24 de maio de 2013 às 17:23
Página Inicial  ⁄  Atualidade / Arquivo   ⁄  Portugal desce seis lugares no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU

Portugal desce seis lugares no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU

Apesar de se manter no grupo dos países com "desenvolvimento humano muito elevado", Portugal afundou-se ainda mais numa tabela que volta a colocar a Noruega no topo.
Lusa

António Pedro Ferreira Os portugueses andam, em média, oito anos na escola, contra dez dos espanhóis
Portugal surge em 40.º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano , descendo seis lugares no relatório de 2010 das Nações Unidas que avalia o bem-estar das populações de 169 países.

Em 2009, Portugal já tinha descido neste ranking, situando-se em 34.º lugar. Este ano, e apesar de se manter no grupo dos países com "desenvolvimento humano muito elevado", caiu de novo numa tabela que volta a colocar a Noruega no topo e Espanha em 20.º lugar.   

Nesta avaliação anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os países são divididos em quatro grupos em termos de desenvolvimento humano: muito elevado, elevado, médio e baixo. Os portugueses surgem no primeiro grupo, composto por 42 países, mas quase no fim da tabela, estando apenas em melhor situação do que a Polónia e os Barbados.

Dos 27 países da União Europeia, Portugal surge apenas mais bem classificado do que a Polónia (41.º lugar no ranking mundial), Letónia (48.º lugar) Roménia (50.º) e Bulgária (58.º).

Com o objetivo de perceber o bem-estar de uma população, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa que engloba três dimensões: expectativa de vida ao nascer, riqueza e educação.

Esperança de vida: 79,1 anos


Os portugueses têm uma esperança de vida à nascença de 79,1 anos, menos dois do que os espanhóis e menos três se comparados com o povo com maior longevidade: os japoneses, que têm uma esperança de vida de 83,2 anos.

Comparando a realidade nacional com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal também fica abaixo da média de 80,3 anos, mas uma década acima da média mundial dos 69,3 anos.

Anos de escolaridade: 8


Outro dos itens avaliados no Relatório de Desenvolvimento Humano 2010 é a média de anos de escolaridade: em Portugal são oito, contra os dez anos espanhóis ou os 12,6 anos dos noruegueses.

Quando comparado com os 27 da UE, Portugal é o país com a mais baixa média de anos de escolaridade: a Polónia, que está em 41.º lugar do ranking mundial, tem uma média de 10 anos, a Letónia (48.º lugar no ranking) tem uma média de 10,4 anos, a Roménia (50.º) de 10,6 anos e a Bulgária (58.º) de 9,9 anos.

O Rendimento Nacional Bruto per capita português é de €15.7347 (22.105 dólares), quase metade do que na Noruega, onde é de 58.810 dólares. Também neste indicador Portugal fica abaixo da média da OCDE, que é de 37.077 dólares.

Saúde: 34 médicos para cada cem mil pacientes


No que diz respeito às despesas de saúde, Portugal gasta, por pessoa, menos de metade do que os Noruegueses, que voltam a ocupar o primeiro lugar do ranking sobre bem-estar das populações realizado anualmente pelas Nações Unidas.

Em Portugal, a despesa na saúde per capita em 2007 era de 2284 dólares anuais (cerca de €1600), enquanto que na Noruega este valor sobe para os 4763 dólares (cerca de €3340). Mas são os americanos que investem mais neste sector: 7285 dólares (cerca de €5107) em 2007.

Nos itens sobre o número de médicos e de camas para cada cem mil pacientes a realidade nacional é muito aproximada à dos que estão no topo da tabela: em Portugal há 34 médicos e 35 camas hospitalares, contra as 39 profissionais de saúde e 39 camas na Noruega.

Satisfeitos com o emprego, mas...


No capítulo do emprego, nove em cada dez portugueses diz estar satisfeito com a sua atividade profissional, mas mais de metade da população não gosta do padrão de vida que tem.

Os portugueses consideram-se mais ou menos bem "com a vida em geral": numa escala de zero a dez posicionam-se em 5,7.

Numa análise por itens, percebe-se que o problema passa pelo "padrão de vida", já que 90 por cento dizem-se satisfeitos com o emprego e 80 por cento com a saúde pessoal. No entanto, apenas 47 por cento se considera satisfeito com o "padrão de vida" que tem.

Ainda no universo do trabalho, 18,5 por cento dos trabalhadores têm empregos vulneráveis, ou seja, estão "envolvidos em trabalho familiar não pago e trabalho por conta própria".

Os números de 2008, que são aqueles que integram o relatório, mostram que 55,7 por cento da população entre os 15 e os 61 anos estava empregada, sendo a situação mais problemática para as pessoas com mais qualificações académicas.





IDH CRESCE 18% EM 20 ANOS

A média mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aumentou 18 por cento nos últimos 20 anos, refletindo grandes melhorias na esperança de vida, matrículas escolares, alfabetização e rendimento, mas alguns países sofreram sérios reveses, revela relatório.

O Relatório do Desenvolvimento Humano 2010, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, divulgado hoje, indica que a média mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aumentou 18 por cento desde 1990 e 41 por cento desde 1970.

Dos 135 países da amostra para 1970-2010, que representam 92 por cento da população mundial, quase todos beneficiaram deste progresso, embora de forma muito dispare, e apenas três - República Democrática do Congo, Zâmbia e o Zimbabué - têm um IDH atual inferior ao de 1970.

Universalmente aceite


Helen Clark, administradora do PNUD, lembra, na nota introdutória do relatório, que "é agora quase universalmente aceite que o sucesso de um país ou o bem-estar de um indivíduo não podem ser avaliados somente pelo dinheiro. O rendimento é, obviamente, crucial: sem recursos, qualquer progresso é difícil".

Contudo, "devemos também avaliar se as pessoas conseguem ter vidas longas e saudáveis, se têm oportunidades para receber educação e se são livres de utilizarem os seus conhecimentos e talentos para moldarem os seus próprios destinos", refere.

Helen Clark lembra que para alcançar o desenvolvimento humano "não há um modelo único ou uma receita uniforme para o êxito".

No relatório deste ano são introduzidas três novas medidas que registam a desigualdade multidimensional, as disparidades de género e a privação extrema: o IDH Ajustado à Desigualdade, o Índice de Desigualdade de Género e o Índice de Pobreza Multidimensional.


Comentários 24 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
Porque se esconde a Ministra Isabel Alçada?
Tão solicita a aparecer quando os relatórios são favoráveis a Portugal, porque se esconde agora a Sra Ministra da Educação Isabel Alçada e dar explicações sobre esta queda na tabela da ONU?
+1 em vez de -6 Ver comentário
Esconderijo Ver comentário
Re: Esconderijo Ver comentário
Combate Ver comentário
Saber resistir é combater. Ver comentário
Re: Esconderijo Ver comentário
Re: Esconderijo Ver comentário
Resumindo
A vida está boa para os políticos e afins, por tal motivo povo continuem a trabalhar que nem escravos para sustentar tão distinta classe de operários?
O padrão de vida
Infelizmente o padrão de vida da maioria dos portugueses ainda terá que continuar a baixar para se tornar sustentável.
Portugal no seu conjunto tem feito o mesmo que muitos portugueses gastadores e imprudentes acabando por se afogar em dívidas sobre as quais perdeu o controlo. Agora é o padrão de vida da maioria que está em causa por culpa de todos.
Dá para pensar sobre o porquê da insatisfação com o padrão de vida pois se a resposta fosse que desejavam regressar a um padrão de vida mais sustentável ainda que menos opulento, tal seria positivo e esperançador, agora se simplesmente desejam ter um melhor padrão de vida sem lhes importar como nem porquê, o caso seria altamente preocupante.
O EVITÁVEL DA NOSSA INEVITABILIDADER
Como é nosso hábito haverá muito boa gente a concluir que poderia ser pior e que ainda assim o lugar na tabela é honroso. A falta de ambição e a cultura da aceitação do sofrimento parecem fazer parte da nossa genética, depois a crise servirá para justificar o que piore camuflando que tivémos muitos milhões diários que entraram no País e que imediatamente sairam pela porta do cavalo para os novos ricos que chafurdam na zona do poder e das decisões públicas. Só que nem tudo de mau ou de menos bom tem a mão dos especuladores internacionais. A culpa é nossa colectivamente porque abastardámos a democracia com o nosso consentimento implícito e muita perguiça política.
Seremos os ultimos
Se os Portugueses não descobrirem rapidamente O Homem não nos comparemos com a Grécia mas sim com Haiti.
Re: Seremos os ultimos Ver comentário
É ve-los a babarem-se todos com... Ver comentário
Sobe e desce
Mas porque raio este País à beira mar plantado só sobe nos juros da dívida e no resto DESCE em tudo ?
Re: Sobe e desce Ver comentário
Re: Sobe e desce Ver comentário
Portanto... Ver comentário
Pelo menos lideramos no ranking dos telemóveis...
"Portugal lidera ranking de países onde é mais rápido comprar imóvel"

Isto mais o Mourinho, o Ronaldo, o Zé Cherne, aquele que vai liderar o maior banco do R.U., a nossa senhora e a fadista Mariza devem ser suficientes para nos fazer esquecer o quão rápido estamos a empobrecer...
Re: Pelo menos lideramos no ranking dos telemóveis Ver comentário
parabens
Parabens Tugalandia
Aumentar os estudos
O próximo passo agora é aumentar o tempo de estudos. Incentivando as pessoas a estudarem.
Cursos técnicos, de idiomas, universidades são boas alternativas.
Afinal Desce ou sobe??????
O Público a TSF, dizem que subiu um. Estive a ver no EL Pais, que tem o quadro geral, indica que de 2005 a 2010 Portugal subiu 3 posições, e Portugal enconta-se no "pelotão" da frente com o índice de desenvolvimento MUITO ALTO, AO LADO DOS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS NO MUNDO. Assim solicitava ao jornalista do "EXPRESSO" que corrija todos os outros jornais e reponha a vossa verdade. lol
Só um aparte
Alguém reparou na ainda presente "Cruz de Cristo" na sala de aula?

PUB
PUB
Expresso nas Redes
Pub