0
Anterior
Bom proveito
Seguinte
A menina de 8 anos
Página Inicial   >  Blogues  >  Bitaites e Bicuaites  >   Por falar em bacalhau

Por falar em bacalhau

|

Natal: família, bacalhau com batatas e couves, o essencial, em suma. Assim: prosaico. Com algumas rabanadas e filhoses, um queijo, um bom vinho (do Douro, naturalmente), um porto velho e - tem que ser - dois ou três presentes para cada um. Para além disso, com sol, muito sol, o que, pelo menos para mim, se adequa mal à (como costuma chamar-se-lhe) "quadra". Porque preferiria neve, à lareira. Mas não houve, "tant pis". É assim a vida.

BITAITES


Por falar em bacalhau: anda a praça cheia de livros sobre cozinha, de cozinheiros transformados em espécie de vedetas (todos ou quase todos, de resto, aquilo a que chamo "nouvelle"-cozinheiros), o que é uma enorme estopada, e que só não o é mais porque não leio esses livros nem (aos ditos cozinheiros) lhes frequento os restaurantes. Tema embora que deixa uma aberta para (quando estiverem no Algarve) vos falar de cinco ou seis restaurantes - há mais - onde (sem mariquices) se pode comer uma cozinha portuguesa à maneira: o (com licença da palavra) "Faro e Benfica" em Faro, está bem de ver; o "Jacinto" (na Quarteira); a "Tasca do Manel", em Vilamoura (sobretudo peixe grelhado); o "Veneza", junto a Paderne (a melhor garrafeira do Algarve e não só); o "São Roque", na Meia Praia, junto a Lagos; o "Vilalisa", na Mexilhoeira Grande; e "A Charrete", em Monchique. Por hoje, basta. E não façam como o Michelin: mandem a "nouvelle-cuisine" à ... Quero dizer: dar uma volta ao bilhar grande. Pelo menos.

Colunistas em matéria de comes e bebes? Continuo a ler o Zé Quitério. Tal como, sobre outros temas (dizem que mais importantes) o Vasco Pulido Valente (se bem que, e parafraseando um famoso samba do Tom Jobim, ele seja frequentemente cronista de uma nota só); o Miguel Sousa Tavares; o professor Marcelo (cartesiano, como eu gosto); frei Bento Domingues, o Bruno Prata, e pouco mais. Na televisão (tal como aqui já disse) "niente": só filmes e jogos de bola, se bem que continue a não ter a mínima paciência para os comentadores, nem os desportivos, nem os económico-políticos, que tresandam por tudo quanto é canal: que os deuses os livrem de um qualquer inferno, é o que lhes desejo. Se bem que, chatos e presunçosos como são, bem o mereçam.

Quanto a futebol, uma nota: no Barcelona-Hospitalet (para a Taça do Rei), mesmo desfalcados de todos os seus estrangeiros (ausentes para férias), os catalães puseram em campo catorze jogadores espanhóis, em grande parte da própria cantera. Imaginem se isso tivesse acontecido com o FC Porto, Benfica ou Sporting: ou não deixavam o seu pessoal ir passar o Natal a casa, ou punham em campo apenas os três ou quatro craques que têm nascidos por cá.

Livros? Acabo de ler o último de Mário Soares (leiam), a biografia do Luiz Pacheco (por João Pedro George), vou a meio do "Henrique Galvão", do Francisco Teixeira da Mota e logo passarei para as "Memórias da II Guerra Mundial, do Churchill". Que devem ler também, porque não pode deixar de ser não só fascinante como instrutivo. E, agora e sempre, Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, com Lorca e O'Neill os meus poetas preferidos. Filmes? Visconti, sobretudo "O Leopardo" e "Os Malditos"; e uma das maiores comédias de sempre - "I soliti ignoti" (não me lembro do título em português), do Monicelli. Com (apenas) Totó, Gassman, Mastroianni, Carotenuto, Salvatore e, esplendorosa, embora na altura ainda uma "ragazzina", Claudia Cardinale.

PS. Dia 24, véspera de Natal - na RTP2 - finalmente um trabalho (do Francisco Manso) sobre Alves Redol. Que não esgota o tema (obviamente longe disso) mas contribui sem dúvida para que o nome do grande escritor de "Barranco de Cegos" tenha saído, ao menos por uma hora, do esquecimento a que tantas circunstâncias o votaram, e não só a ele: a gente como Aquilino Ribeiro, Manuel da Fonseca, o próprio Cardoso Pires, etc. etc. etc. Mas quando a bolsa passa a ser mais importante do que a vida, de que podemos estar à espera?


BICUAITES

Do "Expresso": "PCP sem pesar por Vaclav Havel".
Depois do grande pesar por Kim Jong-il, devem ter pensado que já era pesar a mais.

Luís Fazenda, em entrevista ao "Público": "A rua é o lugar nobre da contestação social".
Pelo que, a um trabalhador contestatário, poderia um patrão compreensivo literalmente dizer: seja nobre, meu caro amigo. Rua!

Título do "Público", ainda: "Endividamento das empresas do Estado derrapa 2 milhões".
Miguel Relvas deve ter ficado em brasa! Mas vai uma vez mais rectificar, com toda a certeza.

Newt Gingrich, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América: "Os palestinianos são um povo inventado. Alguém tenha a coragem de dizer a verdade: são terroristas".
É, estão em estado de terrorismo, mas (grande desproporção) contra um terrorismo de Estado! De resto, o primeiro-ministro israelita já veio dizer: " Receio que a Primavera Árabe degenere num Inverno iraniano": está a afiar as facas, o fulano! Ou então, dito de outra maneira, a por os mísseis em alerta máximo.

E assim vai o Mundo.
Mais um Natal passado, em 2012 cá estaremos, Jesus Cristo a contar mais um ano e nós também, espero. Com, daqui até ao próximo, algum bacalhau, algumas batatas e algumas couves, se os houver. Porque, de outra forma, quem é que vai lá chegar? Mas chegaremos, assim a parca nos poupe.


António Tavares Teles escreve de acordo com a antiga ortografia


Opinião


Multimédia

Os assassínios, as execuções, as decapitações são as imagens mais chocantes de uma propaganda cada vez mais sofisticada. É a Jihad, que recruta guerrilheiros no ocidente para matar e morrer na Síria. O Expresso seguiu as pisadas de cinco jiadistas portugueses, mostrando quem são e como foram convertidos e radicalizados. E como lutam, como foram morrer - e como já haverá arrependidos com medo de fugir. Reportagem em Londres, no café onde viam jogos de futebol, na universidade onde estudavam e na mesquita onde rezavam. Autoridades e especialistas em terrorismo estão alerta sobre este pequeno mas perigoso grupo, onde corre sangue português - e de onde escorre sangue por Alá.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

Os muros do mundo

Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


Comentários 0 Comentar

Últimas

Ver mais

Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador

PUBLICIDADE

Pub