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Porque os homens também choram

Já não acontece só às mulheres: os homens também são vítimas de violência doméstica. Num caso ou noutro, esta deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados. (Com vídeo)
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A vida de saltos altos - Porque os homens também choram

Quem me conhece sabe que sou acérrima defensora dos direitos do Homem e que me indigno sempre que leio ou vejo mais uma notícia sobre a violência dos homens contra as mulheres. No outro dia falava sobre isso com um amigo meu e prometi-lhe escrever sobre o outro lado do espelho, mostrando que eles também sofrem.

Se por uma lado é desprezível que, em pleno século XXI, as mulheres continuem a ser vítimas de violência doméstica, hediondo é também o facto de, cada vez mais, se assistir à violência da mulher contra o homem, muitas vezes - se não na maior parte delas - através da pressão psicológica, manipulação e intrépidos joguetes familiares.

Do alto da sua masculinidade, eles ainda têm vergonha em afirmar que são violentados, alvo de perseguição e que esta violência não se mede em equimoses, mas em nódoas negras emocionais, que ferem o corpo, mas sobretudo a alma. E quando existem filhos, estes servem de desculpa para uma violência que não é física mas é psicologicamente atroz.

Palavra de homem


Quis falar com alguém para que as palavras não fossem apenas estatística e com o João troquei sentimentos e desabafos de uma vítima no masculino. Divorciado, com 40 anos e pai de dois filhos, de 4 e 6 anos.

Do testemunho fica algum pudor e até vergonha em falar a verdade mas, acima de tudo, a força de quem leva a vida em frente e desabafa: "Uma mulher consegue levar um homem à loucura na pressão incansável que faz sobre a sua família, a sua mãe, os seus amigos, as suas ações mais inofensivas. Em maior ou menor escala, praticamente todas o fazem. A constante insatisfação de uma mulher face ao que considera ser o homem ideal, incinera autoestimas dos seus companheiros diariamente. E, naturalmente, pode levar a questões muito mais graves".

É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos


Apesar da revolta diz que sempre esteve na linha da frente, no que respeita à defesa das mulheres, mas cansado de viver com o inimigo desabafou: "Se mudares o género verás que o crime é o mesmo e existe na mesma proporção, só que tem menos estatística por duas simples razões: os homens ainda têm vergonha de o denunciar; os homens perdem em tribunal se a mulher disser que é tudo mentira. Pior, se uma mulher for colocada perante um juiz e disser que é vítima destes crimes, o homem é culpado até prova do contrário. Se for o homem a denunciar, a mulher é inocente até prova do contrário. Como vês a violência contra os homens também toma várias formas, tanto pode ser física, como psicológica, emocional, verbal, económica e sexual. O objectivo da pessoa que agride é sempre o de controlar a vítima, isolá-la, torná-la frágil e insegura. O agressor é frequentemente a mulher, a companheira ou a namorada, mas também pode ser a ex-mulher, a ex-companheira, ex-namorada, mãe, irmã e filha".

"A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias"


Perante este testemunho senti a obrigação de mostrá-lo aos homens, não para desculpá-los mas para lhes mostrar que a violência existe e que não devem temer denunciá-la, porque sempre que se calam tornam-se coniventes com uma situação inaceitável, quer seja no masculino quer no feminino. 

"É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos. Após a separação é uma prática criminosa hedionda e nojenta aceite como algo normal entre as mulheres. Nunca vi ou tive conhecimento de uma amiga que tentasse demover outra de privar o marido de ver os filhos após a separação. Pelo contrário. Que espécie de ser joga com o que de mais sagrado há para um progenitor? Desculpa o desabafo, mas cada vez tenho menos esperança de ver uma mulher a escrever sem medo sobre o que as mulheres são capazes de fazer (e fazem) aos homens dentro e fora das quatro paredes. Não desprezo e jamais desprezaria a violência contra mulheres. Desprezo sim as análises que continuam a dar o enfoque nessa tónica, simplesmente porque há menos dados públicos do contrário. A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias".

Tomei a liberdade de escrever. Não podia deixar um amigo silenciado na dor, se antes lhe tinha pedido para se colocar na linha da frente. A violência contra os homens existe, assim como contra as mulheres, como tal deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados.


Relembre a reportagem - Violência doméstica: Quando as vítimas são eles


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Cara Sofia, aproveitei a Clotilde ter saído para lhe escrever. Saiu com uma amiga e o tema da conversa foi este seu texto: … olha só a velhaca e o tal amigo deve ser dos “tais”… – foram as últimas palavras que escutei, até ao bater da porta.

E realmente, a Clotilde é a antítese dos seus exemplos: nunca, mas nunca mesmo, teve a maldade de me separar dos meus filhos – “vai-lhe mudar a fralda” – fui sempre eu. Nunca me tirou, nem uma só vez, esse prazer. E não só os filhos: a Alcachofra, uma cadelinha que ela tanto amava, era eu, de saquinho de plástico na mão que ia até à rua assisti-la nas necessidades fisiológicas.

Tenho um lar de paz e amor; às vezes pego no comando da televisão – pego por pegar – e a Clotilde preocupa-se logo: “não vais ver futebol… pois não?” E claro que não. Mil vezes prefiro os programas da Oprah ou do Dr. Oz, onde se discute o problema de gordos heterossexuais que ficaram gordos, porque foram engordados. Ou do Dr, Phil, em que a mãe tem um filho do filho da filha que é toxicodependente e o marido é amante da prima da sogra.

E é muito preocupada comigo; recomenda-me sempre para bater as almofadas do sofá para que não se saiba que durmo lá. Se não gostasse de mim, queria lá saber que os outros soubessem.

Não sei onde o seu amigo foi buscar a ideia que há mulheres “más” para os homens? Não sei se é ressabiado (aprendi esta palavra nos comentários do Expresso), mas o que ele é de certeza, é azarento: de nunca ter conhecido a minha Clotilde.
Cara Sofia, agora a sério…
Entendo a sua preocupação com a imparcialidade, mas a exposição do seu amigo não passa de um relato das relações humanas: desespero, medo ódio, despeito, vingança… violência… e assassinato. É aqui que reside a diferença: violência e assassinato.

Tudo pende para um lado, com raras excepções; na maioria dos casos por envenenamento, resultado de uma opressão psicológica semelhante à relatada pelo seu amigo.
 
A utilização dos filhos, como vingança ou chantagem “pertence” às mulheres, na medida em que a Justiça normalmente entrega as crianças à mãe. Mas quando a decisão é diferente, será que o homem não utiliza a mesma arma? Principalmente quando o Tribunal dá como provado um comportamento imoral; obviamente, por parte da mulher, porque ao homem a “coisa” é consentida.

O seu artigo fará abrir uma caixa de Pandora recheada de queixas, mas não dá para comparar o que não é comparável. Na realidade, se considerarmos os conflitos domésticos como um baralho de cartas, por mais que se baralhe, quando “sai” vítima, é sempre mulher.

Cumprimentos
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Existe, pois existe....
Toda e qualquer forma de violência, independetemente do género e orientação sexual tem de ser condenada.

É um facto que existe embora, no feminino, acabe por ter mais visibilidade talvez assente numa dada culturalidade mais masculina.

Exemplos há muitos, o que a Sofia nos trás é paradigmático, mas as "baterias" normalmente apontam noutra direcção.

No fundo, fica o porquê da violência? O que nos leva a isso?

De facto, a mente humana é uma "caixinha de surpresas" que continua a motivar a correria às Faculdades de Psicologia em busca de respostas...

...e não só.
Basta!!!
Ainda bem que este assunto começa a ser falado mais abertamente. E ainda bem que foi uma mulher a aborda-lo.

Infelizmente é muito difícil provar este tipo de violência. Quantas vezes não seria preferível ficar com uma marca. Sempre se podia mostrar. Assim... é só uma discussão. Coisa de casais... Depois passa... "Que exagero!", ouve-se. Mas a marca está lá!

E ainda se ouve a desculpa. Não dorme bem... as crianças estão sempre a gritar... são as hormonas... certo... há sempre uma desculpa...

E quando há crianças, mais se aguenta, porque nisto, a igualdade é escassa, sendo as mães estereotipaticamente vistas como o principal progenitor. O mais capaz... "porque é assim", ouve-se...

E vai-se aguentando, as insatisfações..., as faltas de paciência... as perguntas sem resposta. E ai de que se levante a voz! É logo um rio de lágrimas, insensibilidade masculina, etc. e tal.

Francamente, não há pachorra!!! Já é tempo das mulheres se retratarem!

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Edição Diária 17.Abr.2014

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