Malária: a doença que anda de mãos dadas com a SIDA
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| Fundação Bill Gates financia 72 mil euros para a primeira fase do projecto português |
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Todos os anos, a malária mata mais de um milhão de pessoas e há registo anual de 500 milhões de novos casos. Apesar da quase totalidade destas mortes ocorrerem em África, há em todo o mundo uma preocupação em acabar com o problema. Já existem vacinas contra a malária mas que conferem uma proteção baixa, sendo por isso importante desenvolver tratamentos mais eficazes.
Um grupo de cientistas portugueses está a tentar desenvolver uma vacina mais forte, recorrendo a uma abordagem diferente do que tem sido seguida por outros grupos de investigadores.
Portugueses criam vacina inovadora
A ideia é usar uma estirpe de um parasita que provoca malária em roedores, não causando a doença em seres humanos.
"Todas as estratégias, até agora usadas, baseiam-se na atenuação do parasita que causa doença em humanos. O que significa que se essa atenuação não for 100 por cento eficaz, o parasita vai escapar e vai causar doença. Nós salvaguardamos esta questão da segurança, porque este parasita nunca terá capacidade para, achamos nós e é isso que temos que provar, causar os sintomas da doença em seres humanos", explica Miguel Prudêncio, investigador que integra a equipa do Instituto de Medicina Molecular.
Ao mascarar um parasita de roedores de um parasita de humanos, os investigadores portugueses esperam induzir uma resposta imunitária capaz de atacar uma infeção mas sem o risco da própria vacina despoletar a doença.
Fundação Bill Gates financia investigação
Ao fazerem uma abordagem pioneira a um problema antigo, os investigadores portugueses chamaram à atenção da Fundação Bill e Melinda Gates que, pela primeira vez, vai apoiar projectos portugueses. 72 mil euros foi a verba disponibilizada para a primeira fase do projecto.
Se os resultados forem positivos, daqui a um ano e meio, na segunda fase do projecto, o financiamento da Fundação Gates pode atingir os 720 mil euros.
"Este financiamento só é possível porque se atingiu em Portugal o nível científico que está perfeitamente ao nível de outros países na Europa ou mesmo nos Estados Unidos, obviamente numa dimensão diferente que é a nossa", acrescenta Miguel Prudêncio.
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