira, para 32,29% no fecho de hoje; e no caso de Itália a subida foi de 28% para 29,75%, no mesmo período. Um agravamento do risco foi também observado hoje em relação às dívidas belga, francesa e austríaca. O risco da dívida húngara - membro da União Europeia, mas não aderente à moeda única - também subiu, o que levou a que o país ultrapassasse Espanha no "clube" dos candidatos à bancarrota. A Hungria subiu para a 9ª posição e a Espanha desceu para o 10º lugar.
A crise da dívida na zona euro abrange hoje em dia a Grécia (cujos juros relativos ao novo benchmark a 10 anos, usado pela Bloomberg depois da reestruturação da dívida, continuam a subir acima de 20%), Chipre, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. A que se junta a Hungria, fora da zona euro. O grupo de países do "centro" da moeda única, formado pela Bélgica, França e Áustria, são "salpicados" também por esta onda.
Os investidores estão na expetativa sobre os resultados das reuniões do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro) e do Ecofin (ministros das Finanças da União Europeia) que se iniciam amanhã e se prolongam para o fim de semana.



