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População cabe toda nos centros comerciais

Área dos 105 espaços comerciais existentes no país pode acolher, em simultâneo, 10,2 milhões de pessoas, tantas quanto as que vivem em Portugal.

Joana Pereira Bastos
9:09 Quinta feira, 9 de julho de 2009
O recém-inaugurado Dolce Vita Tejo é o maior centro comercial da Península Ibérica
O recém-inaugurado Dolce Vita Tejo é o maior centro comercial da Península Ibérica
Luiz Carvalho

Se alguém em Portugal, movido pela muito nacional febre do Guinness, se lembrasse de quebrar o recorde da maior concentração de pessoas em centros comerciais, o feito estaria assegurado à partida. Teria 'apenas' de conseguir mobilizar toda a população de Portugal: a área dos 105 centros comerciais actualmente existentes é suficiente para acolher o país inteiro.

Parece impossível, mas as contas são simples: no total, são mais de 3,4 milhões de metros quadrados de lojas - lojas, mais lojas e só lojas. Se em cada metro quadrado estiverem três pessoas, o número mínimo utilizado pela PSP para calcular manifestações pouco compactas, então são cerca de 10,2 milhões os que podem estar em simultâneo nestes espaços. E isto contando apenas com a área bruta locável (ABL), que não contempla corredores, parques de estacionamento ou armazéns.

O número impressiona, mas nem assim parece ser suficiente para travar os empresários do sector. "Ainda não atingimos o ponto de saturação. Há condições para crescer mais, nomeadamente com novas soluções e com projectos inovadores", assegura o presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, António Sampaio de Matos.

Apesar de Portugal estar acima da média europeia em termos de ABL por cada mil habitantes, até 2011 está prevista a abertura de mais doze centros comerciais em todo o país. As sucessivas inaugurações prometidas até lá vão fazer disparar ainda mais a área total actualmente ocupada e que já ascende aos 3,4 quilómetros quadrados, sem incluir sequer outro tipo de grandes superfícies, como os hipermercados. Ou seja, se não fossem construídos em altura mas apenas num único piso térreo, os shoppings actualmente existentes ocupariam uma área semelhante a 340 campos de futebol.

"Os centros comerciais são um conceito claramente vencedor em Portugal. Há regiões que já não têm espaço para mais, mas outras onde ainda há condições e faz sentido abrir", defende Artur Soutinho, administrador-executivo do grupo Chamartín, proprietário dos centros Dolce Vita. Até porque, adianta, os estudos indicam que por cada 190 mil habitantes há viabilidade para construir uma grande superfície comercial.

Em média, cada português não resiste a pelo menos uma ida semanal ao shopping. Em 2007, por exemplo, foram contabilizadas cerca de 500 milhões de visitas. O conforto, a enorme diversidade da oferta ou os horários alargados de funcionamento são algumas das principais razões do fascínio dos portugueses por estes espaços. A somar ao facto de o comércio tradicional não ter sabido adaptar-se e modernizar-se, considera Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto.

Ainda assim, o responsável acredita que já não há mercado para mais centros comerciais. "Embora se continuem a construir, assiste-se neste momento a um excesso de oferta, que é visível no facto de muitos terem bastantes lojas fechadas", diz.

Seja como for, a verdade é que o negócio continua a ser altamente lucrativo. E nem a crise parece suficiente para o afectar de forma significativa. "Pode dizer-se que este é um dos sectores menos afectados. Globalmente, as quebras nas vendas não chegam sequer aos 10%. E os níveis de lucro eram tão altos que havia margem para suportar este pequeno decréscimo", afiança o presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais.

E eram mesmo: só no ano passado, a facturação rondou os 10 mil milhões de euros, mais do triplo do valor estimado para a construção do aeroporto de Alcochete.


Número

3,4


milhões de metros quadrados é a área ocupada pelos 105 centros comerciais actualmente existentes em Portugal

70


mil pessoas trabalham nos centros comerciais. O sector é ainda responsável por cerca de 200 mil postos de trabalho indirectos

10


mil milhões de euros foi quanto o sector facturou só no ano passado

500


milhões foi o número de visitas que os portugueses fizeram aos shoppings em 2007


 

*com Isabel Paulo

Texto publicado na edição do Expresso de 4 de Julho de 2009

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Portugal Shopping
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 9:34 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
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    Re: Portugal Shopping    Ver comentário
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 17:43 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
SEMPRE A CONTRA CICLO.
4 DE DEZEMBRO (seguir utilizador), 2 pontos , 11:59 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Cheguei ontem de Portugal e, facilmente se constata que o grandes centros comerciais são, para além de um local de compras, um local de lazer. Muita gente, centros atractivos, do melhor que vejo na Europa, nas muitas lojas sem ninguém.

Hoje em França, Bélgica, Holanda e Alemanha, que são os países que mais visito, multiplicam-se o conceito de lojas de bairro com a marca das grandes superfícies. Funcionam em regime de Franchising e têm boa operacionalidade.

Em Portugal o clima convida à visita ao centro comercial. São climatizados, muitas vezes dispõem de motivos culturais e artísticos, e a criançada sente-se bem nos grandes espaços.

Tenho duvidas quanto à rentabilidade no futuro. Os salários não podem continuar eternamente baixos, os hábitos de consumo estão a retrair-se, e as autarquias, lentamente, vão dando alternativas com a construção de equipamentos sociais, como piscinas, pavilhões polivalentes, etc. Tudo isto é concorrência aos centros que começam a ser demasiados. Isto quando num horizonte de 50 anos, prevêem os estudiosos, a população portuguesa decrescerá 2 milhões.
Aliás estes excessos verificam-se, também, na habitação. Segundo uma estatística europeia que tive acesso, Portugal tem hoje habitação para 20 milhões de pessoas. Se fossem autorizados todos os pedidos de construção pedidos nas Câmaras Municipais, este valor subiria para 30 milhões no espaço de 5 anos.
Portugal é hoje o país europeu com mais proprietários de segunda casa. ...
 
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    Re: SEMPRE A CONTRA CICLO.    Ver comentário
4 DE DEZEMBPO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:40 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
    guindar o 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 0 pontos , 13:11 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
    Re: guindar o 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais    Ver comentário
Tito D'alva (seguir utilizador), 1 ponto , 16:38 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
    Caro gestor espaço expresso online    Ver comentário
J Saints (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
    Re: Caro gestor espaço expresso online    Ver comentário
4 DE DEZEMBPO (seguir utilizador), 1 ponto , 17:22 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
É evidente que as áreas ocupadas...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:59 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
... em armazéns e nos espaços para exposição dos produtos também foram contabilizadas, mas mesmo assim não deixa de ser verdadeiramente impressionante. Ou talvez não. Afinal vivemos em Portugal de uma economia de consumismo á falta de produção nacional em quantidades sufucientes para sermos auto-suficientes. E por isso temos o PIB que temos. e, de facto, estas superfícies, para além de serem úteis para a diversificação das compras, também são um excelente espaço de entretenimento. Sobretudo são espaços altamente acolhedores durante todo o ano, mas sobretudo no Verão, quando as temperaturas na rua ou em casa se tornam verdadeiramente insuportáveos. Mas isso passa-se em todo o mundo. E, bem vistas as coisas, são um objecto do progresso.
 
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Por culpa da falta de planeamento
PaulinhonaNet (seguir utilizador), 1 ponto , 9:40 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Muito shopping center para tão pouca populacão. Portugal, ao contrario de onde me encontro, tem um clima relativamente ameno o que propicia passeios ao campo, praia, monumentos, museus,etc. Apesar disso, as pessoas preferem enfiar-se no shopping a andar de cima para baixo, mesmo sem nada para comprar. Vejo por exemplo familias a levar os filhos ao shopping para "brincar".
Em alguns casos, algumas pessoas tornaram-se viciadas no centro comercial, fazendo visitas diarias para comprar coisas que encontrariam no comercio local.
Grande culpa de tal situacão, pode-se atribuir ao crescimento desordenado. Constroem-se bairros habitacionais sem um espaco verde e de lazer para amostra, apenas betão, betão. Em Londres, onde resido, quase todas as areas, possuem no minimo um parque, com espaco para criancas e bastante verde. Aonde resido, sem exagero tenho 3 a 4 parques a uma curta distancia. Como contraste, a Margem Sul e urbanizacoes como Santa Marta de Corroios, são o exemplo de como não construir. Predios, predios e mais predios, com poucos locais de lazer em familia (mas bares e cafes tem bastantes...). O parque mais perto, que serve a zona toda fica no Feijo, o parque da Paz, bastante insuficiente.
Este tipo de planeamento, empurra as pessoas para dentro de casa, limita o contacto entre criancas vizinhas, e como consequencia uma vida menos saudavel, sociavel, em frente a Playstation.
 
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    Re: Por culpa da falta de planeamento    Ver comentário
forevertheuni (seguir utilizador), 1 ponto , 10:56 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
    Re: Por culpa da falta de planeamento    Ver comentário
Jonasfilipe91 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:42 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Muito bem...
copia (seguir utilizador), 1 ponto , 10:11 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Aqui está uma solução para uma eventual, agressão estrangeira.Os militares, hoje tão incomodados, por não terem as regalias de outros tempos, na rua a defenderem a Pátria e, o resto do pessoal, dentro das grandes superficies, nas calmas a utilizar todos os produtos existentes.
Agora a sério.Não se entende, quem deu e dá autorização, para esta paranóia das grandes superficies.E ainda dizem que não existe dinheiro.E ainda dizem que o País está em crise.
 
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    Re: Muito bem...    Ver comentário
4 DE DEZEMBPO (seguir utilizador), 1 ponto , 19:37 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Dolce vita
ramsesxx1 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:31 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Como até 2011 estão previstas mais 11 aberturas de novos Shoppings ha a esperança que os "arrastões" se diluam...
 
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A meta mais que provável,
beliço (seguir utilizador), 1 ponto , 10:34 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
será a partir de agora aumentar a área construída para, em teoria, albergar o DOBRO da população portuguesa... Valeu? Não compreendo porque é que temos esta capacidade de fazer coisas deste género que escapam à razão, por oposição a outras que, a serem concretizadas, poriam o país num outro patamar de desenvolvimento, mais harmonioso, respeitador do comércio tradicional e promotor da economia em geral. Quem me explica?
 
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País do tudo se consome e nada se produz...
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Neste país só se consome e nada se produz. Tantos centros comerciais para vender aquilo que os estrangeiros produzem.
As indústrias transformadoras foram substituidas por estes gigantes que apenas promovem o consumo. Nada se produz tudo se consome.
Estamos ao nível dos países africanos que apenas consomem e nada produzem, com os donativos e injecções de dinheiro do ocidente.
Estamos endividados até à ponta dos cabelos exactamente por que não produzimos.
E se, em vez de haver tantos "SHOPPINGS" houvesse "INDÚSTRIAS" ?
Os empresários portugueses são como os "Chineses e Indianos" que não vergam a mola para trabalhar. Preferem ganhar dinheiro com aquilo que os "PALERMAS" produzem.
Pouco exportamos e aquilo que comemos e bebemos é estrangeiro.
Será melhor devolver este pedacinho-à-beira-mar-plantado aos descendentes da mãe de D.Afonso Henrique, para que esta etnia lusitana consiga saír da cepa torta.
 
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Tudo desperdicio...
Jonasfilipe91 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:39 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Se usassem o dinheiro para coisas mais uteis! Hospitais para por MEDICOS PORTUGUESES sem aquelas medias disparatadas... Ou para melhorar a qualidade de ensino, ai estavam a melhorar qualquer coisa.

Fazem centros comerciais... E onde é que há assim tanto dinheiro para gastar em centros comerciais? Cresçam!
 
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Ó Minha senhora...
Kurrusivo (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
... dizer 102 centro comerciais podem albergar 10.2 milhões de pessoas, equivale a dizer que EM MÉDIA cada shopping poderá albergar 100.000 pessoas.
Pense lá um bocadinho, quantos shoppings conhece que poderiam REALMENTE albergar tanta gente (bem mais do que o estadio da luz)?
As contas que a levaram a esta conclusão são no mínimo ridículas: Se um WC tiver 2 metros quadrados claramente cabem lá 6 pessoas... enfim.

Kurrusivo
 
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É, a todos os títulos, preocupante...
Chips (seguir utilizador), 1 ponto , 14:49 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
Esta notícia é deveras preocupante. Senão, vejamos: onde iremos meter os bebés que têm nascido ultimamente? Caramba, coitadinhos! Há que continuar a construir mais centros comerciais pelo bem das gerações futuras!
 
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Comentadores que não lêem as notícias...
Nanquim (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Quinta feira, 9 de julho de 2009
E daí começam a imaginar quantas pessoas cabem no wc ou nos armazéns...quando só se contabilizaram os espaços alugáveis, isto é as lojas.
Outros criticam os shoppings por que lá não se “verga a mola a trabalhar”... como se o comercio não passasse de uma forma de espoliação.
Mas se não fosse ele como se escoariam os produtos das fábricas ou dos campos?
Queixam-se ainda das importações, mas se não forem elas como poderemos encontrar o que precisamos comprar?
Enfim como de costume queixamo-nos dos outros e não da falta de produção do país.
E tudo isto porque não entendemos como ainda são rentáveis com tantas lojas a abrir e fechar, e afinal é bem simples.
A maioria das lojas não tem rentabilidade, para confirmar basta passar por lá e vê-las sempre vazias!
Mas fruto da falta de informação e de formação vão passando de mão em mão e vai aumentando o número de falências, porque muitos portugueses ainda não sabem distingir vendas de lucros e despesas de custos, nem tão pouco sabem o que é um fundo de maneio ou investimento em imobilizado.
As administrações nem se preocupam... os alugueis cobrados chegam bem para dar lucro e quando o fundo de maneio se esgota a pagar custos operacionais sai um ex-comerciante com dividas e entra outro para se endividar!
Portanto é natural que queiram construir mais, e o país vai-se enchendo de elefantes brancos que qualquer dia não servem para nada!
 
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