19 de abril de 2014 às 21:35
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Porque é que o IV Reich de Merkel diz não aos eurobonds?

Paulo Gaião

Angela Merkel diz que só por cima do seu cadáver haverá eurobonds e união de dívidas na Europa. Como um risco profundo marcado a vermelho na fronteira alemã. É o IV Reich de Merkel. Os eurobonds até parecem uma nova linha Siegfried, fortaleza económica e não de guerra. Que razões estão por detrás desta intransigência? O SPD no governo faria diferente? Talvez não fizesse.   

O sociólogo Michel Foucault nas lições que deu em Paris em 1979, publicadas no livro Nascimento da Biopolítica (edições 70) e hoje  muito atuais escreve o seguinte: Depois de Hitler, "a história tinha dito não ao Estado alemão. Mas é agora a economia que lhe vai permitir afirmar-se. O crescimento económico contínuo vai render uma história desfalecida.

A ruptura da história vai então poder ser vivida e aceite como ruptura de memória, na medida em que se vai instaurar na Alemanha uma nova dimensão da temporalidade que já não será a da história, mas sim a do crescimento económico.

Inversão do eixo do tempo, permissão do esquecimento, crescimento económico: penso que tudo isto é a essência de como funciona o sistema económico-político alemão. A liberdade económica co-produzida pelo crescimento do bem-estar, do estado e do esquecimento da história."

Foucault conclui: "na Alemanha contemporânea, a economia, o desenvolvimento económico, o crescimento económico produzem soberania, produzem a soberania política pela instituição e pelo jogo institucional que faz precisamente funcionar essa economia.

A economia produz legitimidade para o estado, que é o seu garante. Por outras palavras, a economia é criadora de direito público".

Curiosamente, tal como lembra Foucault, a perda de soberania alemã é hoje um dos mais fortes argumentos para Merkel rejeitar os eurobonds.  

O crescimento económico alemão é, assim, a base em que assenta há décadas o novo conceito de soberania alemã. Os alemães também se terão convencido que é ele o antidoto que os ajudou  a viver com a memória do que foi o nazismo e ao mesmo tempo evitou até hoje  o nascimento de novos demónios. Por exemplo, através da subida eleitoral significativa da extrema-direita alemã.        

A questão é saber se o IV Reich de Merkel e de todo o pós-guerra alemão não terá de ruir inevitavelmente por causa do problema gigantesco da dívida europeia. Quer Merkel queira, quer Merkel não queira. Afinal, a Linha Siegfried, que se julgava inexpugnável, também ruiu.

Depois deverá chegar um novo mundo ao Velho Continente. Para os mais optimistas, ficar com um pouco do rigor e disciplina alemã pode ser uma grande vantagem. Para além de ajudar a fazer algumas reformas estruturais que nem a troika consegue fazer.

Para os mais pessimistas, pode ser o início do V Reich, pacífico (até ver) mas hegemónico. Não há almoços grátis. Após abdicar da sua soberania de décadas, assente no êxito económico, cedendo à "união de dívidas" europeia ou da "união de partes da dívida" , que é mais realista, a Alemanha vai querer substituir esta perda com um novo conceito estratégico de soberania. Obtido à custa da cedência de soberania dos outros paises europeus, sobretudo periféricos. É o regresso da Alemanha à política... expansionista.        

Comentários 40 Comentar
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Culpas
Desenvolve o autor uma diatribe anti alemã, que, na ânsia de ser anti-nazi, se assemelha uma campanha digna de Goebbels.
Associa o desenvolvimento à necessidade de esquecer maus tempos passados, como se não houvesse períodos vergonhosos em todos os países. Estará a Rússia condenada a chorar , durante séculos, as atrocidades do lenilismo/estalinismo??
Ou a França a lastimar as barbaridades imensas de Napoleão, herói nacional com panteão ?? E a China, a respeito de Ma??

Não se percebe o que esta gente quer, que tipo de obrigação atribuem à Alemanha de pagar mais juros pelos seus empréstimos, para que nós paguemos menos. É o que iria acontecer com os Eurobonds. A que propósito se exige que um Estado assuma despesa, para benefício de outro Estado ??

O que cada Estado tem a fazer é viver com os seus recursos e conquistar o desenvolvimento pelo trabalho e pelo engenho, não parasitando o vizinho.
que pena não ter pontos Ver comentário
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Não há almoços grátis
Nem no IV Reich, nem no III, II e I.
Nem houve almoços grátis em Portugal, quando os Republicanos prometiam o Bacalhau a pataco. Nem sequer haveria no V império, se este algum dia existisse!
Nem sequer houve na União Europeia, apesar de, em Portugal, certos descendentes de Afonso Costa, os terem prometido.

O futuro de Portugal e da Europa é aquele que premonitoriamente Salazar aplicou em Portugal há 80 anos atrás - TRABALHO, muito trabalho e poupar nos anos bons para aguentar os anos maus. E o orçamento sempre e sempre equilibrado!

Não há outra saída. E quem disser o contrário MENTE!
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É muito simples:
a Alemanha não quer os Eurobonds porque isso apenas iria aumentar o custo do seu financiamento, não trazendo nenhum tipo de vantagem efectiva à economia alemã! Se todos os países se começassem a financiar pela mesma taxa de juro, imaginem qual essa taxa seria: bem pior, certamente, do que a que a Alemanha sozinha hoje paga. Isto porque o risco de um dos PIGS (por exemplo) não cumprir os seus compromissos, é bem maior do que a Alemanha não o fazer.
Agora vejam bem: qual o motivo que levaria a Merkl a querer pôr a cabeça no cepo? Apenas por solidariedade para com países que nunca se souberam governar?
Cartilha europeia
Não tarda, se for feita a vontade à Angela, a capital é em Berlim e a cartilha europeia passa a ser o Mein Kampft.
O que são os eurobonds
O cronista tem um amigo que não paga as dividas. Ele e o amigo pedem dinheiro emprestado em nome dos dois, o crédito é concedido aos dois. O cronista fica responsável pela dívida do amigo o qual continua a não querer pagar as suas dividas.
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Eurobonds
Muita gente quer os eurobonds, o que significaria maior controlo dos ataques especulativos e financiamento mais barato para os chamados países em dificuldades(qualquer partido da oposição atualmente defende isso...é moda)...
  Eu também defendo e existência de "eurobonds", mas apenas quando.... os orçamentos, a lei e os tribunais, a regulação, a administração pública, as PPP´s, as empresas municipais, os concursos públicos, as avaliações de desempenho, o ordenamento do território, a segurança, ...enfim praticamente tudo que envolva dinheiro público... dependa diretamente duma Merkel qualquer...
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A UE,
como existe faz tanto sentido como colocar uma hiena e um cordeiro na mesma sala e esperar que a hiena não devore o cordeiro.
Eu gostava de comentar com assertividade
Mas não o vou fazer, noto aqui um certo ar politico o que tolda o raciocinio puro.

Não podem continuar com ideias económicas baseadas em esquerda ou direita, nem Merkle e Hollande, para resolver este assunto só pensando e acho que todos temos essa faculdade.

Quando o diálogo melhorar e for limpo de idealismos estarei aqui para dar a minha opinião.

Cumprimentos a todas e todos.
IV Reich, V Reich, V Império ...
Só disparates!
Muito bem!!
Este artigo é a razão pela qual à séculos (tirando no período da ditadura) que Portugal NÃO TEM QUALQUER PESO e só tem é que comer e calar dos outros. Houvesse um crescimento sólido e estável, seríamos como a Holanda ou Dinamarca ou Luxemburgo, etc...

Toma e embrulha!
POR QUE RAZÃO A ALEMANHA NÃO QUER EUROBONDS?
Mas alguém empresta dinheiro sem ter a certeza que tem a garantia que lhe pagam. A Alemanha já disse que n é contra os eurobonds, desde que esteja a UE com regra e mais alguns tratados que obriguem todo o país a responsabilizar-se pela divida que pratica, ora n é isso q acontecia se fossem hoje criar EUROBONDS. Se mesmo com esta exigência há por aí muito gente PARASITA que diz n pagamos, pensem só se n houvesse garantias algumas. O que o autor devia perguntar era, pq motivo os PIIGS do SUL nunca lhe sobra dinheiro para poupar a fim de terem quando há CRISE? Era isto que deviam perguntar os : TO ZÉS, os LOMBRIGAS ou os estalinistas. Toda a teoria desta gente de ESQUERDA e PS , assenta no PARASITISMO dado que são na maioria profissionais da política ou funcionários públicos. Quando um dia Portugal viver com os seus recurso e souber poupar alguma coisa , para se defender das crises como fazem os países do NORTE da Europa, deixa de haver estas crises.
É o regresso da Alemanha à política...
É que mal há nisso?
A Alemanha já anda a tentar conquistar a Europa desde as invasões bárbaras e só não ganhou as duas últimas guerras mundiais porque a pieguinhas Inglaterra foi fazer queixinhas ao tio Sam!
A Alemanha actual já se curou inteiramente da esquizofrenia nazi, está reunificada e tem uma forte matriz social democrata!
Tal como está desenhada esta Europa não pode ser gerida federativamente por um governo central democraticamente eleito por ir contra arcaicos nacionalismos. Então só pode subsistir liderada por um pais de economia forte que só pode ser a Alemanha já que a França é a fantasia romântica das utopias pós revolucionarias e a Inglaterra a aristocracia dum império colonial falido! Então, o IV Reich não será de Merkel nem da Alemanha mas da Europa porque neste tipo de processos “transforma-se o amador na cousa amada”!

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