24 de maio de 2013 às 10:42
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Portugal desce dois lugares no "clube" da bancarrota

O risco de incumprimento da dívida portuguesa baixou em uma semana mais de três pontos percentuais. No TOP 10 desceu, hoje, do 4º para o 6º lugar dos candidatos a um default. No mercado secundário da dívida, descida dos juros manteve-se na maioria dos prazos.
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A probabilidade de incumprimento (risco de default) da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos desceu hoje para 47,93%, o que provocou uma descida de dois lugares no "clube" dos candidatos a uma bancarrota, segundo dados da CMA/S&P Capital IQ. Em relação ao nível de há uma semana ocorreu uma descida superior a 3,5 pontos percentuais.

Portugal desceu hoje de 4º para 6º lugar no TOP 10 mundial do risco de default, sendo hoje ultrapassado pelo Paquistão e pela Venezuela. Recorde-se que no início deste ano estava em 2º lugar, depois da Grécia com mais de 60% de probabilidade de incumprimento e que, aquando do pico do risco, a 30 de janeiro, chegara a 73,32%. Neste "clube" o aumento da probabilidade de incumprimento da dívida implica a subida na classificação.

O nível de risco atual da dívida portuguesa continua a ser muito alto, mais de dez pontos percentuais acima do da dívida espanhola e da dívida irlandesa e quase 15 pontos percentuais acima do da dívida italiana. No entanto, está numa curva descendente, como é também o caso da dívida irlandesa, ao contrário do que ocorre para Espanha e Itália, que têm estado em foco na crise das dívidas soberanas da zona euro.

Em contraste, o risco agravou-se hoje para Espanha (que ocupa o 9º lugar no referido "clube"), para a Irlanda (que está em 10º) e para Itália (que se mantém fora do "clube" desde final de junho).

Juros a dez anos abaixo de 10%


O mesmo movimento de desanuviamento se tem observado no mercado secundário da dívida. As yields das obrigações do Tesouro no prazo a 10 anos desceram abaixo dos 10%, fechando hoje em 9,978%, segundo dados da Bloomberg. Estas yields já haviam fechado abaixo de 10% durante três dias em finais de junho. Continua a ser um patamar bem acima da linha vermelha dos 7%.

Nos prazos mais curtos, as yields desceram nas maturidades a três e a cinco anos, e subiram ligeiramente na maturidade a dois anos. As yields das OT nos prazos a dois e a três anos encontram-se já em valores similares aos ocorridos em março de 2011, antes do pedido de resgate. No prazo a dois anos fecharam hoje em 5,745% e no prazo a três anos em 6,62%.

Também, as yields dos títulos irlandeses a dois anos desceram para 2,82%, um nível já abaixo dos 4% para as obrigações espanholas e dos 3,4% para os títulos do Tesouro italiano no mesmo prazo.

Portugal e Irlanda são os dois principais beneficiados pela atual conjuntura no mercado da dívida soberana.

Juros de Espanha e Itália fecham em alta


A pressão sobre as dívidas espanhola e italiana continua a verificar-se no mercado secundário da dívida. As yields em ambos os casos fecharam a subir em todos os prazos.

No caso do prazo a dez anos, as yields das obrigações espanholas fecharam em 6,907%, de novo próximo da linha vermelha dos 7%. Para os títulos italianos na mesma maturidade, as yields fecharam em 5,9%.

A "fragmentação" - usando o termo de Mário Draghi, o presidente do Banco Central Europeu - do mercado secundário da dívida foi, hoje, outra vez, evidente, com as yields dos título alemães (designados por Bunds) e das obrigações francesas em descida e em níveis muito baixos.

No caso dos Bunds, as yields nos prazos a dois e a três anos fecharam em valores negativos (ou seja, os detentores destes títulos pagam para os manter nas suas carteiras de títulos). No caso das obrigações francesas, as yields estão em valores próximos de zero nos prazos a dois e a três anos e abaixo de 0,9% no prazo a cinco anos. Nestes casos em que as yields estão abaixo de 2,1%, os custos de financiamento são, em termos reais, negativos, pois a inflação na zona euro rondará os 2,4% (valor de julho).

Na realidade, o que cada vez mais se verifica é que, nuns casos, os custos do endividamento estão próximos de mínimos históricos desde a criação da zona euro, e em outros estão em máximos históricos ou em níveis de qualquer modo insustentáveis. Uma diferença colossal que socava a sustentabilidade de uma zona monetária única. Esta discrepância tem gerado uma fuga de capitais dos países "periféricos". No caso de Espanha, nos primeiros cinco meses deste ano, a saída de capitais foi de 163 mil milhões de euros - 15% do PIB espanhol, quase tanto como a riqueza criada num ano em Portugal.

É significativa a diferença no prazo a dez anos entre as yields no caso dos Bunds ou das obrigações francesas e as dos países "periféricos". O prémio de risco em relação à dívida alemã está em 8,59 pontos percentuais para o caso português, em 5,52 para o caso espanhol e em 4,52 para o caso italiano. As yields dos Bunds a dez anos estão em 1,385% e das obrigações francesas no mesmo prazo em 2,076%.

Refira-se que yield é a taxa de rentabilidade anualizada que o investidor recebe por manter um título até ao seu vencimento; é vulgarmente designada por juros. O mercado secundário é o mercado onde os detentores de títulos soberanos (emitidos pelos Estados em leilões no designado mercado primário) vendem e compram esses ativos; não deve ser confundido com o mercado de emissão, chamado de mercado primário, onde os investidores adquirem dívida emitida pelos Estados. O prémio de risco é o diferencial, no prazo a dez anos, entre as yields verificadas para um dado país da zona euro em relação às yields dos títulos alemães. A probabilidade de incumprimento da dívida é calculada num horizonte de cinco anos com base em diversos indicadores, incluindo o preço dos credit default swaps a cinco anos, ou seja dos seguros financeiros contra o risco de default de uma dada dívida.



 

Comentários 161 Comentar
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É o proselitismo xuxa no seu melhor...
O comentário directo a uma notícia que fala da melhoria de indicadores económicos e os louros vão para quem nos afundou... lol
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Viva o tiranete bolivariano...
Como é que uma das maiores reservas e produtores mundiais de petróleo já nos ultrapassa neste ranking ??!... É um enigma...
Portugal daqui a MIL anos fica melhor que a German Ver comentário
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Estes sobe e desces só servem para entreter tolos
Esqueçam os mercados da divida , Portugal não tem como pagar a sua divida , quanto mais andar sempre sucessivamente a contraír nova divida num ciclo vicioso de divida a gerar sempre mais divida.

Portugal não cria riqueza suficiente , nem criará no futuro proximo para sustentar estas ídas ao mercado da divida , alem de que o proprio endividamento por si é tambem ele , um travão à criação de riqueza.

Estes sobe e desces nos mercados da divida em relação a Portugal , não passam de um ruído , de um entretem , que só serve para tapar os olhos a muitos portugueses que erradamente tirarão a conclusão que Portugal está no bom caminho , e é claro que isto principalmente interessa tambem é aos especuladores que quanto mais sobe e desces , mais ganham.

Porque , em sua sã consciência , quem vai emprestar dinheiro a Portugal ?
Os grandes fundos internacionais nunca mais voltarão , porque esses só voltariam se Portugal voltasse a ter um crescimento economico superior a 2% do PIB , o que não vai acontecer nos anos mais proximos , nem isso se antecipa num horizonte mais alargado.

Esta descida pontual , que é o que se trata , deve-se ao facto de Draghi ter dito que ía actuar nos mercados de curto prazo da divida , nomeadamente nas maturidades a dois e a três anos.

E isto é o que acontecerá a Portugal nos próximos anos , mesmo que pontualmente os juros venham para baixo , na grande maior parte das vezes andarão lá por cima.

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Porque sair do Euro é bom para Portugal Ver comentário
Caro Jorge Nascimento Rodrigues
... não diga nada a ninguém mas ontem à tarde fiz mais um daqueles depósitos que sabe. Como descemos dois lugares fico na dúvida se o meu caro terá feito o mesmo...

Espero que eles não se habituem...

Cumprimentos
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Foram os piegas a Votar!!! ... Ver comentário
Jose Socrates o melhor primeiro ministro...
Mário Soares pode ter conseguido estabilizar o país no período pós-revolucionário, Cavaco Silva ter sido o primeiro a conseguir completar um mandato, Durão Barroso até pode ter saído de São Bento para a presidência da Comissão Europeia, mas foi José Sócrates o escolhido, pelos leitores do Económico, como o melhor primeiro-ministro do país.

Passos Coelho e Santana Lopes fecharam o pódio em mais uma votação em real time no site do Económico que juntou mais de 11.000 votos válidos.
Socrates e o Freeport:Tribunal! Ver comentário
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Agora percebo ...há 11000 piegas genuínos... Ver comentário
Esta tudo dito... Ver comentário
Finanças: descemos no mau, subindo para melhor
« Portugal desce dois lugares no "clube" da bancarrota »

Estas notícias sobre finanças são sempre equívocas.

Se baixar pontos é diminuir capacidade, neste caso é para diminuir incapacidade.

Resumindo, descemos, mas é a subir para melhor.

E quem dá parabéns?
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portugal-desce-dois-lugares-no-clube-da-bancarrota
Já o disse mais que uma vez, que começo a estar cansado de comentar esta noticia, pois o que desce hoje sobe amanhã. No entanto neste sobe e desce não saimos da cave e isso é que é grave. Ao princípio até ficava animado com estas boas noticias e desanimado com as más como português que sou. Agora já deixei de acreditar e como São Tomé ver e esperar para crer. No entanto já li por aí e mais que uma vez que Sócrates foi considerado o melhor Primeiro Ministro. Pessoalmente não me surpreendeu a noticia, porque isso já o afirmei vezes sem conta. Afinal começa-se a fazer justiça muito mais cedo do que eu imaginava.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/o-euro-e-os-custos-de-financiamento.html

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viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/transparencia-carlos-moedas.html
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Por falar em lugares...
«Sindicato critica nomeações para centros de saúde e fala em "jobs for the boys". "A única característica comum destas pessoas é que são 'boys' ou mulheres de 'boys'."»

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Porque sair do Euro é bom para Portugal
Porque sair do euro significa recuperar a relação de preços interna de um comportamento saudável de consumo interno e de exportação, que tenderia a equilibrar as contas quanto a entrada e saídas de divisas e mercadorias.

Os produtos e o trabalho seriam valorizados ou desvalorizados em equilíbrio natural no sistema. Se produzirmos o suficiente para pagar ao exterior o exterior desvalorizará tanto o nosso trabalho, em termos gerais, quanto o exterior esteja disponível para pagar pelo que lhes queremos vender. O que teremos de vender ao exterior dependerá da procura externa e do que queiramos comprar externamente.
A possibilidade de comprarmos externamente estará dependente do que estivermos dispostos a pagar pelos produtos exteriores e do que consigamos vender externamente.
São estas relações interdependências que determinarão a possibilidade de produzir internamente produtos que comprados ao exterior ficam mais caros.

A nova moeda desvaloriza de acordo com a necessidade de comprar externamente, e de saída de divisas, e do quanto quiserem pagar lá fora pelos nossos produtos tenhamos disponíveis para exportar e do que quiserem investir ou transferir em divisas para Portugal.
Portugal vai sair do euro a bem ou a mal. Ver comentário
Re: Portugal vai sair do euro a bem ou a mal. Ver comentário
Não se preocupe, Ver comentário
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LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL Ver comentário
Insolvência de empresas...
... aumenta 50% em Portugal

«,,,Os países analisados por este estudo da Euler Hermes representam 86% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, revela a empresa, para quem a desaceleração da economia mundial e as medidas orçamentais e monetárias tomadas não sugerem "nenhuma melhora" no curto prazo nas insolvências de empresas.
 
Segundo estes dados, a Europa é o principal responsável pela subida das insolvências. Portugal destaca-se com um aumento estimado de 50% em 2012, acima do crescimento de 19% registado o ano passado....»

Sapo / Lusa

"Estamos no bom caminho!..."
Quem mente?
Alguém nos anda a mentir. Ou o (des)governo. Ou a troika. Ou esta "gajada". OU TODOS...o que é o mais certo.
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