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Por um liberalismo conservador

8:00 Sexta feira, 18 de novembro de 2011

I. Como deve ser a economia de uma sociedade justa? Bom, a resposta passa necessariamente por aquele ambiente cosmopolita que é normalmente identificado através da sua alcunha: o mercado. Porém, este ensaio não procura fazer a enésima defesa da superioridade do mercado. Ao invés, este ensaio tenta reinvocar elementos da tradição liberal que estão a montante do mercado. No fundo, desenvolvemos aqui um argumento político e social, flanqueando assim o economês reinante no espaço público. E esse argumento mui clássico é o seguinte: sem um Estado de Direito forte e sem um conjunto robusto de "corpos intermédios", o mercado não é eficaz e, por arrastamento, não é possível criar uma sociedade justa.

II. A economia de uma sociedade justa precisa de confiança. Sim, confiança. Esta variável qualitativa não tem uma forma quantitativa (não se mede em gráficos e tabelas), mas é de suprema importância. Nós sabemos - desde Adam Smith - que a confiança é o eixo orgânico das trocas comerciais. Ora, sucede que esta confiança não é um factor económico. Ou seja, nós não geramos confiança através de ferramentas económicas. A confiança é gerada através de factores institucionais (Estado de Direito) e sociais ("corpos intermédios").

III. Vale a pena reafirmar a evidência civilizacional: sem um Estado de Direito célere e forte, o mercado não funciona. Não é possível manter uma economia de mercado saudável sem aquele ambiente de previsibilidade garantido pela lei e pelos tribunais.  O mercado é orgânico, sim senhora, mas assenta em contratos legais muito mecânicos. Por outras palavras, sem a mecânica do Estado de Direito, a natureza orgânica do mercado não funciona (quem pensar o contrário é um optimista antropológico sem emenda). E parece-nos que, nas últimas décadas, alguma euforia liberal (ex.: a ideia do mundo plano e sem fronteiras) negligenciou esta dimensão política e legal da economia.

IV. Neste momento, a ausência de um Estado de Direito na China é um dos factores que gera desconfiança entre Washington e Pequim (ex.: a questão dos direitos de autor, sempre desrespeitados pelos chineses). Não por acaso, os intelectuais indianos gostam sempre de colocar em cima da mesa a seguinte narrativa: "Índia (Estado de Direito) versus China (regime autoritário sem Estado de Direito)". E, de facto, podemos aceitar - sem grande controvérsia - a ideia de que a Índia, apesar de ser mais proteccionista, é mais previsível a longo prazo do que a China. Um contrato vale mais na Índia do que na China.

V. Mas não é preciso ir até à Índia para compreendermos a importância do Estado de Direito. Basta olhar aqui para Portugal. Como se sabe, Portugal atravessa uma crise há mais de uma década. Em Lisboa, existe um enorme debate em torno das soluções para a crise. Maior ou menor flexibilidade laboral? Maior ou menor intervenção do Estado? Ora, todas estas discussões económicas são interessantes, mas estão situadas a jusante. A montante, a economia portuguesa tem um problema de fundo: a morosidade da justiça. Em Portugal, um empresário leva - em média - 1600 dias para reaver uma dívida pela via legal. Isto quer dizer que - na prática - a sociedade portuguesa não respeita o primado do contrato. Como é óbvio, este facto afugenta investidores e empresários. Quem é que quer investir numa sociedade que leva quase cinco anos a desbloquear uma dívida? Em consequência, o investimento directo estrangeiro representa apenas 2,4% do PIB português (na Bélgica é de 12,5%). A par da desconfiança (aceitar um cliente novo pode significar dívidas, e não lucro), esta morosidade judicial cria uma imensa injustiça, digamos, social: se uma grande empresa tem a estrutura para suportar vários calotes, uma pequena empresa já não tem essa resistência. Moral da história: sem um Estado de Direito eficaz, nem um ressuscitado Adam Smith conseguiria reerguer a economia portuguesa.

VI. A par do Estado de Direito, outro factor é fundamental para a criação da confiança: um conjunto forte e alargado de "corpos intermédios". Recordando Tocqueville, convém dizer que o Estado moderno e burocrático não é apenas uma ameaça para o indivíduo per se. O Estado também é uma ameaça para os "corpos intermédios" da sociedade, a saber: as igrejas, as associações, as misericórdias, as escolas, as universidades, os clubes, os laços de vizinhança, etc., etc. Esta rede de relações orgânicas é a base do chamado capital social. E este capital social é a argamassa cívica que une os indivíduos, isto é, a tal confiança. Neste sentido, vale a pena reinvocar um argumento clássico que está mais ou menos esquecido: a religiosidade dos americanos é um dos factores que sustenta - há séculos - a economia dos EUA. Ao frequentarem constantemente as igrejas das suas comunidades, os americanos criam laços de confiança, que, depois, são úteis nas relações económicas. Pode parecer estranho, mas os laços paroquiais são tão ou mais importantes do que a bolsa de valores na formação de uma economia justa.

VII. Em resumo, este ensaio defende que a economia de uma sociedade justa deve assentar num liberalismo conservador. Sim, com certeza, o mercado é a melhor forma de criar riqueza, mas o dito mercado tem de actuar num cenário marcado pelo rigor institucional e pela pluralidade orgânica dos corpos intermédios. Sem um Estado de Direito forte e sem comunidades interligadas por capital social (e religioso), o mercado nunca será eficaz. Por outras palavras, não podemos esquecer que a tradição liberal nasceu em debates religiosos e políticos, e não em debates estritamente económicos.

 

Em estereo com o think tank brasileiro "Ordem Livre". 

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Falácias de São Raposo
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 11:36 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
1 - A tradição liberal nasceu em debates religiosos e políticos? Sério?

Antes de mais, que "tradição liberal"? A tradição liberal social, axiológica e política ou a tradição liberal económica? Ah, pois é!

Em segundo lugar, a tradição liberal nasceu em debates religiosos e políticos mas quem é que assumia as posições liberais e quem é que assumia as posições conservadoras e retrógradas? Ah, pois é!

2 - O Estado de Direito é importante para garantir a estabilidade dos agentes económicos? Sem dúvida. Mas, pelos vistos, São Raposo só fala da estabilidade necessária para certos agentes económicos, pois enquanto São Raposo reza ao divino Estado de Direito para garantir estabilidade às empresas, também reza ao Estado de Direito para que liberalize as relações laborais.

Dito de outra forma: São Raposo pede ao Estado de Direito que dê condições de estabilidade às empresas mas acha que esse mesmo Estado de Direito deve gerar instabilidade nas relações de trabalho.

Fantástico, não é?

3 - A falácia mais curiosa de todas é a tentativa que São Raposo faz da associação entre a prática religiosa e os resultados económicos. Bem, São Raposo está a esquecer-se que, tal como nos EUA, as pessoas sempre frequentaram a missinha em Portugal. Até frequentavam assiduamente a missa nos tempos de Salazar e, como se viu, o crescimento económico foi espantoso. Tal como na Idade Média.

No Congo as pessoas não vão à missa?
 
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moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:17 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 21:40 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Nuno de Santarém (seguir utilizador), 1 ponto , 17:08 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 21:36 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
userEX79228 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:49 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 11:31 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
userEX79228 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:28 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:43 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
userEX79228 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:46 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:58 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 23:57 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
ah_sim_compreendo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:28 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 21:38 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Re: Falácias de São Raposo    Ver comentário
Raposo7 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:40 | Sábado, 19 de novembro de 2011
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Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 11:32 | Sábado, 19 de novembro de 2011
Políticas
moncarapacho (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 8:58 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
O que aqui é chamado liberalismo conservador, é o salve-se quem puder, com algumas normas,para não ser a lei da selva.

Os idiotas, descapacitados,deficientes, doentes etc são gente que está a mais e que se desenrrasquem.
Os saudáveis ,espertos, ambiciosos dedicam-se a fazer negócios onde possam ganhar muito dinheiro, para comprar muitas casas, muitos automóveis,etc : Esse é o grande ideal do chamado liberalismo conservador.
Ausência total de humanismo, solidariedade, preocupação com os necessitados, nulo interesse pela arte e cultura a não ser para fazer negócio com quadros,discos,livros, tudo está subjugado ao grande objectivo : ganhar dinheiro

Os serviços públicos que lhes interessam são os que não empatem os negócios : Tribunais rápidos para diferendos (é-lhes indiferente o papel social da justiça)

Pobre objectivo de uma vida passada a ver tudo pelo prisma do dolar (um fato de 800 dólares,uns sapatos de 150 dólares) indiferente à beleza ou qualidade dos artefactos.

Pobres ignorantes..........
 
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FJMFerreira (seguir utilizador), 1 ponto , 16:22 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
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moncarapacho (seguir utilizador), 3 pontos , 17:11 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
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FJMFerreira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:42 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
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Raposo7 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:53 | Sábado, 19 de novembro de 2011
Não há mais espaço para gente séria!
Runaldinho (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 9:12 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
"Vale a pena reafirmar a evidência civilizacional: sem um Estado de Direito célere e forte, o mercado não funciona."

Tudo isso está muito certo!
O problema é que o Estado de Direito que deve reger as regras sociais e económicas de um País não funciona. Por sua vez as que regem os interesses do Estados membros da CEE, que se devem basear no respeito do Estado de Direito, também não funcionam
As relações bilaterais, assentes no Estado de Direito, que deviam reger a economia mundial, do G20, ás relações Europa // Ásia, também nunca funcionaram.
A globalização dos mercados, foi assente na exploração da mão de obra barata, na descapitalização do mundo ocidental, sem se garantir o respeito pelo Estado de Direito.
Ora, é necessário por cobro a esses atropelos constantes ao Estado de Direito.
Mas como você sabe bem, os mercados estão-se marimbando para o Estado de Direito até ao dia que o tiro lhes sair pela culatra.
Como dizia em tempos um amigo:
Já não há mais espaço para gente séria!
 
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A politica em 1º.Depois a economia
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:01 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Quando as posições se invertem, isso significa que os politicos eleitos falharam.Por incompetência,por corrupção e não cumprindo os objectivos da Democracia.
Perde o Povo,a história não anda para a frente e o futuro fica cheio de incertezas.
Mas o caminho srá sempre reencontrado,na cooperação entre os Povos, na globalização crescente e acompanhando os ventos da esperança,do desenvolvimento e da paz.
 
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Re: Por um liberalismo conservador
juxpot (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 9:24 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Ensaio? Então mas o nosso resplandescente Fox descobriu agora uma vocação para jogador do Raguebi, ou quê?

Eu faria um apelo generalizado à compreensão: a condição juvenil exponencia a irreverência, o ser 'do contra' é paradoxalmente um meio de afirmação na adolescência.

Um dia, quando entrar na vida adulta (o processo pode ser longo, advirto) é o nosso Ricky Raposo quem se vai rir dele próprio e das baboseiras 'liberais' que escrivinhava na altura da mocidade.

Estes escritos liberais, no fundo, têm a relevância que os bilhetinhos de amor que trocávamos com as miúdas em plena sala de aula do secundário.

 
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Por um liberalismo conservador
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:50 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
A Humanidade na sua caminhada sobre o Planeta tem tentado adaptar-se às circunstâncias do momento, mas ainda não encontrou a resolução dos seus problemas. Diversas têm sido as tentativas e desde submeter os animais à sua vontade e interesse domesticando-os, passando pela religião, escravatura, do capitalismo ao comunismo, com variantes mais ou menos radicais ou liberais, podemos dizer que depois destes milhões de anos, o ser humano inteletualmente ainda se encontra na copa das árvores, ou no mínimo a por-se de pé e dar os primeiros passos.

http://www.youtube.com/wa...

http://www.youtube.com/wa...
 
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Re: Por um liberalismo conservador
ContraCorrente (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:27 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Estas crónicas (da carochinha) e o cronista cada vez mais fazem lembrar a raposa de Aquilino: a Salta Pocinhas. São crónicas a destempo e sem modo(s).
Aliás, o cronista deve saber do que fala: as grandes empresas, os grandes investidores, ponderam previamente se nos países onde vão investir há estado de Direito e, por via disso, é que deslocalizam os seus investimentos para países como o Vietnam, Paquistão e quejandos, ou seja estados onde o Estado (sem) de Direito(s) está ampla e plenamente implantado.
Mais uma falácia que por força de ser insistentemente repetida visa tornar-se uma verdade insofismável.
Mutatis mutandis, para a religiosidade: basta ver o que ela faz à economia dos países mulçumanos que, por força de os seus cidadãos frequentarem constantemente as suas mesquitas são os países mais pujantes em termos económicos!!!!
 
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Até parece um pilar de sabedoria, mas o arauto
Rio Grande (seguir utilizador), 2 pontos , 12:13 | Sábado, 19 de novembro de 2011
aqui do Expresso, nesse seu comentário, é mais um defesa deslavada de um cotidiano já bem conhecido, que é o capital. Pensa o articulista, de modo totalmente errado, ou convencido por uma boa bolsa de dinheiros, que mercado e/ou capital tem o poder, por exemplo, de nos remeter à sabedoria. Ou que nos leve ao Humanismo. Ou que é a busca da excelência. Ou mesmo, quem sabe, da moderação, do amor à liberdade. Esquece o articulista, quando escreve esse amontoado de bobagens, que mercado e capital, é um nada sem o trabalho, Que, o trabalho, deveria estar no primeiro patamar de proteção do Estado. As lições que temos deste nosso tempo, nos obrigam a saber o que as coisas realmente são, não tão só o que parecem ser. O articulista, com sua ladainha, vive para o que parece ser, acreditando que a verdade ali está. Desperdiça tempo ensinando o lado errado da lição. Sem se esconder, dá potencial para os gestores da ganância, falando num liberalismo conservador. Se o problema é a inversão de valores, quando a produção e o trabalho, perdem terreno para este novo deus, o capital, que diabo de conversa é essa de liberalismo conservador? Acredito que seja necessário mudar a arquitetura desta existência, colocando o capital e os capitalistas no seu devido lugar. A vida é breve e frágil e o tempo é valioso para ser desperdiçado com tanta falta de visão, quando se quer elogiar o vilão, parecendo um servo desinteressado. Ademais, o capital é um comedor de ovelhas. Rio Grande
 
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Investir? Sempre!
Maxx (seguir utilizador), 1 ponto , 10:00 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
"Quem é que quer investir numa sociedade que leva quase cinco anos a desbloquear uma dívida?" - Muita gente. Enquanto essa dívida perdurar, é como uma obrigação moral do devedor manter feliz o investidor, ou seja, o investidor come-lhe a mulher, a filha boa, fica-lhe com o belo automóvel, mete o puto a trabalhar para ele como escravo, e ainda cobra pelas demoras... o Henrique não me diga que não sabia que este País é assim por estar cheio de agoitas????
 
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CONTRADIÇÕES
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 12:27 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Henrique Raposo, passa o ano a barafustar contra o Estado, e, repentinamaente, desmente-se a si próprio e a todos os seus amiguinhos ideológicos que por aqui campeiam.
Então, o grande Mercado, senhor unipotente, mais do que o próprio deus invocado por ele mesmo no Artigo, exige um Estado, forte e de Direito?
Mas qual Estado?
É que ele chama de Estado de Direito ao Americano, p. ex., onde um Contrato entre Empresas é altamente validado pelo aval da Justiça, do Estado, a mesma que nunca dá razão a um trabalhador em caso de despedimento, a não ser que tenha campanha publicitária e solidária no Poder dos Média, que por aquelas bandas é bem poderoso; e, considera nulo, o Estado de Direito na China, outro exemplo, onde um Contrato pode ser anulado, quando eles entendem que lesa o Estado ou a Nação chinesa?

Coitado do Adam Smith!, que nunca passou de um pretendente a doutrinador do mercado burguês moderno. Que nem explicar a origem do mesmo foi capaz.
Por isso, é que isto anda mal...!
 
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Quem tem medo da liberdade?
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 14:00 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Discordo do adjectivo "conservador".

Tenho para mim que o liberalismo é verdadeiramente revolucionário, tanto hoje como há 200 anos.

A ideia de que uma sociedade se pode organizar livremente, sem depender do soberano ou de uma aristocracia seja ela terratenente ou burocrática, continua a chocar hoje todos aqueles que à esquerda e à direita continuam a achar que o Estado é mais inteligente, capaz e eficaz que os seus cidadãos e contribuintes.

Mesmo gente que se diz muito progressista continua mais alinhada com as ideias de Luis XIV que com as de Thomas Paine (escolho um "founding father" mais à esquerda de propósito), a saber, que o Estado é que é bom, e que sermos dependentes dele é que é mesmo bom!

Fora deste esquema de dependência assistida (quem mais o defende tende a julgar-se suficientemente inteligente para fazer parte da aristocracia que assiste que da plebe que depende) nada mais há que a lei da selva. É natural! Quem assim pensa tende a achar que liberdade consiste em fazermos apenas aquilo que queremos e não aquilo que devemos. Daí a tirarem-se cães-guia a cegos vai um passo tão pequeno que muitos nem percebem que o deram!
 
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    Re: Quem tem medo da liberdade?    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 15:26 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
O mundo evoluiu após Adam Smith...
a25131 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
infelizmente a economia não. Manter a Economia baseada em teorias obsoletas como a oferta vs procura obviamente que teria que dar em buraco. Concordo com o artigo na parte da morosidade da Justiça em Portugal, mas o problema da economia mundial ainda é mais profundo, é estrutural, é o factor tempo que não entra no referencial da oferta e da procura e que os economistas tentam martelar avaliando de forma discreta uma variável continua. O sistema está errado e desactualizado, mas caminhamos para a sua implosão e a construção de um novo...resta saber qual o preço.
 
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Liberalismo Conservador versus Liberalismo Social.
Surprese (seguir utilizador), 1 ponto , 14:13 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
São quase a mesma coisa, mas prefiro o segundo.

Em termo económicos são idênticos, mas diferem em termos de costumes/sociedade - o liberalismo social é mais aceitável nas nossas sociedades latinas, em que os 'corpos intermédios' são fracos, e assume-se que o Estado tem de intervir para corrigir as falhas do mercado, que não são cumpridas pela sociedade civil (os tais corpos intermédios).

Não é de estranhar que os clubes de futebol tenham tanto poder por esta terras, são os únicos 'corpos intemédios' em que a sociedade acredita realmente.
 
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Uma doutrina do passado para uma sociedade nova?
A.S.Duarte (seguir utilizador), 1 ponto , 20:45 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Finalmente,o H.R. deu a conhecer a cartilha ideológica pela qual se rege. É um acto louvável que está para além dos aspectos anedóticos dos seus habituais artigos. Se a existência de um Estado de Direito é factor incontroverso para o funcionamento da Economia e não só, já nos denominados "corpos intermédios" não se vislumbra um factor sem o qual a economia e a Sociedade, a despeito da existência dos empresários mais arrojados, permaneceriam imutáveis. Refiro-me, tão só, à chamada força do trabalho que parece ser um aspecto acessório ou até dispensável.
        O denominado liberalismo conservador é uma doutrina que tem em vista uma sociedade justa? Como é que um conceito do passado pode querer atingir um objectivo inerente a uma sociedade do futuro?
 
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A culpa é da psicologia.
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 21:02 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
Caro Henrique,

De facto, teremos de haver valores morais sólidos, porque a Sociedade necessita de bases sólidas.
Eu já não sou jovem (mas não me interesso; estou contente assim) e uso uma barba curta um bocado branca e um bocado cinzenta.
Vi muitas coisas em minha vida, boas e feias.
Quando eu era um catraio, costumava ir ao cinema, que representava o único entretenimento da minha pequena aldeia, que apesar de tudo não deixa de ser a aldeia da minha infância e de toda a minha vida.
Nos meus tempos (eu falo de há muitos séculos) todos os filmes tinham um bom final porque as forças do Bem venciam sempre as forças do Mal.
O que não está acontecendo hoje.
Os cineastas gastam milhões de dólares em efeitos especiais para assustarem o público.
Há muitos séculos que eram suficientes apenas umas liras para obter o mesmo.
Bastava comprar um crucifixo e metê-lo nas mãos do vampiro para pôr os capelos em pés mesmo aos pelados pelo medo.

Todavia a ruína de hoje é devida à psicologia.

Desmaiada tolerância, desmaiadas permissões dadas às crianças, que podem assim sair de casa e fazer da noite dia.
E se por acaso os pais tentarem censurar os filhos, aí deles.
As egrégias crianças mandam-nos para os diabos com muito empino porque elas tiveram a dianteira e não receiam ninguém.

Moral da história, como diz H.R., os conselhos dos psicólogos devem ser saudados com muitas palmas (diz-se por dizer).

Arrivederci a domani!

Maledetti Portoghesi.

    António
 
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    Il António, siete un asino!    Ver comentário
L SKYWALKER (seguir utilizador), 1 ponto , 23:32 | Sexta feira, 18 de novembro de 2011
    Il António, siete un asino! =Antonio sei un asino!    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 4:44 | Sábado, 19 de novembro de 2011
    Maledetto Italiano!    Ver comentário
L SKYWALKER (seguir utilizador), 1 ponto , 19:54 | Domingo, 20 de novembro de 2011
    Re: Maledetto Italiano! - "Malditos Toscanos"    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 8:54 | Segunda feira, 21 de novembro de 2011
    Ó António    Ver comentário
L SKYWALKER (seguir utilizador), 1 ponto , 21:16 | Segunda feira, 21 de novembro de 2011
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