25 de abril de 2014 às 8:33
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Benfica: muito mais do que uma Nação, é um "Império"!

João Lemos Esteves
6:16 Segunda feira, 21 de abril de 2014

Finalmente aconteceu o que milhares de portugueses, eu incluído, esperavam: o Benfica tornou-se campeão nacional de Futebol. De facto, o Sport Lisboa é um fenómeno singular em Portugal: nenhum outro clube, nenhuma outra organização, nenhum outro ideal ou convicção estratégica ou político-ideológica conseguiria mobilizar tanta e tanta gente que se reuniu aqui em Lisboa (no Marquês de Pombal) - como também em todas as cidades, em todas as localidades da nossa querida Pátria. Mais: o Benfica é um factor de agregação do mundo lusófono - as comemorações estendem-se a todos os países de expressão portuguesa, vivendo e sobrevivendo muito para além de possíveis traumas históricos. É nisto que, afinal de contas, se traduz a mística benfiquista: enquanto o Porto e o Sporting são realidades meramente desportivas (embora muito meritórias e competitivas), o Sport Lisboa e Benfica é uma realidade - para além de desportiva - institucional e cultural. Não sei se há dados científicos que comprovem sem margens para dúvidas que sempre que o Benfica conquista o título de campeão, a economia nacional cresce: a verdade, porém, mostra à exaustão que quando o Benfica ganha, Portugal se torna um país mais feliz, mais dinâmico, com mais energia. Faz bem a Portugal o Benfica ser campeão.

Dito isto, passemos a responder à questão que tem sido colocada amiúde nos vários (demasiados!) programas de comentário desportivo: quem é o principal responsável pelo sucesso do Benfica? Em primeiro lugar, é, obviamente, dos jogadores, que defenderam, marcaram golos, suaram, mostraram a sua garra...enfim, trabalharam muito para que o Benfica fizesse esta caminhada sólida e segura rumo à vitória no campeonato nacional. Todavia, há que elogiar o trabalho, mas sobretudo, a determinação do Presidente Luís Filipe Vieira. Às vezes, decidir e liderar é saber ser solitário. E para ser solitário é preciso uma grande resistência psicológica: apontar um caminho e puxar todos os "dissidentes" para que comecem a remar para o mesmo lado. Ora, foi Luís Filipe Vieira que tomou a decisão de manter a aposta em Jorge Jesus, concedendo-lhe todas as condições para que realizasse um excelente trabalho (nomeadamente, quanto à manutenção dos principais "activos" do plantel). Num país em que escasseiam exemplos de liderança, Luís Filipe Vieira soube ser um. Este é um campeonato que tem indelevelmente a sua marca. E, last but not the least, parabéns a Jorge Jesus. Eu que teci alguns comentários negativos no ano passado, reconheço que estava errado: afinal, Jorge Jesus soube muito bem dar a volta à situação depressiva e de "inconseguimento da situação frustacional derivada das derrotas nas finais"! Conseguiu voltar a conquistar o plantel - e venceu! 16 valores com possibilidade de chegar ao 20, se conseguir as vitórias na final de Taça de Portugal, chegar à final da Liga Europa (eliminar a Juve teria - terá! - um encanto especial) e (já agora!) a Taça da Liga.

Por último: será que esta vitória significa o fim de um ciclo dominado pelo FC Porto e, inversamente, o início de um novo ciclo (domínio do futebol português doravante pelo Benfica)? Bom, antes de mais, refira-se que alguns comentadores insistem em cair sempre no mesmo erro: quando o Benfica ganha é sempre porque não teve adversário à altura - nunca é mérito do Benfica. Quando os outros, nomeadamente o FC Porto ganha (ganhou) nos anos anteriores, é sempre mérito da magnífica organização e da força do seu plantel - ou seja, por mérito próprio e não demérito do Benfica. A verdade é que estes comentadores não querem abordar o verdadeiro problema: a falência do modelo de gestão do FC Porto. É que o Porto vive de um mito chamado Jorge Nuno Pinto da Costa. O problema dos mitos é que achamos que eles são imortais: os portistas acharam que Pinto da Costa estaria em todo o seu vigor eternamente. Mas não é possível: Pinto da Costa já é passado - mas porque o Porto não quer abdicar de Pinto da Costa, não quer discutir o futuro. E não discutir o futuro para não incomodar a pessoa que personifica o passado - é ficar, inevitavelmente, preso ao passado. Cheira-me que o FC Porto para ressurgir terá que passar por uma "noite das facas longas" (face a metáfora/hipérbole) na sua administração...No fundo, o drama de Pinto da Costa é, salvo as devidas diferenças, o mesmo de Alberto João Jardim na Madeira.

Conclusão: o que verdadeiramente importa é...Viva o Benfica! Hoje é dia de Alegria em Portugal!

Email: politicoesfera@gmail.com

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Durão Barroso quer voltar a dar tanga aos portugueses!

João Lemos Esteves
8:19 Segunda feira, 31 de março de 2014

1. É público e notório que considero Durão Barroso como um exemplo negativo do que deve ser um político. De facto, Barroso concentra todos os defeitos que eu critico na classe político, nomeadamente aquele que aponto como o mais repugnante: o de ser fraco para dar a aparência de força. Passos a explicar: Durão Barroso, se analisarmos com rigor e cuidado analítico, concluiremos facilmente que a sua estratégia para subir na política foi sempre a de ser alguém fraco, oportunista, que se adapta às circunstâncias, sempre a pensar no seu interesse pessoal, que não olha a meios para atingir os seus fins e que, através de influências várias, chegou a Primeiro-Ministro de Portugal e a Presidente da Comissão Europeia. Se Durão Barroso chegou a Presidente da Comissão, significa que este cargo não pode ser muito relevante politicamente - é um cargo insignificante. E Durão Barroso honrou essa qualidade: foi um Presidente banalíssimo, temeroso, que não soube reagir às circunstâncias políticas, económicas e sociais, sem iniciativa, vergando-se a Angela Merkel. Enfim, Durão Barroso limitou-se a ser Durão Barroso - não podíamos esperar algo muito melhor quando o personagem político é, já por si, fraco e facilmente influenciável. E qual será o futuro de Durão Barroso depois de Outubro? Pois bem, Durão já anda a planear a sua vida pós-Comissão. Para esse efeito, decidiu conceder uma entrevista ao EXPRESSO, publicada no sábado. Evidentemente, o objectivo foi o de se reposicionar para um regresso à vida política portuguesa.

2. Com efeito, Durão Barroso, ao longo de toda a entrevista, lança farpas aos comentadores políticos. Que qualquer um pode ser um comentador político. Ora, subtilmente, esta farpa tem um destinatário: Marcelo Rebelo de Sousa. Ou seja, ser comentador é uma coisa banal, sem importância; enquanto ser Presidente da Comissão Europeia é um feito só ao alcance dele, Durão Barroso.

2.1. Em segundo lugar, Durão Barroso está com um ego tão grande que inventou a ideia de um Presidente da República apoiado pelos três partidos (PS, CDS e PSD). Em quem é que Barroso pensava quando lançou a ideia? Pois bem, em si próprio. Se pensarmos bem, Durão Barroso julga que, como apoiou um governo socialista, e agora aguenta um governo do Partido Social-Democrata, poderá ser a única personalidade portuguesa que conseguirá apoios em ambos os partidos. Quanto ao CDS/PP, virá por acréscimo: será arrastado pelas circunstâncias e pela necessidade de apoiar o candidato do PSD. Com José Sócrates, Durão Barroso era o Presidente da Comissão do "porreiro, pá!"; com Passos Coelho, Durão Barroso foi o homem que precipitou a ida do líder do PSD para o Governo e o tem aguentado firmemente. Por outro lado, a ideia de Durão Barroso é a seguinte: as eleições legislativas e presidenciais serão seguidas. Já se percebeu que nenhum partido político terá, por si só, maioria absoluta: logo, teremos um Governo de "bloco central". Consequência: PS e PSD não poderão, depois de estar há poucos meses em coligação no Governo de Portugal, andar em campanha a criticarem-se mutuamente. Logo, o cenário que se irá impor é a de um candidato presidencial apoiado pelos dois partidos. E ele - Durão Barroso - porque é um político de "gelatina", que não tem convicções, nem personalidade - poderá agradar aos dois partidos, porque teve a experiência da Comissão Europeia em que se relacionou bem com os dois partidos.

As tangas de Barroso!  

Na minha opinião, a desonestidade de Durão Barroso é revelada em todo o seu esplendor quando se refere a "nós, portuguese" e ao "nosso Portugal". Pois, Durão Barroso andou 10 anos a dizer que não, enquanto Presidente da Comissão não era português, esquecia a sua nacionalidade -tinha de exercer as suas funções com imparcialidade. Agora, como já lhe interessa, lembrou-se que é português!

Por último, Barroso mente e é contraditório. Mente quando diz que a Comissão Europeia não incentivou o Governo Sócrates a realizar investimento público para fazer face à crise; é contraditório, porquanto diz que confidenciou a Passos Coelho que há limites para a austeridade e, depois, afirma que não havia outra caminho à austeridade que está a ser aplicada em Portugal. Além disso, Barroso foi o Presidente da Comissão Europeia que permitiu que os grandes - como a Espanha e a França - violassem sucessivamente o défice previsto nos Tratados! E agora, descobriu as virtudes do controlo dos défices? Enfim, Barroso, depois de tramar os portugueses, quer continuar no poder...seja ele qual for.

Concluo com uma constatação: Durão Barroso é sempre um prenúncio da tragédia de uma instituição. Primeiro, Barroso foi Presidente do PSD - e partir dele, o PSD veio sempre a cair, atingindo com Santana Lopes o seu mínimo eleitoral e com Passos Coelho, o seu mínimo em termos de qualidade dos seus dirigentes; foi Primeiro-Ministro de Portugal, abrindo uma "época trágica" para Portugal e para os Portugueses; chega a Presidente da Comissão Europeia, a Europa entra em decadência e a União Europeia uma realidade política cada vez mais frágil e irrelevante. Se Durão Barroso chegar a Presidente da República, será provavelmente o sinal de que estamos literalmente tramados...E isso não é porreiro, pá!

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António José Seguro e José Sócrates: a nova aliança improvável?

João Lemos Esteves
8:42 Terça feira, 25 de março de 2014

1.Obrigações académicas e profissionais têm-os impedido de comentar a vida política portuguesa, e as suas contigências diárias, com mais regularidade. Daí a intermitência dos nossos escritos aqui no POLITICOESFERA - no entanto, algo se vai revelando com muita nitidez: a completa inaptidão de António José Seguro para liderar a oposição. O nosso relativo distanciamento da actualidade política os últimos dias permitiu-nos chegar a uma conclusão, a um tempo, curiosa e elucidativa: é que António José Seguro, mesmo quando fala muito, está desaparecido em combate. Quanto mais o Secretário-Geral socialista fala, menos se ouve. Não será isto um paradoxo? Decerto. Mas mostra à exaustão a irrelevância política de António José Seguro.

De facto, o problema de António José Seguro é que tanto lhe faz falar 4 ou 5 vezes por semana ou estar calado, doente ou em asilo político, que para a grande maioria dos portugueses - sobretudo, para o chamado "povo profudo" - é exactamete o mesmo! Ainda este fim de semana, Seguro foi encerrar mais uma sessão da conferência " Novo Rumo", falando longos minutos - no entanto, mais uma vez, passando despercebido. É chocante - e cada militante do Partido Socialista deveria reflectir muito bem sobre esta constatação - que Antóino José Seguro, estando há mais de dois anos na lideraça do PS, ainda não tenha tido uma única - nem uma! - ideia forte, uma ideia que fosse a âcora do discurso político socialista, uma proposta alternativa, uma visão diferente para o País. Nada! Como é que é possível? Num Governo que tem como principal defeito o não ter um rumo, uma estratégia para o futuro de Portugal bem defiida! O que só facilitava a vida de António José Seguro: é, pois, preciso ser excessivamente inábil, do ponto de vista político, e um verdadeiro desastre, do ponto de vista comunicacional, para António José Seguro estar a um pequeno passo de perder as eleições europeias. Porque os portugueses já perceberam que António José Seguro vai continuar, rigorosamente, as linhas mestras da política definida e em execução pelo Governo Passos Coelho.

António José Seguro está preso, sem coseguir encontrar a saída,do labirinto que ele próprio criou. Desenvolveremos, mais em detalhe, o problema político central de Seguro em proximo texto. Hoje impõe-se salientar aquele que é um outro sinal da fraqueza politica - diria até da verdadeira natureza do político António José Seguro - do líder do PS: como nãoo sabe o modo pelo qual se deve afirmar pela Política (com P grande, aquela que verdadeiramente vale a pena), Seguro optou pela afirmacãoo através da via na qual se sente mais à vontade - a via da politiquice.

Ora, nesse sentido, Seguro tratou de ir fazer uma alianca improvável com aquele que há poucos meses era uma das suas principais personas non gratas: José Sócrates. Esta aliança Seguro/Socrates é, para o líder socialista, vital. Porquê? Porque é a forma de continuar o seu domínio incontestado da máquina socialista! É verdade que Seguro, através do seu célebre "golpe estatutário", conseguiu assegurar que seus os seus "homens" chegassem à liderança de federações socialistas importantes - mas o peso e o fantasma de Sócrates e dos socráticos ainda é muito significativo. Ter Sócrates do seu lado é um sinal de força aparelhística que António José Seguro dá aqueles militantes que possam ter algum ambição de chegar à liderança partidária...

E para José Sócrates, qual é a vantagem desta aliança improvável? Para José Sócrates, é importante para neutralizar Antonio Costa. De facto, José Sócrates já percebeu que para manter a sua influência no Partido Socialista - e ser minimamente ouvido no País, de ter uma importância residualíssima - convém manter um líder fraco à frente do Partido! José Sócrates teme que António Costa seja um líder demasiado forte, demasiado marcante, que "apague" a sua influência e a sua memória. É que António Costa há muito tempo que se distanciou do anterior Primeiro-Ministro...Não podemos esquecer que José Sócrates, directamente ou por interposta pessoa, quer regressar à liderança do Partido Socialista...

P.S - Os Socráticos divertiram-se muito ontem a criticar o jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, por ter cometido a ousadio de fazer perguntas a José Sócrates (vejam bem! Um jornalista fazer perguntas...). Bom, um espaço de comentário politico de autor é do seu autor - a sua força é a força da sua opinião. Contudo, o caso de José Sócrates é um caso singular: o seu espaço tem pouco de comentário politico e muito de auto-justificação. De facto, José Sócrates converteu o programa nas suas memórias e defesa do seu trabalho. Sendo assim, é perfeitamente legítimo, que o jornalista formule perguntas - e perguntas difíceis, mas óbvias -sobre o seu trabalho como Primeiro-Ministro! José Sócrates limitou-se a provar do seu veneno... É que, sem teleponto e as folhas que os assessores lhe dão, José Sócrates é outra coisa...

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O manifesto pífio dos 70 e a oportunidade perdida de Passos Coelho

João Lemos Esteves
8:21 Sexta feira, 14 de março de 2014

O país político, mais uma vez, parou para discutir uma absoluta irrelevância: um manifesto subscrito por 70 personalidades (e outras doutas personalidades que se esqueceram de entregar a assinatura atempadamente ou que foram surpreendidas pelo momento escolhido para a divulgação do mesmo), de diferentes alinhamentos políticos. Em rigor, não se trata de um manifesto: trata-se de um apelo político e de uma forma de tomada de posição política pública colectiva. Por outro lado, note-se que a atenção mediática que se gerou em torno do manifesto foi excessiva e injustificada: o manifesto nada traz de novo em relação ao conteúdo dos comentários, em jornais ou televisão, de personalidades como Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix ou Francisco Louçã. Ou em relação às teses brilhantemente defendidas por jornalistas económicos de enorme vulto como é o caso do Nicolau Santos, aqui do EXPRESSO. Uma última nota introdutória para adiantar que, em termos de substância, o apelo é paupérrimo, pois omite o essencial: como fazer e quando fazer a solução que propõe. Peca, pois, pelo seu carácter excessivamente vago. O que se compreende: seria uma impossibilidade lógica, uma tomada de posição política que junta gente da extrema-esquerda (como Francisco Louçã) à direita (como Diogo Freitas do Amaral) se comprometer com medidas específicas e declarações políticas com significado político. Portanto, a linguagem do apelo político é tão cuidadosa que acaba por redundar num conjunto de banalidades e frases feitas. Como justificar o seu impacto? Pelas personalidades envolvidas, algumas das quais (como Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix) que oficializam a sua "oposição" ao Governo de Pedro Passos Coelho. Além disso, o apelo político utiliza a expressão semântica considerada proibida entre nós: a de reestruturação da dívida pública.

Dito isto, passemos a analisar o pseudo-manifesto dos 70, começando pelo seu conteúdo, seguida das reacções do Governo e, terminando, com a indicação da posição que perfilhamos quanto à questão de fundo.

Pois bem, no que concerne ao conteúdo, refira-se que o único ponto que verdadeiramente introduz algo novo na discussão sobre o futuro próximo e relativamente longínquo de Portugal é a proposta de reestruturação da dívida pública ao sector oficial - ou seja, às instituições que nos emprestaram dinheiro. Aparentemente, não se trata (como Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite deram a entender ontem, nos seus espaços de comentário televisivo) de um "haircut" puro e duro - o que prova a irrelevância do Manifesto. Porquê? Porque pessoas como Francisco Louçã e Carvalho da Silva, que assinaram o Manifesto, defendem a reestruturação da dívida total, não limitada ao sector oficial. Mudaram a sua posição? Não nos parece - ou seja, há personalidades que assinaram o Manifesto e que mantêm, entre elas, interpretações diversas sobre o seu conteúdo. Em segundo lugar, a tónica do apelo político está centrada na actuação da União Europeia e das suas instituições - e menos na conduta ou opções que podem ser tomadas pelo Governo português. A única crítica, em rigor, ao Governo de Passos Coelho é implícita - relaciona-se com a condução da política externa europeia por parte de Passos Coelho. No fundo, os apelantes defendem que Passos Coelho deve ter uma posição mais dura para com as instâncias comunitárias, não sendo subserviente à política de Angela Merkel e do "alemão pequeno", como qualificou Francisco Assis. O que significa que este pseudo-Manifesto dos 70 foi pensado para ser apresentado na pré-campanha para as eleições europeias (lá para final de Abril/ início de Maio), com o intuito claro de fragilizar a coligação governamental. Porquê a antecipação? Por uma razão muito simples: é que este manifesto foi uma resposta clara ao prefácio de Cavaco Silva. E Cavaco sentiu essa dor, exonerando os seus colaboradores que subscreveram o dito Manifesto: evidentemente, que não foi porque o Manifesto acarretava o risco de subida dos juros da dívida pública portuguesa! Era só o que faltava que agora os accionistas andassem perturbados com o que o Louçã, o Carvalho da Silva, a Manuela Ferreira Leite (com toda a admiração que tenho por ela) e mais umas quantas personalidades andassem a assinar! A ser verdade seria a confirmação que o Mundo em que vivemos endoideceu de vez! Não: Cavaco Silva exonerou Sevinate Pinto porque sentiu o afrontamento político e a desautorização às suas palavras pela adesão do seu colaborador a uma acção política de contestação ao próprio Cavaco e ao Governo.

Quanto à reacção do Governo, há que distinguir. Por um lado, Passos Coelho, por uma vez na vida, esteve bem ao afirmar que a reestruturação da dívida não faz parte do plano do executivo. Surpreendido, caro leitor, por esta minha conclusão? Expliquemos: é que o pior que um político, sobretudo um Primeiro-Ministro, pode ter é estar em permanente ziguezague com contradições sucessivas. Se Passos Coelho, hoje, viesse afirmar que a reestruturação da dívida é o melhor para Portugal seria uma vergonha - seria inutilizar por completo os sacrifícios que os portugueses fizeram durante três anos, por imposição deste Governo, para que nos afastássemos da Grécia, conferíssemos confiança aos mercados quanto à nossa determinação no cumprimento dos nossos compromissos - e possamos trabalhar para um regresso, com a mínima turbulência possível, aos mercados. Propor a reestruturação da dívida, neste momento, não é atacar o Governo - é brincar com Portugal e com os Portugueses! Agora, que estamos a chegar à nossa primeira meta, vamos andar para trás? Vamos voltar ao ponto de partida? Isto é uma opção inteligente e sensata?

Passos Coelho - bem, mas politicamente inábil!  

Dito isto, julgo que Passos Coelho, não obstante ter estado bem ao não ceder neste momento, cometeu dois erros. Primeiro, revelou um espírito autoritário e mesquinho ao qualificar aqueles que assinaram o apelo político dos 70 são anti-patriotas. Defender medidas contraproducentes e desprovidas de timing estratégico é ser politicamente desastrado - mas não anti-patriota. Até porque, entre os 70, estão pessoas que já colaboraram com o Governo: por exemplo, um Professor brilhante e notável da minha Faculdade, o Professor Fausto de Quadro, foi o responsável, por nomeação do Governo de Passos Coelho, pela elaboração do projecto de revisão do CPA e do CPTA - certamente, o Governo não confiaria tão relevante tarefa a pessoas anti-patriotas.

Ademais, Passos Coelho perdeu a oportunidade de ouro para explicar cabalmente a razão de ser da sua posição, com moderação - mostrando que tudo fará para que Portugal, após passar esta primeira meta, tenha condições mais favoráveis de pagamento dos compromissos financeiros por si assumidos. Que explicará nas instituições próprias da União Europeia que todos ganharemos com a criação de um quadro macroeconómico mais favorável para "alavancar" a economia portuguesa, alterar o seu paradigma e promover a sua competitividade. Que se crescermos economicamente, mais condições teremos para também pagar o que devemos. Portanto, os nossos credores são interessados directos no revigoramento da nossa economia. Com isto, Passos Coelho tirava o tapete por completo ao PS de António José Seguro.

Em suma, onde está a razão? No nosso entendimento, ninguém com responsabilidades (quer António José Seguro, quer António Costa, perceberam-no) pode publicamente defender a reestruturação da dívida. É a pior solução possível! Agora, o Governo deve é com, discrição, prudência e sensatez, trabalhar "nos bastidores" a renegociação de condições mais favoráveis para Portugal. Sem alarmes, sem golpes mediáticos, mas explicando, em oportuna e devida altura, aos portugueses. Eis, pois, o que faríamos se tivéssemos responsabilidades governamentais. É a vida dos portugueses que está em jogo - e com elas não se pode brincar!

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Paulo Rangel: o "Pongo" de Passos Coelho ou a vida de cão em Bruxelas?

João Lemos Esteves
8:02 Quarta feira, 12 de março de 2014

Paulo Rangel, sem surpresa, é o cabeça de lista do PSD às eleições europeias. Evidentemente, é um tiro favorável para Passos Coelho. Desde logo, porque é trazer o seu principal adversário nas últimas directas, que verdadeiramente contaram, para o seu círculo político próximo. Em segundo lugar, é contar numa eleição importante como serão as próximas eleições europeias - porque serão um ensaio para as legislativas - com um político muito bem preparado, com um pensamento claro sobre o projecto político europeu (não por acaso o transconstitucionalismo é um dos seus temas predilectos de estudo e investigação académica) e um poder de retórico muito forte. E muito combativo em debates eleitorais. Por outro lado, ter Paulo Rangel como seu candidato, permite a Passos Coelho segurar o partido contra Rui Rio - de facto, até Junho, no pior dos cenários, o fantasma Rui Rio andará escondido. Porquê? Porque Paulo Rangel era apontado como o "braço direito", o " ideólogo" de Rui Rio - ora, não é politicamente sustentável que Paulo Rangel esteja a fazer campanha, procurando o melhor resultado possível (porque ele também estará em cheque politicamente) e a preparar o partido para uma alternativa a Passos Coelho. E Rio, por seu turno, não tem ninguém cum um perfil tão bom como Paulo Rangel para seu número dois. Portanto, foi uma escolha certeira de Passos Coelho.

Dito isto, pergunta-se: foi uma boa decisão esta a de Paulo Rangel aceitar ser o cabeça de lista de Passos Coelho nas próximas europeias? Bom, devo começar que caso fosse Paulo Rangel, eu teria recusado simpaticamente o convite. Isto porque teria concluído que o meu contributo à Europa e à construção da solidariedade europeia estava dado, até porque a União Europeia hoje é uma realidade fortemente centralizada e com o ascendente (dominante) de um país: a Alemanha. Este era o momento de me assumir como um político com claras aspirações nacionais - e iniciar, sem dúvidas nem hesitações, um caminho próprio. Mas Paulo Rangel pensou diferentemente. Em que termos? Vejamos.

Ora, Rangel está convencido que é melhor, para o seu futuro político, ter um cargo de protagonismo e de exercício formal de poder - do que não ter de todo. De facto, Rangel ponderou muito - chegando à conclusão de que se não tivesse aceitado o convite para encabeçar a lista às europeias, seria afastado das posições centrais de decisão do PSD. É que Paulo Rangel jamais seria convidado para as listas a constituir para as legislativas (e tal jamais lhe interessaria, porque seria indelevelmente ficar associado a Passos Coelho) - e, internamente, no PSD, Paulo Rangel não tem tropas no aparelho, o que, face às actuais circunstâncias, significaria quase uma impossibilidade objectiva de manter o seu protagonismo. Mais: Paulo Rangel seria uma sombra de Rui Rio. Pois bem! Esta é, na nossa perspectiva, a principal razão para que Paulo Rangel tenha respondido afirmativamente a este apelo de Passos Coelho: é que Rangel percebeu que foi excluído da discussão sobre o futuro, pelo menos a curto-médio prazo, da liderança do PSD. Efectivamente, a discussão sobre a liderança do PSD há muito que se polarizou entre Passos Coelho e Rui Rio - sendo este último o sucessor natural do actual Presidente do Partido. Paulo Rangel jamais se poderá candidatar contra Rui Rio: o que significa que as suas possibilidades de chegar à liderança do Partido são extremamente remotas.

Uma última nota sobre o Twitter 101 Dálmatas apresentado por Paulo Rangel: muitos se surpreenderam pelo nome tão pomposo, tendo Paulo Rangel esclarecido que não resultou de uma estratégia de marketing, tendo-lhe saído por acaso. Quanto a nós, entendemos que a referência aos 101 dálmatas teve um objectivo de marketing: é que Paulo Rangel é um intelectual, com um ar distante, frio e com pouca empatia. Ora, a referência às adoráveis personagens de Walt Disney é sempre uma ternura... Até porque Paulo Rangel tem uma enorme paixão por cães! Agora, que a ideia é ridícula, é. Enfim, esperemos bem que Paulo Rangel não queira ser o "Pongo" (o Dálmata principal do filme) de Passos Coelho, sob pena de se perder um verdadeiro talento político....É que os números podem ser um bocadinho melhores: mas a vida continua muito difícil em Portugal. Uma verdadeira vida de dálmata, isto é, uma verdadeira vida de cão...

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O regresso do "herói" Miguel Relvas: Nuno Crato já foi demitido?

João Lemos Esteves
6:58 Quarta feira, 5 de março de 2014

Após semanas repletas de trabalho, voltamos hoje (ainda que com algumas intermitências) às crónicas regulares aqui no POLITICOESFERA. Enquanto estive ausente, fui registando os factos políticos mais relevantes, mais insólitos e mais surpreendentes. Hoje, terei de me pronunciar sobre o facto mais insólito deste ano (até ao momento, mas dada a sua bizarrice será difícil de superar) político: o regresso de Miguel Relvas à política activa, por via da sua eleição para o Conselho Nacional do PSD. Miguel Relvas - registe-se, para memória futura - encabeçou a lista de Pedro Passos Coelho, elegendo apenas 18 representantes. Valeu a pena esta aposta de Pedro Passos Coelho? A primeira resposta seria um categórico "não": Passos elegeu apenas 18 representantes para o Conselho Nacional, obtendo o seu pior resultado de sempre em eleições internas. O que mostra bem como o PSD é um partido fantástico: enquanto Passos Coelho apresentava com alegria e satisfação o nome de Miguel Relvas, os militantes olhavam-se entre si, estupefactos, a questionar se tal revelação era mesmo verdade! Os militantes do PSD não aguentam Passos Coelho, discordam de Passos Coelho - mas, colocando o interesse de Portugal em manter a estabilidade política num momento em que Paulo Portas chamou para si a liderança do Governo, vão aguentando o seu "líder" de Partido.

Dito isto, a verdade é que Passos Coelho cumpriu os seus objectivos ao fazer regressar Miguel Relvas à política activa (sim, porque Relvas está de volta: só por ingenuidade será possível afirmar que Relvas vai para um órgão nacional do PSD para "brincar" ou para "andar a esconder-se"...). Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, Passos Coelho mostrou claramente que defende o seu núcleo duro até ao "último sopro", custe o que custar. Passos Coelho deixou cair Relvas no ano passado, num episódio que causou algum atrito na relação entre os dois. E Relvas, ao contrário do que afirmou, não tem andado desaparecido da vida do partido. Relvas é incapaz de deixar a política - porque depende dela e os seus negócios estão a ela associados. Relvas precisa de poder - sem poder não há Relvas. É uma questão de sobrevivência. Ora, o que tem feito Miguel Relvas? Miguel Relvas, como vingança da atitude do Primeiro-Ministro, andou a sondar a disponibilidade de gente não alinhada com Passos para formar uma alternativa à sua liderança. Ou seja, Relvas percebendo que Passos Coelho estava muito enfraquecido e que tinha quebrado o dever de solidariedade que os unia, tentou criar uma onda de agitação no partido e através de alguns meios de comunicação social (os almoços com alguns jornalistas mantiveram-se). Há quem diga que Miguel Relvas chegou a almoçar com Rui Rio algumas vezes - não sei se tal rumor tem ou não fundamento: direi apenas que é muito provável que tenha algum fundo de veracidade. Ora, Passos Coelho, ao convidar Miguel Relvas, volta a ter o seu amigo "operacional" consigo para dominar a máquina, para preparar as eleições autárquicas (Relvas mexe-se muito bem nos bastidores e ainda tem algumas posições estratégicas em algumas redacções) - e dá uma imagem de força política. De facto, se Passos Coelho não estivesse confiante de que a conjuntura lhe é particularmente favorável, não terei certamente chamado Miguel de Relvas de volta - no fundo, o sinal que pretende dar aos Portugueses é o de que ele rinha razão desde o início, até na equipa que formou! E que Miguel Relvas é um dos protagonistas do "milagre económico português" - merecendo, por conseguinte, um reconhecimento por tal feito! Passos Coelho já dá a sua vitória nas legislativas como dado adquirido!

Por outro lado, Passos Coelho pretendeu com o regresso de Miguel Relvas colocar travões à ascensão, segura e meritória, de Marco António Costa dentro do PSD - mas também no País. Marco António Costa tem sido a revelação do "passismo": seguro, muito trabalhador, com um discurso social forte e um trabalho notável de concertação e colaboração com as Misericórdias. Até um conhecido meu comunista elogiou a qualidade do trabalho de Marco António Costa! - o que é obra! Marco António Costa é muito melhor do que muitos (incluindo eu) julgavam! Ultimamente, têm surgidas inúmeras divergências - sobre matérias politicamente importantes - entre Passos Coelho e Marco António Costa. O regresso de Miguel Relvas é, pois, também uma forma de Passos Coelho controlar Miguel Relvas. Passos Coelho quer ser ele a dominar a máquina, sem qualquer contestação. Eis as verdadeiras razões do regresso de Miguel Relvas.

Enfim, Passos Coelho não vive sem Miguel Relvas. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... Refira-se, ainda, que o regresso de Relvas é uma desautorização objectiva de Nuno Crato: então, o Ministro da Educação retira o diploma a Relvas e Passos Coelho vem reabilitar o seu ex-Ministro? Tem alguma lógica? Por isso é que Passos não consegue ter pulso no Governo, precisando de Paulo Portas...

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Capucho: Passos Coelho também não deveria ser expulso do PSD?

João Lemos Esteves
9:08 Segunda feira, 10 de fevereiro de 2014

Escrevo hoje aqui no POLITICOESFERA em jeito de homenagem a António Capucho. Parece que o órgão de "justiça" do PSD, presidido pelo Professor Calvão da Silva, decidiu expulsar o militante António Capucho, devido à sua candidatura independente à Assembleia Municipal de Sintra contra a candidatura oficial do partido, liderada por Pedro Pinto. Foi esta uma boa decisão? Do ponto de vista técnico-jurídico, parece que sim: Calvão da Silva é um jurista qualificado e encontrou um critério certo e seguro - a apresentação da certidão de candidatura apresentada pelo s tribunais. Portanto, António Capucho, com comprovação judicial, candidatou-se contra o candidato do PSD - logo, é expulso do partido. Contudo, esta simplicidade de critério decisório jurídico esconde a profunda injustiça política.

António Capucho é muito mais do que o candidato que se recusou a apoiar Pedro Pinto em Sintra - posição, aliás, que os eleitores sintrenses secundaram ao rejeitar liminarmente a candidatura (muito estranha, refira-se) do PSD. Capucho é fundador do Partido, tendo estado ao lado de Francisco Sá Carneiro, tem uma vasta experiência política, incluindo ao nível governamental, e deixou um magnífico legado à frente da gestão autárquica de Cascais. Por conseguinte, António Capucho merecia, no mínimo, um pouco de respeito por parte de Passos Coelho. Mas não: como os portugueses estão fartos de saber, a palavra "respeito" não consta do léxico do Primeiro-Ministro. Por outro lado, Passos Coelho revela uma ignorância profunda pela História de Portugal e até pela história do PSD. Mais: Passos Coelho despreza a história do PSD. Porque, no fundo, Passos Coelho é um daqueles militantes que está no PSD, como poderia estar no PS, desde que fosse mais fácil ingressar e ascender neste partido. Daí que Passos Coelho nada saiba sobre Francisco Sá Carneiro; ignore Mota Pinto; odeie Marcelo Rebelo de Sousa e insulta, em privado, Manuela Ferreira Leite. António Capucho já fez tanto, tanto pelo PSD, que não pode deixar de chocar todos os militantes do partido a sua expulsão!

Em rigor, aliás, quem deveria ser expulso não era António Capucho: era Pedro Passos Coelho quem deveria ser responsabilizado. Porquê? Atente-se no último processo eleitoral autárquico. Houve uma série de candidaturas da área política do PSD que Passos Coelho recusou - e que teriam vencido sem dificuldades o PS. Por exemplo, o caso de Marco Almeida, em Sintra. O caso da Covilhã, em que o PSD perdeu a Câmara depois de uma gestão autárquica brilhante porque Passos Coelho quis apoiar um amigo seu, que acabou por perder pornograficamente! O caso do Porto, em que Passos Coelho retribuiu favores políticos a Menezes, o que se saldou na derrota estrondosa do PSD. E muitos mais casos se poderiam enunciar...ora, quem é que prejudicou gravemente o PSD? Foi António Capucho? Ou Passos Coelho? Não me parece que tenha sido António Capucho. A derrota do PSD nas autárquicas tem um rosto claro: Pedro Passos Coelho. Se António Capucho é expulso, não há nenhuma sanção para a irresponsabilidade, para a péssima gestão política de Passos Coelho? Que sacrificou o interesse das populações locais e do PSD em prol do "amiguismo" e dos favores políticos?

Uma última nota para os militantes expulsos: compreendo a vossa decisão de se candidatarem noutras listas que não as do PSD de Passos Coelho. O nosso partido foi sequestrado por um grupo muito, enfim,...peculiar. Assim que recuperarmos o nosso partido de volta, o nosso PSD, então, terão evidentemente a porta aberta! Porque o PSD precisa de militantes que não se verguem, que nunca se vergaram, à tragédia que é a liderança de Passos Coelho!

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As praxes e a Sócrates de saias!

João Lemos Esteves
11:27 Terça feira, 4 de fevereiro de 2014

A segunda-feira é um dia televisivo excelente. Na SIC NOTÌCIAS, temos o programa "Dia Seguinte", que muitos consideram o "Batatoon" para os adultos. Eu, por acaso, gosto de ver a reposição do programa às 3h da manhã: é interessante o grau de agressividade, ver gente ligada à política, ao Direito, utilizar linguagem comum, como se estivessem no café da esquina a ver o jogo. Tenho saudades do Dias Ferreira - mas não se pode ter tudo...Na TVI 24, temos o privilégio de assistir a um formato de comentário futebolístico deliberadamente cómico: aqui, o futebol é apenas a premissa inicial, o "pontapé de saída" para 90 minutos com momentos únicos. Assim podemos ver Manuel Serrão vestido de D.Afonso Henriques e colocando um véu nos olhos para mostrar que tem uma confiança cega no treinador do Futebol Clube do Porto, Paulo Fonseca; Fernando Seara a soltar gargalhas estridentes, teorizando o fenómeno, só acessível a eruditos, do futebol e o Eduardo Barroso - uma pessoa certamente mais do que encantadora, um grande médico, reconhecido internacionalmente, que eu admiro muito - a contar os pormenores pitorescos do seu fim de semana e a explicar a tese de que o árbitro Pedro Proença prejudicou o Sporting no jogo com o Estoril de propósito, com a intenção deliberada de gozar com o nosso querido Dr. Barroso e a sua família, que se deslocaram ao Estoril e passaram frio e vento - para depois, o "Proença" fazer com que o Sporting empatasse! Não há direito! Como se vê, divirto-me imenso à segunda- feira - obrigado canais noticiosos portugueses!

Contudo, a cereja no topo deste bolo delicioso é o programa peculiar da RTP 1 designado "Prós e Contras". Devo dizer que o formato era bem pensado quando surgiu (lembro que teve uma versão embrionária chamada "Gregos e Troianos", ideia de Emídio Rangel, que foi para a RTP no final do guterrismo, apresentado por Júlia Pinheiro) - no entanto, era muito criticado na altura. Depois, Luís Andrade e Nuno Santos chegam à direcção de programas da RTP e alteram o programa para algo mais discreto, que, com algumas diferenças, é os "Prós e Contras" actual. O programa sofreu muito com a difusão das redes sociais e dos blogs -agora, a discussão é imediata, enquanto o "Prós e Contras" é televisivamente muito lento. Por outra banda, o "Prós e Contras" que era único e importante quando foi criado, tornou-se apenas mais um programa de debate - culpa das televisões. Hoje em dia, em virtude da multiplicação de canais informativos (para além dos da SIC, RTP e TVI, agora temos o CM TV e o Porto Canal), as televisões diariamente têm programas de debate, em que chamam a intervir políticos, intervenientes das situações, mas também técnicos, peritos, académicos...enfim, quando chega a segunda-feira, já tudo foi discutido! O "Prós e Contras" se teve uma grande importância noutros tempos, hoje a sua importância é residual. Tem um mérito: leva a televisão a outros sítios do país que não Lisboa. Ontem, a Coimbra - cidade natural para quem se propõe discutir as praxes. Passemos, então, muito brevemente, a expressar a nossa posição sobre este tema.

Em primeiro lugar, devo dizer que é um tema que me interessa tanto como a notícia de que uma jovem chamada Érica - que já dormiu com 200 homens - ganhou o Big Brother. Bom, calma aí meus amigos do Bloco de Esquerda, anarquistas, maoístas: não estou a dizer que o fenómeno em si seja irrelevante. Nem tão se pouco se trata de uma desculpabilização da violência. Onde quer que haja violência e violação dos direitos de personalidade dos estudantes, eu reagirei e condenarei. Mas praxes e violência não são sinónimos: pelo contrário, a violência é o contrário das praxes, como muito bem disse o meu querido ex-director da minha Faculdade, Professor Eduardo Vera-Cruz Pinto. Claro que na mente de certos fanáticos tentar perceber esta realidade elementar é muito complicado - e não lhes interessa porque deixam de ter mais uma "causa fracturante" para andar aos berros na televisão! Vamos, então, colocar a questão ao contrário: uma praxe que consista numa pintura facial do nome da faculdade na cara ou um cântico a louvar a instituição onde se ingressa? Isto é violência? Não. É uma praxe? Pois, para uma certa intelectualidade e gente de esquerda que agora despertou, não é uma praxe - porque a praxe é coisa muito violenta! Mas claro que é uma praxe: portanto, sejamos racionais, por amor de Deus! Praxe e violência são coisas diferentes. Da mesma forma, que se encontrar alguém a bater violentamente noutra pessoa na rua, estou perante um acto de violência - mas não é uma praxe!

Fernanda Câncio e as regras mínimas de cortesia social (vulgo, boa educação!)  

Por que razão surgiu esta discussão em torno das praxes? Convém sermos sérios e não nos esquecermos do facto que a desencadeou: a morte de 4 jovens na praia do Meco, assumindo-se já que a morte foi uma causa directa e adequada das praxes e do dux (o único sobrevivente). Mas atenção: nada foi apurado! É certo que os jovens foram para uma casa ali perto para discutir como seriam as praxes - mas não sabemos se há uma ligação directa entre aquilo que os jovens fizeram no mar e praxes! Até porque os portugueses já condenaram o único sobrevivente: passou, num espaço de horas, de vítima a criminoso. Aqui é minha função social como jurista puxar pela razão e bom senso: todos são inocente até decisão em contrário, transitada em julgado, de um tribunal, órgão do Estado. Não há julgamentos feitos na comunicação social.

Termino, lamentando a intervenção de Fernanda Câncio, ontem no "Prós e Contras". Eu considero-a uma mulher muito inteligente, com um bom domínio da linguagem televisiva e certamente uma pessoa fantástica. Mas, o seu pedantismo, a arrogância com que trata os argumentos contrários aos seus, o seu feitio autoritário, a má educação de aparecer na televisão, enquanto os outros falavam, a mexer constantemente no telemóvel (que é uma coisa que eu não admito a um aluno meu numa aula!) matam qualquer credibilidade que se possa reconhecer ao seu discurso! Fernanda Câncio é um exemplo perfeito daquela classe que precisa de converter tudo num reality show para se alimentar mediaticamente - e continuar a aparecer nas televisões...

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O Rui Pedro está vivo!

João Lemos Esteves
7:49 Segunda feira, 3 de fevereiro de 2014

Nós andamos tão empenhados, tão concentrados nas minudências políticas do quotidiano, nos problemas que a crise vem causado à vida de todos nós, que esquecemos os nossos pequenos grandes tesouros. Projectámos um certo modelo para a nossa vida para, afinal, constatar que estamos dependentes da incúria e da incompetência dos (poucos) que governaram e governam Portugal. Tivemos, pois, que adaptar a nossa concepção de felicidade às contingências dos tempos árduos que enfrentamos. E a felicidade - a nossa maior felicidade! - está frequentemente mesmo ao nosso lado. Está ali mesmo: na nossa casa, na nossa família. Família essa cujos contornos políticos e jurídicos tem sido objecto de intenso debate no espaço público e mediático. Fala-se muito de co-adopção. Fala-se muito se a consagração do direito à adopção por parte de casais homossexuais. Fala-se muito sobre se o Tribunal Constitucional não deveria ter invalidado a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Fala-se, fala-se, fala-se - e fala-se muito, demais e muitas vezes com deficiências técnicas, compromissos cegos com uma agenda política pré-determinada e sem reflexão crítica. Reduz-se, pois, a discussão pública ao mero preconceito infundado - ou às banalidades repetidas à exaustão (como se uma banalidade, porque repetida várias vezes, se pudesse converter numa grande ideia...).

Estas reflexões vêm a propósito da passagem de mais um ano sobre o desaparecimento, ainda em termos por esclarecer, do menino Rui Pedro. Devo confessar que o facto noticioso que mais me marcou na vida até agora foi o desaparecimento do Rui Pedro - é preciso tomar em consideração que quando este facto sucedeu, o autor destas linhas estaria entre a infância e a adolescência. Lembro-me, no entanto, perfeitamente da reportagem feita pela Ana Leal, da TVI, dramática e chocante, mas muito bem feita. O que retenho de mais impressivo da reportagem foi o sofrimento da família: da mãe, a Senhora Filomena, mas também da irmã do Rui Pedro, que tentava ser o consolo da mãe, dedicando-se aos estudos (julgo que entretanto conseguiu concluir a licenciatura). E do avô- que passou a dedicar, em exclusivo, a sua vida à procura de pistas que pudessem levar ao Rui Pedro, grande suporte de Filomena, e que, entretanto, faleceu sem conseguir cumprir aquele que passou a ser o seu desígnio de vida. A maldade hedonística de uns quantos homens conduziu à destruição de uma família completa- e ao desperdício de uma vida que era, ainda, muito longa. Se perder uma vida humana já é difícil, perder uma criança nestas circunstâncias é muito mais aterrador.

Infelizmente, o caso do Rui Pedro representou um falhanço nosso enquanto Estado-Colectividade: as nossas autoridades policiais revelaram-se inoperantes para resolver este caso. Cumpre, pois, fazer um exercício que nunca vi ninguém a fazer: sintetizar o que correu mal; o que se poderia ter feito melhor; de que meios as autoridades de investigação criminal necessitam para responder eficazmente a este tipo de situações; situação actual do tráfico de crianças para abusos sexuais ou outros fins. Hoje, precisamos de pensar, de uma vez por todas, numa rede de cooperação policial e judiciária para não deixar impune qualquer ilícito criminal deste tipo! Aliás, hoje é ainda mais premente: a globalização, a inexistência de fronteiras físicas entre Estados integrantes de um bloco económico-político regional e a força e facilidade da internet no aliciamento de crianças, tornam a nossa sociedade muito mais perigosa a sociedade para as nossas crianças. É premente muito zelo por parte dos pais, sem qualquer paranóia claustrofóbica, e um papel activo do Estado na defesa dos menores. Discute-se quais devem ser as funções do Estado: pois bem, não há dúvidas de que a protecção das pessoas mais vulneráveis da sociedade contra qualquer ofensa à sua vida e à sua liberdade é o primeiro objectivo da Comunidade Política. Daí que os práticos do Direito, as Faculdades de Direito e os Centros de Investigação devem conceder cada vez mais importância ao Direito dos Menores, cruzando o Direito Civil, o Direito Penal, o Direito Processual Penal e o Direito Constitucional para encontrar o quadro jurídico mais eficaz de protecção das crianças portuguesas.

Termino dizendo que a Senhora Filomena, mãe do Rui Pedro, é uma verdadeira heroína. Carregando as marcas bem visíveis do sofrimento, da dor mais terrível que alguém pode sentir, não desistiu. Não renunciou à esperança: hoje, ainda acredita que, mais tarde ou mais cedo, o Rui Pedro voltará a casa. E quando as forças pareciam desvanecer-se, eis que Filomena, ainda assim, soube ser uma mãe exemplar para a sua filha - mesmo no desespero, soube encontrar amor; mesmo na tristeza profunda, soube encontrar o rasgo de alegria que a vai permitindo viver com a sua filha. Na altura, mesmo na criança (já então tinha a tendência para problematizar), conclui que este caso mostra que o Ser Humano é capaz dos actos mais hediondos- mas, por outro lado, dos actos mais heróicos. O caso do Rui Pedro espelha a dicotomia da existência humana.

Eu, crente, com um fé inabalável em Deus, pergunto muitas vezes: se Deus é bom e zela por nós, porque razão causa tamanho sofrimento ao Rui Pedro e à sua família, neste caso, mas a tantas outras em situações parecidas? A explicação que tenho é a seguinte: Deus acredita nas potencialidades do nosso livre arbítrio, na nossa capacidade de discernir o Bem do Mal, e, tal como o Pai que não asfixia o seu filho, deixa-nos viver livremente. No entanto, há filhos Seus que optam pelo Mal - e estes actos do Mal devem servir para nos lembrarmos que o Bem não é um dado adquirido, antes temos de o praticar dia a dia , minuto a minuto, segundo a segundo.

Termino com a pergunta central: o Rui Pedro está vivo? Sim, o Rui Pedro está vivo. Estará sempre vivo na nossa memória: mesmo que seja demasiado tarde para fazer Justiça em benefício do Rui Pedro, honremo-lo evitando que novos casos destes sucedam e castigando devidamente quem comete estes ilícitos criminais. Para nós, o Rui Pedro nunca morrerá: continuará a ser a criança que esboça um tímido sorriso como na foto e um dia voltará do seu passeio de bicicleta. Nesse dia, far-se-á Justiça.

Email: politicoesfera@gmail.com

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Marcelo Rebelo de Sousa: o candidato presidencial do PSD, CDS e...PCP e BE!

João Lemos Esteves
8:13 Sexta feira, 31 de janeiro de 2014

Recebi inúmeros mails de leitores na conta do Politicoesfera, questionando sobre a razão de ser do meu silêncio sobre as presidenciais, designadamente sobre o passo da moção de Passos Coelho em que ataca Marcelo Rebelo de Sousa. Em rigor, já aqui escrevi sobre as presidenciais, revelando a preferência de Passos Coelho por Pedro Santana Lopes - e qualificando como erro crasso a falta de cordialidade e de respeito com que Passos Coelho tratou Marcelo Rebelo de Sousa (como já também escrevi em texto anterior não me surpreende: Passos Coelho é a antítese de Marcelo e sofre de um complexo de inferioridade, pelo que os "ataques" ao Professor eram expectáveis). Porquê não ter abordado a reacção de Marcelo Rebelo de Sousa e o que deve o Professor fazer expressamente em texto autónomo? Por uma razão muito simples: a minha posição é deveras conhecida - e já a explanei, com desenvolvimento, quando o tema das presidenciais ainda não marcava a agenda política. Acredito piamente que Marcelo Rebelo de Sousa será o próximo Presidente da República de Portugal - e desempenhará as suas funções com brilho, seriedade e devoção à nossa Pátria. Com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016, marcaremos definitivamente a viragem para um novo ciclo. Para uma nova página na História gloriosa e que muito nos honra (mau grado as vicissitudes dos tempos recentes - mas o presente não nos pode levar a ignorar e a esquecer o passado e a temer e desperdiçar o futuro.

Claro está que os "arregimentados" do status quo e os funcionários do Governo - que auferem mais de 3000 euros para me vir aqui insultar, bem como à grande maioria dos comentadores que não obedecem cegamente nem dependem dos favores políticos - vão já aqui começar a insinuar que eu apoio Marcelo Rebelo de Sousa por mera conveniência. Ora, eu percebo que o façam: no fundo, acham que toda a gente rege a sua vida pelo mesmo critério que eles. Ora, eu posso aqui revelar que era ainda estudante do 9.º ano - tinha 14 anos na altura -, morava e estudava na Gafanha da Nazaré (relativamente longe, por isso, de Lisboa e de Cascais - sim, é verdade, ao contrário do que foi escrito nalguns blogues não sou um menino de Cascais - não é que tivesse algum problema com isso, digo apenas para mostrar que não conhecia nem havia nenhuma relação familiar com Marcelo Rebelo de Sousa) - e escrevi uma carta ao Professor, para o endereço da Faculdade de Direito de Lisboa, exortando-o a avançar para a liderança do PSD, pois Portugal não podia prescindir de uma inteligência tão viva, séria e carismática. Escrevia já, então, os portugueses não acreditavam nos políticos - mas acreditavam em Marcelo Rebelo de Sousa. E contava a história que ocorreu no ciclo da Gafanha da Nazaré quando um ex-preso político, comunista, foi dar uma palestra aquando da comemoração do 25 de Abril, e comentando a actualidade política afirmou que Portugal tem o PSD, o PS, o PCP, o CDS - e Marcelo Rebelo de Sousa (na altura o BE dava os primeiros passos e viria a afirmar-se nas europeias de Junho desse ano).

Por conseguinte, eu entendo que Marcelo Rebelo de Sousa deve ser o próximo Presidente da República, não por qualquer forma de projecto pessoal, mas porque, no meu comentário/pensamento político, só tenho um critério: o superior interesse da Nação Portuguesa. De todos os portugueses - e não só de alguns, dos mais poderosos, dos que por meios ínvios chegaram a cargos de alta responsabilidade sem preparação, ideias ou convicções. Se a minha motivação fosse interesses pessoais, então, hoje seria passista, bajulava Passos Coelho, não me comprometia com Rio, mas também não o criticava, ficaria caladinho, dá uns "palmadinhas nas costas" a este e aquele - e teria a minha vida lançada. Hoje estaria muito bem, sem problemas. Mas não consigo: não me posso calar face ao mal que causam à minha Pátria. Não me posso resignar perante a desvalorização da actividade nobre que é a Política num mercado de "compra e venda" de interesses, liderada por meros "gestores de influências". É difícil ser livre? Muito. Para alcançar um objectivo simples, temos de trabalhar cinco vezes mais do que seria normal. De repente, tudo se torna problema: há sempre alguém para nos tramar a mando de outrem. Não quero saber. Não troco convicções por conveniências. Mantenho, reitero e reforço mais do que nunca a minha convicção de juventude: Portugal não pode prescindir de alguém como Marcelo Rebelo de Sousa - Marcelo será o Presidente da Esperança e da Confiança em todos - mesmo todos! - os portugueses. Muitos me dizem que ao elogiar Marcelo Rebelo de Sousa só me prejudico a vários níveis - dada a sua irreverência, a inteligência e a honestidade é natural que tenha "anti-corpos" entre os que se julgam "donos" da democracia. Mas, como sabem, a mim, ninguém me diz o que fazer, o que dizer ou tão pouco o que pensar. Não tenho medo nenhum: estive, estou e estarei sempre com Marcelo Rebelo de Sousa. Independentemente do que vier a acontecer, independentemente da sua decisão, Marcelo Rebelo de Sousa terá o meu apoio.

Hoje, uma sondagem do jornal "i" mostra que 70% dos portugueses discorda da decisão de Passos Coelho de excluir Marcelo Rebelo de Sousa da corrida presidencial. E entre os quais, muitos são eleitores do PS, do PCP e do BE - o que mostra que os portugueses sabem distinguir muito bem os partidos das pessoas e pensar no que é melhor para Portugal. Mais uma vez, Passos Coelho completamente afastado dos portugueses...

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