7
Anterior
A "caixinha da saúde" ou como ficar deslumbrante em cinco minutos
Seguinte
Que parvos que os precários são!
Página Inicial   >  Blogues  >  Blogues Life & Style  >  A vida de saltos altos  >   Porque os homens também choram

Porque os homens também choram

Já não acontece só às mulheres: os homens também são vítimas de violência doméstica. Num caso ou noutro, esta deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados. (Com vídeo)
|
A vida de saltos altos - Porque os homens também choram

Quem me conhece sabe que sou acérrima defensora dos direitos do Homem e que me indigno sempre que leio ou vejo mais uma notícia sobre a violência dos homens contra as mulheres. No outro dia falava sobre isso com um amigo meu e prometi-lhe escrever sobre o outro lado do espelho, mostrando que eles também sofrem.

Se por uma lado é desprezível que, em pleno século XXI, as mulheres continuem a ser vítimas de violência doméstica, hediondo é também o facto de, cada vez mais, se assistir à violência da mulher contra o homem, muitas vezes - se não na maior parte delas - através da pressão psicológica, manipulação e intrépidos joguetes familiares.

Do alto da sua masculinidade, eles ainda têm vergonha em afirmar que são violentados, alvo de perseguição e que esta violência não se mede em equimoses, mas em nódoas negras emocionais, que ferem o corpo, mas sobretudo a alma. E quando existem filhos, estes servem de desculpa para uma violência que não é física mas é psicologicamente atroz.

Palavra de homem


Quis falar com alguém para que as palavras não fossem apenas estatística e com o João troquei sentimentos e desabafos de uma vítima no masculino. Divorciado, com 40 anos e pai de dois filhos, de 4 e 6 anos.

Do testemunho fica algum pudor e até vergonha em falar a verdade mas, acima de tudo, a força de quem leva a vida em frente e desabafa: "Uma mulher consegue levar um homem à loucura na pressão incansável que faz sobre a sua família, a sua mãe, os seus amigos, as suas ações mais inofensivas. Em maior ou menor escala, praticamente todas o fazem. A constante insatisfação de uma mulher face ao que considera ser o homem ideal, incinera autoestimas dos seus companheiros diariamente. E, naturalmente, pode levar a questões muito mais graves".

É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos


Apesar da revolta diz que sempre esteve na linha da frente, no que respeita à defesa das mulheres, mas cansado de viver com o inimigo desabafou: "Se mudares o género verás que o crime é o mesmo e existe na mesma proporção, só que tem menos estatística por duas simples razões: os homens ainda têm vergonha de o denunciar; os homens perdem em tribunal se a mulher disser que é tudo mentira. Pior, se uma mulher for colocada perante um juiz e disser que é vítima destes crimes, o homem é culpado até prova do contrário. Se for o homem a denunciar, a mulher é inocente até prova do contrário. Como vês a violência contra os homens também toma várias formas, tanto pode ser física, como psicológica, emocional, verbal, económica e sexual. O objectivo da pessoa que agride é sempre o de controlar a vítima, isolá-la, torná-la frágil e insegura. O agressor é frequentemente a mulher, a companheira ou a namorada, mas também pode ser a ex-mulher, a ex-companheira, ex-namorada, mãe, irmã e filha".

"A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias"


Perante este testemunho senti a obrigação de mostrá-lo aos homens, não para desculpá-los mas para lhes mostrar que a violência existe e que não devem temer denunciá-la, porque sempre que se calam tornam-se coniventes com uma situação inaceitável, quer seja no masculino quer no feminino. 

"É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos. Após a separação é uma prática criminosa hedionda e nojenta aceite como algo normal entre as mulheres. Nunca vi ou tive conhecimento de uma amiga que tentasse demover outra de privar o marido de ver os filhos após a separação. Pelo contrário. Que espécie de ser joga com o que de mais sagrado há para um progenitor? Desculpa o desabafo, mas cada vez tenho menos esperança de ver uma mulher a escrever sem medo sobre o que as mulheres são capazes de fazer (e fazem) aos homens dentro e fora das quatro paredes. Não desprezo e jamais desprezaria a violência contra mulheres. Desprezo sim as análises que continuam a dar o enfoque nessa tónica, simplesmente porque há menos dados públicos do contrário. A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias".

Tomei a liberdade de escrever. Não podia deixar um amigo silenciado na dor, se antes lhe tinha pedido para se colocar na linha da frente. A violência contra os homens existe, assim como contra as mulheres, como tal deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados.


Relembre a reportagem - Violência doméstica: Quando as vítimas são eles


A Vida de Saltos Altos no Facebook

A Vida de Saltos Altos também está presente no Facebook. Na página desta popular rede social qualquer um pode ser amigo deste blogue. Clique para visitar.



A Vida de Saltos Altos no Twitter

A Vida de Saltos Altos é presença assídua no Twitter, onde estão todos os posts deste blogue. Junte-se às pessoas que aí nos seguem. Clique para visitar.




Opinião


Multimédia

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.

Com Deus na alma e o diabo no corpo

Quem os vê de fora pode pensar que estão possuídos. Eles preferem sublinhar o lado espiritual e terapêutico desta dança - chamam-lhe "krump" e nasceu nos bairros pobres dos Estados Unidos. De Los Angeles para Chelas, em Lisboa, já ajudou a tirar jovens do crime. Ligue o som bem alto e entre com o Expresso no bairro. E faça o teste: veja se consegue ficar quieto.

O Cabo da Roca depois da tragédia que matou casal polaco

Os turistas portugueses e estrangeiros que visitam o Cabo da Roca, em Sintra, continuam a desafiar a vida nas falésias, mesmo depois da tragédia que resultou na morte de um casal polaco, cujos filhos menores estavam também no local. Durante a visita do Expresso, um segurança tentou alertar os turistas para o perigo e refere a morte do casal polaco. O apelo não teve grande efeito. Veja as imagens.

Ó Capitão! meu Capitão! ergue-te e ouve os sinos

Ele foi a nossa ama... desajeitada. Ele foi o professor que nos inspirou no liceu. Ele trouxe alegria, mesmo nas alturas mais difíceis. Ele indicou-nos o caminho na faculdade. Ele ensinou-nos a manter a postura, mas também a quebrar preconceitos. Ele ensinou-nos que a vida é para ser aproveitada a cada instante. Ó capitão, meu capitão, crescemos contigo e vamos ter de envelhecer sem ti. 

Crumble. A sobremesa mais fácil do mundo

Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida, especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Voámos num F-16

Um piloto da Força Aérea voou com uma câmara GoPro do Expresso e temos imagens inéditas e exclusivas para lhe mostrar num trabalho multimédia.

Salada de salmão com sorvete de manga

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Por faróis nunca dantes navegados

São a salvaguarda dos navegantes, a luz que tranquiliza o mar. Há 48 faróis em Portugal continental e nas ilhas. Este é um acontecimento único: todos os faróis e 1830 km de costa disponíveis num mesmo trabalho. Para entendê-los e vê-los, basta navegar neste artigo.

Parecem casulos onde gente hiberna à espera de ver terra

No Porto de Manaus não há barcos, mas autocarros bíblicos que caminham sobre água. Têm vários andares e estão cheios de camas de rede que parecem casulos onde homens, mulheres e crianças aguardam o destino. E há gente a vender o que houver e tiver de ser junto ao Porto. "Como há Copa, tem por aí muito gringo que vem ter com 'nóis'. E então fica mais fácil vender"

O adeus de Lobo Antunes às aulas de medicina

O neurocirurgião deu terça-feira a sua "Última Lição" no auditório do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na véspera de deixar o seu trabalho no serviço nacional de saúde.

Jaguar volta a fabricar desportivo dos anos 60

Até ao verão será fabricado um número limitado de desportivos Jaguar E-Type Lightweight, seguindo todas as especificações originais, incluindo a continuação do número de série das unidades produzidas em 1963.

"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

Mais do que uma manifestação, o 'primeiro' 1º de Maio é recordado como a grande festa da Revolução dos Cravos, quando o povo saiu às ruas em massa e a união das esquerdas era um sonho possível. "O 1º de Maio seria mais uma primeira coisa, porque naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas." Foi há 40 anos.


Comentários 7 Comentar
ordenar por:
mais votados
A Clotilde não merecia
Cara Sofia, aproveitei a Clotilde ter saído para lhe escrever. Saiu com uma amiga e o tema da conversa foi este seu texto: … olha só a velhaca e o tal amigo deve ser dos “tais”… – foram as últimas palavras que escutei, até ao bater da porta.

E realmente, a Clotilde é a antítese dos seus exemplos: nunca, mas nunca mesmo, teve a maldade de me separar dos meus filhos – “vai-lhe mudar a fralda” – fui sempre eu. Nunca me tirou, nem uma só vez, esse prazer. E não só os filhos: a Alcachofra, uma cadelinha que ela tanto amava, era eu, de saquinho de plástico na mão que ia até à rua assisti-la nas necessidades fisiológicas.

Tenho um lar de paz e amor; às vezes pego no comando da televisão – pego por pegar – e a Clotilde preocupa-se logo: “não vais ver futebol… pois não?” E claro que não. Mil vezes prefiro os programas da Oprah ou do Dr. Oz, onde se discute o problema de gordos heterossexuais que ficaram gordos, porque foram engordados. Ou do Dr, Phil, em que a mãe tem um filho do filho da filha que é toxicodependente e o marido é amante da prima da sogra.

E é muito preocupada comigo; recomenda-me sempre para bater as almofadas do sofá para que não se saiba que durmo lá. Se não gostasse de mim, queria lá saber que os outros soubessem.

Não sei onde o seu amigo foi buscar a ideia que há mulheres “más” para os homens? Não sei se é ressabiado (aprendi esta palavra nos comentários do Expresso), mas o que ele é de certeza, é azarento: de nunca ter conhecido a minha Clotilde.
Cara Sofia, agora a sério…
Entendo a sua preocupação com a imparcialidade, mas a exposição do seu amigo não passa de um relato das relações humanas: desespero, medo ódio, despeito, vingança… violência… e assassinato. É aqui que reside a diferença: violência e assassinato.

Tudo pende para um lado, com raras excepções; na maioria dos casos por envenenamento, resultado de uma opressão psicológica semelhante à relatada pelo seu amigo.
 
A utilização dos filhos, como vingança ou chantagem “pertence” às mulheres, na medida em que a Justiça normalmente entrega as crianças à mãe. Mas quando a decisão é diferente, será que o homem não utiliza a mesma arma? Principalmente quando o Tribunal dá como provado um comportamento imoral; obviamente, por parte da mulher, porque ao homem a “coisa” é consentida.

O seu artigo fará abrir uma caixa de Pandora recheada de queixas, mas não dá para comparar o que não é comparável. Na realidade, se considerarmos os conflitos domésticos como um baralho de cartas, por mais que se baralhe, quando “sai” vítima, é sempre mulher.

Cumprimentos
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Re: Cara Sofia, agora a sério…
Existe, pois existe....
Toda e qualquer forma de violência, independetemente do género e orientação sexual tem de ser condenada.

É um facto que existe embora, no feminino, acabe por ter mais visibilidade talvez assente numa dada culturalidade mais masculina.

Exemplos há muitos, o que a Sofia nos trás é paradigmático, mas as "baterias" normalmente apontam noutra direcção.

No fundo, fica o porquê da violência? O que nos leva a isso?

De facto, a mente humana é uma "caixinha de surpresas" que continua a motivar a correria às Faculdades de Psicologia em busca de respostas...

...e não só.
Basta!!!
Ainda bem que este assunto começa a ser falado mais abertamente. E ainda bem que foi uma mulher a aborda-lo.

Infelizmente é muito difícil provar este tipo de violência. Quantas vezes não seria preferível ficar com uma marca. Sempre se podia mostrar. Assim... é só uma discussão. Coisa de casais... Depois passa... "Que exagero!", ouve-se. Mas a marca está lá!

E ainda se ouve a desculpa. Não dorme bem... as crianças estão sempre a gritar... são as hormonas... certo... há sempre uma desculpa...

E quando há crianças, mais se aguenta, porque nisto, a igualdade é escassa, sendo as mães estereotipaticamente vistas como o principal progenitor. O mais capaz... "porque é assim", ouve-se...

E vai-se aguentando, as insatisfações..., as faltas de paciência... as perguntas sem resposta. E ai de que se levante a voz! É logo um rio de lágrimas, insensibilidade masculina, etc. e tal.

Francamente, não há pachorra!!! Já é tempo das mulheres se retratarem!

Comentários 7 Comentar

Últimas


Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador
PUBLICIDADE

Pub