Porto, 02 Jan (Lusa) - A cidade do Porto amanheceu hoje sem efeitos visíveis da greve de dois dias dos trabalhadores da recolha do lixo, que terminou às 06:00, encontrando-se limpos a generalidade dos contentores e ecopontos, mesmo nas zonas consideradas mais degradadas da cidade.
Numa volta realizada por várias freguesias do Porto, incluindo alguns bairros sociais e a zona histórica, não foi encontrado nenhum contentor com excesso de lixo e, muito menos, lixo espalhado nas zonas em redor dos ecopontos.
A greve, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL, filiado na CGTP) em protesto contra a transferência dos trabalhadores para concessionárias privadas, começou às 12:30 de quarta-feira e terminou ao princípio da manhã de hoje.
A Lusa está a tentar desde o início da manhã obter, junto do sindicato que convocou a greve um balanço da paralisação mas tal não foi possível, até ao momento, por impossibilidade de contactar algum dos seus dirigentes.
Os reduzidos efeitos desta greve, constatados pela Lusa em vários pontos da cidade do Porto, foram confirmados por José Abraão, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP, filiado na UGT), que não aderiu à paralisação.
"Os dados que tenho indicam que a greve teve um significado reduzido", afirmou o sindicalista, questionando os motivos que estiveram na origem da convocação da paralisação.
Segundo José Abraão, "não há nenhuma privatização da recolha do lixo, mas uma concessão por oito anos, e os trabalhadores continuam a pertencer aos quadros da câmara".
O sindicalista acrescentou ainda que está assegurado o pagamento do suplemento de 150 euros mensais que os trabalhadores receavam que lhes fosse retirado.
"A greve assentou em questões extremamente duvidosas, não terá sido dita toda a verdade aos trabalhadores", frisou José Abraão.
Para o sindicalista, a situação mudou desde que o Governo alterou a lei do sector empresarial local.
"Com esta alteração, os trabalhadores fazem um acordo com a câmara e a concessionária, ninguém é obrigado a ir para as concessionárias privadas e qualquer trabalhador tem 30 dias para poder regressar ao lugar de origem", assegurou.
O dirigente do SINTAP criticou ainda a posição assumida pelo STAL, recordando que este sindicato já considerou "inevitável" a concessão dos serviços de recolha de lixo a empresas privadas.
"Eu ouvi dirigentes do STAL, em plenários que fiz na Câmara do Porto, que a concessão era inevitável. Então, se é inevitável, temos que ser consequentes", defendeu José Abraão.
FR.
Lusa/fim