Portugal regressa ao 4º lugar do clube da bancarrota
O risco de incumprimento da dívida portuguesa subiu para mais de 51%. Um agravamento de quase três pontos percentuais entre o final da manhã e o fecho. Situação de Espanha e Itália agravou-se. Pessimismo regressa ao mercado da dívida. Alemanha reforça posição de "refúgio".
A volatilidade nos mercados da dívida soberana provoca, regularmente, reviravoltas. O caso português é hoje exemplo de antologia. Tendo baixado a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa para 48,62% ao final da manhã, Portugal desceu, uma vez mais, no "clube" dos candidatos a uma bancarrota. "Ultrapassado" pela Venezuela desceu para a 6ª posição naquele "clube".
Durante a tarde, no entanto, a situação inverteu-se significativamente, segundo dados da CMA DataVision. O risco da dívida agravou-se, esta tarde, mais de três pontos percentuais e fechou em 51,44%.
O que provocou o regresso de Portugal ao 4º lugar do referido "clube", "ultrapassando" a Venezuela e a Argentina de uma assentada, liquidando, assim, os ganhos de posição obtidos na sexta-feira e hoje durante a manhã.
No mercado secundário, a situação foi, no entanto, "mista" - os juros subiram nas obrigações do Tesouro (OT) a 2 e a 10 anos, mas desceram nos prazos a 3 e a 5 anos. Os juros nas OT a 2 anos voltaram a galgar os 7%.
Pessimismo regressa
Este movimento do risco português ocorreu num dia em que o pessimismo regressou ao mercado da dívida, com a pressão sobre Espanha e Itália a subir, acentuado por um movimento de pânico dos investidores em direção aos títulos que consideram "seguros" na zona euro, nomeadamente os alemães.
Depois de algum otimismo face aos resultados da minicimeira de Roma do novo quadrunvirato (Alemanha, Espanha, França e Itália), os investidores temem que a próxima cimeira da União Europeia no final desta semana (28 e 29 de junho) possa redundar em mais um compasso de espera, em virtude das posições inflexíveis da Alemanha em vários pontos, apesar das cedências que Berlim já fez, fruto do acordo interno com o SPD e da pressão política da França, Itália e Espanha.
A previsão de que a Moody's opere, esta noite, um corte generalizado da notação de 28 bancos espanhóis, colocando a maioria abaixo da notação da dívida soberana do país (que está em Baa3, apenas um nível acima de dívida especulativa, vulgo "lixo financeiro") empurrou o risco de incumprimento da dívida de Espanha para 40,40% e os juros das obrigações espanholas (OE) em todos os prazos subiram significativamente no mercado secundário, em particular nas maturidades a 2, a 3 e a 5 anos, segundo dados da Bloomberg. Os juros dos títulos italianos (BTP) tiveram uma subida diária ainda mais acentuada do que no caso dos espanhóis. Os juros das OE a 10 anos fecharam em 6,64% contra 6,38% na sexta-feira. Os juros dos BTP a 10 anos fecharam em 6,01% contra 5,80% na sexta-feira.
Fuga para os títulos alemães
A fuga para os titulos alemães ocorreu logo na emissão de dívida pela Alemanha que foi ao mercado com bilhetes do Tesouro a 12 meses (Bubills, na designação em inglês), pagando uma taxa média de 0,019%, abaixo dos 0,0264% na operação anterior. O Bundesbank arrecadou 2.045 milhões de euros, financiando-se a juros negativos em termos reais (descontando a inflação no valor nominal).
Os juros dos Bunds (obrigações do Tesouro alemão a 2 ou mais anos) baixaram, também, em todas as maturidades no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg. Em virtude da descida dos juros dos Bunds a 10 anos para 1,46%, o prémio de risco (diferencial entre juros) subiu para a dívida de Portugal, Espanha e Itália.



