31 de Julho de 2014
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Francisco Assis v. Paulo Rangel: quem venceu?

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Hoje, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, realizou-se o primeiro (e, porventura, único) frente-a-frente entre os cabeças de lista do PS e do PSD às próximas eleições europeias, de dia 25 de Maio. Mérito muito da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que coseguiu realizar uma inicativa muito relevante para o aprofudamento da cidadania, na medida em que foi um momento único de esclarecimento dos eleitores (dos estudantes, docentes e fucionários da Faculdade, mas também de outras faculdades - e dos portugueses em geral, visto que a comunicação social esteve presente em peso). Julgo, pois, que a grande vencedora do debate foi a Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (AAFDL) e, consequentemente, a própria Faculdade de Direito de Lisboa (reforçando a sua posição de melhor Faculdade de Direito de Portugal, e muito provavelmente do espaço lusófono, exercendo o seu papel e verdadeira Academia: um lugar de estudo, e investigação - mas onde cabe a intervenção nos temas candentes da vida social). Porque, afinal de contas, a Faculdade de Direito e Lisboa só faz sentido se contribuir activamente para a construção de uma sociedade mais justa, com pleno respeito pelos direitos individuais de cada cidadão e pela garantia de codições plenas para que cada cidadão se afirme plenamente como tal. Dito isto, vamos ao debate: foi um debate interessante? Foi esclarecedor? Quem esteve melhor: Francisco Assis ou Paulo Rangel? Quais as notas que cada candidato merece?

Debate pouco interessante: as lógicas sos partidos sobrepuseram-se às lógicas dos candidatos 

Bom, comecemos por responder à primeira questão formulada. Há que afirmar, sem rodeios, que foi um debate muito pouco esclarecedor. O que se percebe: não há para debater nestas eleições europeias. Por um lado, porque depois das europeias, no contexto europeu, tudo ficará na mesma, ganhe o PS (o PPE), quer ganhe o PS (o PSE, na escala europeia). Note-se que o candidato à Presidência da Comissão Europeia apoiado pelo Partido Socialista (o alemão, Martin Schulz) pertence ao mesmo partido que integra o governo liderao por Angela Merkel - e que subscreveu a política europeia (e externa) merkeliana. E que - como muito bem realçou Paulo Rangel - no debate com Jean-Claude Juncker, o candidato apoiado pelo PPE, Martin Schulz, socialista, no essencial, estava de acordo com a política defendida pelos partidos políticos europeus de centro-direita e direita.

Ora, se nem os candidatos à Presidência da Comissão Europeia discordam, com que fundamentos ou motivos poderiam/deveriam os candidatos ao Parlamento Europeu (sendo que, no actual sistema institucional da União Europeia, os eurodeputados muitas vezes não passam de baratas-tontas) discordar? Neste contexto, o surpreendente seria Rangel e Assis discordarem sobre o futuro da União Europeia e sobre o papel das instituições europeias! Eles sabem, mas não querem dizer, que quem manda é a Alemanhae ponto final - provavelmente, esta tendência de centralização num directório liderado pela Alemanha será reforçada após as europeias. Foi, pois, um debate muito pouco esclarecedor sobre as questões europeias que interessam (ao ponto de uma senhora na plateia ter perguntado, em alto e bom som: "então e a Europa?"). Sobre a questão da subida da extrema-direita em França e eventuais consequências ao nível europeu - nem uma palavra. Sobre as deficiências do Tratado de Lisboa e a reforma institucional da União Europeia - nem se ouviu falar. Sobre a participação popular na formação das decisões políticas ao nível europeu - nem uma simples referência. 

Por outro lado, o debate não poderia ser esclarecedor porque Paulo Rangel e Francisco Assis estão presos nas estratégias dos líderes dos respectivos partidos. De facto, o que tivemos (e o que teremos durante toda a campanha para as europeias, que mais uma vez irá passer despercebida) foi Francisco Assis a puxar para as questões políticas internas - porque lhe são mais favoráveis, atendendo ao estado de popularidade do Governo Passos Coelho - evitando debater as questões europeias; e Paulo Rangel a tentar puxar o debate para as questões europeias (porque lhe são mais favoráveis, atendendo às contradições do Partido Socialista Europeu e dos vários partidos socialistas dos países europeus, e porque percebe que domina melhor as questões europeias do que Francisco Assis), evitando a discussão de assuntos politicos de natureza interna. Confirma-se, pois, que ambos os partidos - especialmente o PS - encaram as eleições europeias como um estágio para as eleições legislativas.

Por fim, quem venceu o debate? Na nossa opinião, Paulo Rangel. Francisco Assis esteve bem, atendendo a que foi a 13.ª escolha de António José Seguro para encabeçar a lista do PS às europeias. Mas, como, apesar de tudo, nós julgávamos que gabarito intelectual de Assis o iriam impeder de optar pelo caminho fácil de uma campanha de questiúnculas partidárias sem qualquer importância, ficámos desiludidos com a prestação do socialista. Então não é que Frnacisco Assis resolveu estar dez minutos a discutir onde é que Paulo Rangel estava na manifestaçaõ dos professors em 2009?! E que a grande ideia de Francisco Assis para resolver os problemas da Europa - num momento em que os portugueses sofrem com o desemprego, com a falta de dinheiro para pagar as suas contas, para assegurar uma educação de qualidade aos seus filhos - é...imagine-se...calma...aguenta curacao, que é uma ideia brilhante...apostar no carro eléctrico!!!Viva o carro eléctrico, símboloda esperança dos portugueses num future melhor! Mesmo para uma 13.ª escolha de António José Seguro - e sabendo nós que Francisco Assis esteve quase a recusar ser cabeça de lista, por discordâncias, pessoais e políticas, com o líder do PS - esperávamos mais do candidato socialista. Francisco Assis esteve ao nível do estilo arruaceiro de um Jorge Coelho ou dos desvarios de um José Sócrates.

Notas do debate

Assim, as notas do debate são as seguintes:

Paulo Rangel - 11 valores (não dispensa o exame final, nos termos do regulamento de avaliação da Faculdade de Direito de Lisboa, ainda há muito para melhorar);

Francisco Assis - 8 valores (ontem, personificou os vícios todos da política portuguesa. Vai ter de fazer exame escrito e oral, para ver se consegue abandonar o estilo politiqueiro e começa a falar de Política).

Saída Limpa, por obra e graça de DEO (e de Angela Merkel)!

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1.Finalmente, o Governo anunciou o que já todos sabíamos: Portugal terminará o programa de assistência financeira daqui acerca de duas semanas, regressando sozinho aos mercados financeiros - é nisto, basicamente, que consiste a tão badalada "saída limpa. Em rigor, a comunicação de Passos Coelho, ontem, aos portugueses não consistiu numa revelação original, muito menos na divulgação de uma surpresa: tratou-se apenas da confirmação de um futuro que já estava traçado há muito. Ocorreu, pois, uma convergência objectiva de interesses de um Governo que tinha de conseguir o regresso, sem muletas aparentes, do país aos mercados - e de uma conjuntura (que, infelizmente, já se começa a converter em estrutura) política europeia marcada pela incapacidade institucional de resposta política e de definição de soluções baseadas na solidariedade: a Senhora Merkel falou, a Senhora Merkel impôs. Evidentemente que a solução da "saída limpa", mais do que esperada ou até desejada pelo Governo Passos Coelho, foi imposta pelo eixo que domina actualmente a União Europeia (Alemanha-Holanda-Finlândia): Passos Coelho foi, pois, empurrado para a saída limpa, não tendo, no imediato, outra solução alternativa. E porquê esta vontade incontrolável de Angela Merkel de empurrar Portugal para a "saída limpa"? Primeiro, porque pretende anunciar aos alemães que o seu dinheiro (para os alemães, todo o dinheiro europeu é dinheiro alemão) não foi em vão: o programa de ajuda financeira obteve mais um êxito, saldando-se na "salvação" de mais um Estado à beira da falência. Em segundo lugar, o modelo de programa cautelar ainda não foi testado, pelo que estar a definir pela primeira vez um, em exclusivo para Portugal, poderia comportar riscos. Em terceiro lugar, Angela Merkel está, naturalmente, interessada que Passos Coelho tenha um bom resultado nas eleições europeias: afinal de contas, quer eleger o Presidente da Comissão Europeia por si escolhida:Jean-Claude Juncker. Neste sentido, dizer-se que Portugal terminou com sucesso o programa, que pode regressar, por si próprio aos mercados, é, à primeira vista, eleitoralmente mais impactante do que dizer que Portugal termina o programa, mas ainda vai precisar de programa adicional.

O que mudará na vida dos portugueses com esta "saída limpa"? Rigorosamente nada. Porquê? Porque a verdade é que até agora tínhamos a troika aí bem presente - a partir de Junho, teremos a "troika" escondida à espera de aparecer novamente. Sempre a observar cada passo do Governo, cada medida tomada, a avaliar se as ditas reformas estruturais avançam ou não. É que, em rigor, as metas orçamentais definidas pela troika ainda não foram cumpridas - e, na derradeira avaliação que fecha o programa de assistência, a troika exigiu as medidas do tão famoso Documento de Estratégia Orçamental , aumentando novamente os impostos e a TSU. E ainda há um montante significativo de dinheiro que precisa de ser obtido ou reduzido, cortando na despesa do Estado, e que no documento surge como "indefinido": isto é, o Governo ainda não sabe como irá fazer, mas terá de comunicar à troika as medidas que irá aprovar. É precidsamente aqui que deverá entrar a reforma do Estado tão prometida por Paulo Portas. Mais do que mérito de Passos Coelho (note-se que o regresso aos mercados, esta saída limpa, é o mínimo dos mínimos, após todos os sacrifícios que o Governo exigiu aos portugueses: é como um aluno ter 10 no exame final), a "saída limpa" é obra do DEO e da conveniência da "troika" e, sobretudo, de Angela Merkel.

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Qual a diferença entre Miguel Relvas e Jorge Coelho? Nenhuma!

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É oficial: Jorge Coelho está de volta à luta política. Ele que é o bulldozer dos combates eleitorais do Partido Socialista - a sua função é sempre muito clara: bater nos adversários do PS, mesmo que uma tenha uma única ideia para apresentar ao País - , já está imbuído do espírito: já começou a ensaiar as suas tiradas sempre muito contundentes e a revelar um tom bélico, de pura guerrilha política (de mau gosto, refira-se). Bom, o ponto que pretendo aqui assinar á, mais uma vez, a enorme hipocrisia da política nacional - e daqueles que sobre ela escrevem. Recordamos que há poucos meses, o "País Político" indignou-se (e bem!) com o regresso de Miguel Relvas à política partidária, no Congresso do PSD. Tal acontecimento foi encarado como uma teimosia de Passos Coelho, uma provocação do Primeiro-Ministro a todos os portugueses. Afirmou-se que Passos Coelho é lunático, que Passos Coelho é irrealista, que Passos Coelho é um político sem escrúpulos: e, porventura, com razão nas críticas então formuladas. Contudo, no que respeita ao regresso de Jorge Coelho, as reacções expressas na comunicação social oscilaram entre o júbilo, entre o regresso de uma pessoa com grande "garra política", um político talentoso e com grande visão. E mais: afirmou-se que Jorge Coelho consegue sempre fazer o PS vencer as eleições (com excepção de umas autárquicas em que ele próprio foi candidato). Portanto, o salvador da Pátria do PS já chegou: Paulo Rangel e Nuno Melo devem estar cheios de medo!

Pois bem, aí está mais uma diferença de tratamento chocante entre dois políticos motivada apenas por uma razão: um pertence ao PS; o outro pertence ao PSD. É impressionante que aos políticos do PS tudo se perdoa e gozam de uma benevolência por parte da comunicação social que impressiona pela negativa. E isto é grave? É gravíssimo, porquanto condiciona inevitavelmente o debate político, a sua qualidade, com repercussões nos resultados eleitorais e porque instiga a um juízo sobre as pessoas (as sua honestidade, as suas qualidades profissionais..) baseado na sua filiação partidária. Note-se que o Autor destas linhas está à vontade para comentar esta matéria, visto que foi um dos críticos mais contundentes de Miguel Relvas - críticas políticas que, aliás, mantenho. O que não podemos aceitar é que o mesmo juízo crítico, os mesmos que exigiram a saída de Miguel Relvas, os mesmos que conduziram (e bem) uma investigação sobre a sua licenciatura - sejam os mesmos que agora vêm louvar o regresso de Jorge Coelho, com o argumento de que é um político que apenas serviu a política, sem nunca se servir da política. Ora, isto é o cúmulo do cinismo e da hipocrisia. Senão, vejamos quem é Jorge Coelho.

Jorge Coelho é um indivíduo que nunca teve vida profissional reconhecida e reconhecível fora dos quadros partidários. Durante o guterrismo, floresceu, atingiu a sua maturidade política - e passou a integrar os órgãos máximos do PS. Com que função? A mesma função que criticámos a Miguel Relvas - a de tomar conta da máquina. Ou seja, Jorge Coelho foi o homem da "carne assada", da contagem de votos das secções, de organizar excursões para idosos, imigrantes, para virem para Lisboa gritarem "PS!!PS"" para dar uma ideia de multidão apoiante do Partido Socialista à frente dos hotéis de luxo que frequentam; é o homem que fez o Estado "nacionalizar" órgãos de comunicação social e que "politizou" como ninguém a RTP, ficando esta totalmente dominada pelo Governo,; enfim, Jorge Coelho foi o homem que almoçava e jantava com jornalistas, empresários e outros para lançar boatos e insinuações sobre os seus adversários políticos - sempre naquele tom arruaceiro de líder de claque de futebol que o caracteriza. Como se sabe, Jorge Coelho e uma certa ala do PSD inventaram inúmeros boatos sobre o então líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, para "matar" a sua liderança - boatos que hoje até o próprio António Guterres admite a sua criação e autoria.

E será que Jorge Coelho nunca se serviu da política? Admito que não: julgo, como muitos outros, que é estranho que Jorge Coelho, sem qualquer experiência na área da gestão, tenha chegado a Presidente do Conselho de Administração de uma grande empresa de construção nacional. Considerando que Jorge Coelho foi Ministro das Obras Públicas, é claro que estabelecer uma ligação entre a contratação para aquele cargo naquele grupo e a sua actividade política não passa de um cenário meramente teórico - apenas uma suposição inverosímil. Claro que sim...claro...claro...

E, por fim, foi Jorge Coelho um bom Ministro, que justifica esta adulação do povo socialista? A resposta é, na nossa perspectiva, negativa. Jorge Coelho é um dos principais responsáveis pelo crescimento desmesurado do Estado - marcado, refira-se, por algum (para sermos simpáticos) clientelismo - e marcado, infelizmente, pela frase " a culpa não morre solteira", proferida pelo próprio Jorge Coelho no momento da sua demissão do Governo. Facto histórico: a queda da ponte de Entre-Os-Rios. Evidentemente, Jorge Coelho não foi o responsável por essa tragédia - mas era do Govenro, responsável pela pasta das obras públicas, nesse momento histórico trágico. Ora, se a culpa não deve morrer solteira e, por essa razão, Coelho se demitiu da política - significa que a culpa já ressuscitou e bem "casada"? Não deveria Jorge Coelho, pelo menos, voltar com alguma humildade, em vez daquilo estilo arrogante e arruaceiro?

Pois, mas neste nosso Portugal, parece que tudo é normal. Se Jorge Coelho fosse do PSD, imagino o que seria: o caso da tragédia de Entre-os-Rios já teria reaparecido em força e com novos dados - e a sua ligação à Mota-Engil seria explorada à exaustão. Estaremos nós a defender Miguel Relvas? Não: bem pelo contrário. O que nós defendemos é a exigência na avaliação dos políticos, quer sejam do PSD, quer sejam do PS. Com critérios objectivos, imparciais e independentes da filiação partidária. Será pedir muito?

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Benfica: muito mais do que uma Nação, é um "Império"!

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Finalmente aconteceu o que milhares de portugueses, eu incluído, esperavam: o Benfica tornou-se campeão nacional de Futebol. De facto, o Sport Lisboa é um fenómeno singular em Portugal: nenhum outro clube, nenhuma outra organização, nenhum outro ideal ou convicção estratégica ou político-ideológica conseguiria mobilizar tanta e tanta gente que se reuniu aqui em Lisboa (no Marquês de Pombal) - como também em todas as cidades, em todas as localidades da nossa querida Pátria. Mais: o Benfica é um factor de agregação do mundo lusófono - as comemorações estendem-se a todos os países de expressão portuguesa, vivendo e sobrevivendo muito para além de possíveis traumas históricos. É nisto que, afinal de contas, se traduz a mística benfiquista: enquanto o Porto e o Sporting são realidades meramente desportivas (embora muito meritórias e competitivas), o Sport Lisboa e Benfica é uma realidade - para além de desportiva - institucional e cultural. Não sei se há dados científicos que comprovem sem margens para dúvidas que sempre que o Benfica conquista o título de campeão, a economia nacional cresce: a verdade, porém, mostra à exaustão que quando o Benfica ganha, Portugal se torna um país mais feliz, mais dinâmico, com mais energia. Faz bem a Portugal o Benfica ser campeão.

Dito isto, passemos a responder à questão que tem sido colocada amiúde nos vários (demasiados!) programas de comentário desportivo: quem é o principal responsável pelo sucesso do Benfica? Em primeiro lugar, é, obviamente, dos jogadores, que defenderam, marcaram golos, suaram, mostraram a sua garra...enfim, trabalharam muito para que o Benfica fizesse esta caminhada sólida e segura rumo à vitória no campeonato nacional. Todavia, há que elogiar o trabalho, mas sobretudo, a determinação do Presidente Luís Filipe Vieira. Às vezes, decidir e liderar é saber ser solitário. E para ser solitário é preciso uma grande resistência psicológica: apontar um caminho e puxar todos os "dissidentes" para que comecem a remar para o mesmo lado. Ora, foi Luís Filipe Vieira que tomou a decisão de manter a aposta em Jorge Jesus, concedendo-lhe todas as condições para que realizasse um excelente trabalho (nomeadamente, quanto à manutenção dos principais "activos" do plantel). Num país em que escasseiam exemplos de liderança, Luís Filipe Vieira soube ser um. Este é um campeonato que tem indelevelmente a sua marca. E, last but not the least, parabéns a Jorge Jesus. Eu que teci alguns comentários negativos no ano passado, reconheço que estava errado: afinal, Jorge Jesus soube muito bem dar a volta à situação depressiva e de "inconseguimento da situação frustacional derivada das derrotas nas finais"! Conseguiu voltar a conquistar o plantel - e venceu! 16 valores com possibilidade de chegar ao 20, se conseguir as vitórias na final de Taça de Portugal, chegar à final da Liga Europa (eliminar a Juve teria - terá! - um encanto especial) e (já agora!) a Taça da Liga.

Por último: será que esta vitória significa o fim de um ciclo dominado pelo FC Porto e, inversamente, o início de um novo ciclo (domínio do futebol português doravante pelo Benfica)? Bom, antes de mais, refira-se que alguns comentadores insistem em cair sempre no mesmo erro: quando o Benfica ganha é sempre porque não teve adversário à altura - nunca é mérito do Benfica. Quando os outros, nomeadamente o FC Porto ganha (ganhou) nos anos anteriores, é sempre mérito da magnífica organização e da força do seu plantel - ou seja, por mérito próprio e não demérito do Benfica. A verdade é que estes comentadores não querem abordar o verdadeiro problema: a falência do modelo de gestão do FC Porto. É que o Porto vive de um mito chamado Jorge Nuno Pinto da Costa. O problema dos mitos é que achamos que eles são imortais: os portistas acharam que Pinto da Costa estaria em todo o seu vigor eternamente. Mas não é possível: Pinto da Costa já é passado - mas porque o Porto não quer abdicar de Pinto da Costa, não quer discutir o futuro. E não discutir o futuro para não incomodar a pessoa que personifica o passado - é ficar, inevitavelmente, preso ao passado. Cheira-me que o FC Porto para ressurgir terá que passar por uma "noite das facas longas" (face a metáfora/hipérbole) na sua administração...No fundo, o drama de Pinto da Costa é, salvo as devidas diferenças, o mesmo de Alberto João Jardim na Madeira.

Conclusão: o que verdadeiramente importa é...Viva o Benfica! Hoje é dia de Alegria em Portugal!

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Durão Barroso quer voltar a dar tanga aos portugueses!

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1. É público e notório que considero Durão Barroso como um exemplo negativo do que deve ser um político. De facto, Barroso concentra todos os defeitos que eu critico na classe político, nomeadamente aquele que aponto como o mais repugnante: o de ser fraco para dar a aparência de força. Passos a explicar: Durão Barroso, se analisarmos com rigor e cuidado analítico, concluiremos facilmente que a sua estratégia para subir na política foi sempre a de ser alguém fraco, oportunista, que se adapta às circunstâncias, sempre a pensar no seu interesse pessoal, que não olha a meios para atingir os seus fins e que, através de influências várias, chegou a Primeiro-Ministro de Portugal e a Presidente da Comissão Europeia. Se Durão Barroso chegou a Presidente da Comissão, significa que este cargo não pode ser muito relevante politicamente - é um cargo insignificante. E Durão Barroso honrou essa qualidade: foi um Presidente banalíssimo, temeroso, que não soube reagir às circunstâncias políticas, económicas e sociais, sem iniciativa, vergando-se a Angela Merkel. Enfim, Durão Barroso limitou-se a ser Durão Barroso - não podíamos esperar algo muito melhor quando o personagem político é, já por si, fraco e facilmente influenciável. E qual será o futuro de Durão Barroso depois de Outubro? Pois bem, Durão já anda a planear a sua vida pós-Comissão. Para esse efeito, decidiu conceder uma entrevista ao EXPRESSO, publicada no sábado. Evidentemente, o objectivo foi o de se reposicionar para um regresso à vida política portuguesa.

2. Com efeito, Durão Barroso, ao longo de toda a entrevista, lança farpas aos comentadores políticos. Que qualquer um pode ser um comentador político. Ora, subtilmente, esta farpa tem um destinatário: Marcelo Rebelo de Sousa. Ou seja, ser comentador é uma coisa banal, sem importância; enquanto ser Presidente da Comissão Europeia é um feito só ao alcance dele, Durão Barroso.

2.1. Em segundo lugar, Durão Barroso está com um ego tão grande que inventou a ideia de um Presidente da República apoiado pelos três partidos (PS, CDS e PSD). Em quem é que Barroso pensava quando lançou a ideia? Pois bem, em si próprio. Se pensarmos bem, Durão Barroso julga que, como apoiou um governo socialista, e agora aguenta um governo do Partido Social-Democrata, poderá ser a única personalidade portuguesa que conseguirá apoios em ambos os partidos. Quanto ao CDS/PP, virá por acréscimo: será arrastado pelas circunstâncias e pela necessidade de apoiar o candidato do PSD. Com José Sócrates, Durão Barroso era o Presidente da Comissão do "porreiro, pá!"; com Passos Coelho, Durão Barroso foi o homem que precipitou a ida do líder do PSD para o Governo e o tem aguentado firmemente. Por outro lado, a ideia de Durão Barroso é a seguinte: as eleições legislativas e presidenciais serão seguidas. Já se percebeu que nenhum partido político terá, por si só, maioria absoluta: logo, teremos um Governo de "bloco central". Consequência: PS e PSD não poderão, depois de estar há poucos meses em coligação no Governo de Portugal, andar em campanha a criticarem-se mutuamente. Logo, o cenário que se irá impor é a de um candidato presidencial apoiado pelos dois partidos. E ele - Durão Barroso - porque é um político de "gelatina", que não tem convicções, nem personalidade - poderá agradar aos dois partidos, porque teve a experiência da Comissão Europeia em que se relacionou bem com os dois partidos.

As tangas de Barroso!  

Na minha opinião, a desonestidade de Durão Barroso é revelada em todo o seu esplendor quando se refere a "nós, portuguese" e ao "nosso Portugal". Pois, Durão Barroso andou 10 anos a dizer que não, enquanto Presidente da Comissão não era português, esquecia a sua nacionalidade -tinha de exercer as suas funções com imparcialidade. Agora, como já lhe interessa, lembrou-se que é português!

Por último, Barroso mente e é contraditório. Mente quando diz que a Comissão Europeia não incentivou o Governo Sócrates a realizar investimento público para fazer face à crise; é contraditório, porquanto diz que confidenciou a Passos Coelho que há limites para a austeridade e, depois, afirma que não havia outra caminho à austeridade que está a ser aplicada em Portugal. Além disso, Barroso foi o Presidente da Comissão Europeia que permitiu que os grandes - como a Espanha e a França - violassem sucessivamente o défice previsto nos Tratados! E agora, descobriu as virtudes do controlo dos défices? Enfim, Barroso, depois de tramar os portugueses, quer continuar no poder...seja ele qual for.

Concluo com uma constatação: Durão Barroso é sempre um prenúncio da tragédia de uma instituição. Primeiro, Barroso foi Presidente do PSD - e partir dele, o PSD veio sempre a cair, atingindo com Santana Lopes o seu mínimo eleitoral e com Passos Coelho, o seu mínimo em termos de qualidade dos seus dirigentes; foi Primeiro-Ministro de Portugal, abrindo uma "época trágica" para Portugal e para os Portugueses; chega a Presidente da Comissão Europeia, a Europa entra em decadência e a União Europeia uma realidade política cada vez mais frágil e irrelevante. Se Durão Barroso chegar a Presidente da República, será provavelmente o sinal de que estamos literalmente tramados...E isso não é porreiro, pá!

António José Seguro e José Sócrates: a nova aliança improvável?

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1.Obrigações académicas e profissionais têm-os impedido de comentar a vida política portuguesa, e as suas contigências diárias, com mais regularidade. Daí a intermitência dos nossos escritos aqui no POLITICOESFERA - no entanto, algo se vai revelando com muita nitidez: a completa inaptidão de António José Seguro para liderar a oposição. O nosso relativo distanciamento da actualidade política os últimos dias permitiu-nos chegar a uma conclusão, a um tempo, curiosa e elucidativa: é que António José Seguro, mesmo quando fala muito, está desaparecido em combate. Quanto mais o Secretário-Geral socialista fala, menos se ouve. Não será isto um paradoxo? Decerto. Mas mostra à exaustão a irrelevância política de António José Seguro.

De facto, o problema de António José Seguro é que tanto lhe faz falar 4 ou 5 vezes por semana ou estar calado, doente ou em asilo político, que para a grande maioria dos portugueses - sobretudo, para o chamado "povo profudo" - é exactamete o mesmo! Ainda este fim de semana, Seguro foi encerrar mais uma sessão da conferência " Novo Rumo", falando longos minutos - no entanto, mais uma vez, passando despercebido. É chocante - e cada militante do Partido Socialista deveria reflectir muito bem sobre esta constatação - que Antóino José Seguro, estando há mais de dois anos na lideraça do PS, ainda não tenha tido uma única - nem uma! - ideia forte, uma ideia que fosse a âcora do discurso político socialista, uma proposta alternativa, uma visão diferente para o País. Nada! Como é que é possível? Num Governo que tem como principal defeito o não ter um rumo, uma estratégia para o futuro de Portugal bem defiida! O que só facilitava a vida de António José Seguro: é, pois, preciso ser excessivamente inábil, do ponto de vista político, e um verdadeiro desastre, do ponto de vista comunicacional, para António José Seguro estar a um pequeno passo de perder as eleições europeias. Porque os portugueses já perceberam que António José Seguro vai continuar, rigorosamente, as linhas mestras da política definida e em execução pelo Governo Passos Coelho.

António José Seguro está preso, sem coseguir encontrar a saída,do labirinto que ele próprio criou. Desenvolveremos, mais em detalhe, o problema político central de Seguro em proximo texto. Hoje impõe-se salientar aquele que é um outro sinal da fraqueza politica - diria até da verdadeira natureza do político António José Seguro - do líder do PS: como nãoo sabe o modo pelo qual se deve afirmar pela Política (com P grande, aquela que verdadeiramente vale a pena), Seguro optou pela afirmacãoo através da via na qual se sente mais à vontade - a via da politiquice.

Ora, nesse sentido, Seguro tratou de ir fazer uma alianca improvável com aquele que há poucos meses era uma das suas principais personas non gratas: José Sócrates. Esta aliança Seguro/Socrates é, para o líder socialista, vital. Porquê? Porque é a forma de continuar o seu domínio incontestado da máquina socialista! É verdade que Seguro, através do seu célebre "golpe estatutário", conseguiu assegurar que seus os seus "homens" chegassem à liderança de federações socialistas importantes - mas o peso e o fantasma de Sócrates e dos socráticos ainda é muito significativo. Ter Sócrates do seu lado é um sinal de força aparelhística que António José Seguro dá aqueles militantes que possam ter algum ambição de chegar à liderança partidária...

E para José Sócrates, qual é a vantagem desta aliança improvável? Para José Sócrates, é importante para neutralizar Antonio Costa. De facto, José Sócrates já percebeu que para manter a sua influência no Partido Socialista - e ser minimamente ouvido no País, de ter uma importância residualíssima - convém manter um líder fraco à frente do Partido! José Sócrates teme que António Costa seja um líder demasiado forte, demasiado marcante, que "apague" a sua influência e a sua memória. É que António Costa há muito tempo que se distanciou do anterior Primeiro-Ministro...Não podemos esquecer que José Sócrates, directamente ou por interposta pessoa, quer regressar à liderança do Partido Socialista...

P.S - Os Socráticos divertiram-se muito ontem a criticar o jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, por ter cometido a ousadio de fazer perguntas a José Sócrates (vejam bem! Um jornalista fazer perguntas...). Bom, um espaço de comentário politico de autor é do seu autor - a sua força é a força da sua opinião. Contudo, o caso de José Sócrates é um caso singular: o seu espaço tem pouco de comentário politico e muito de auto-justificação. De facto, José Sócrates converteu o programa nas suas memórias e defesa do seu trabalho. Sendo assim, é perfeitamente legítimo, que o jornalista formule perguntas - e perguntas difíceis, mas óbvias -sobre o seu trabalho como Primeiro-Ministro! José Sócrates limitou-se a provar do seu veneno... É que, sem teleponto e as folhas que os assessores lhe dão, José Sócrates é outra coisa...

O manifesto pífio dos 70 e a oportunidade perdida de Passos Coelho

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O país político, mais uma vez, parou para discutir uma absoluta irrelevância: um manifesto subscrito por 70 personalidades (e outras doutas personalidades que se esqueceram de entregar a assinatura atempadamente ou que foram surpreendidas pelo momento escolhido para a divulgação do mesmo), de diferentes alinhamentos políticos. Em rigor, não se trata de um manifesto: trata-se de um apelo político e de uma forma de tomada de posição política pública colectiva. Por outro lado, note-se que a atenção mediática que se gerou em torno do manifesto foi excessiva e injustificada: o manifesto nada traz de novo em relação ao conteúdo dos comentários, em jornais ou televisão, de personalidades como Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix ou Francisco Louçã. Ou em relação às teses brilhantemente defendidas por jornalistas económicos de enorme vulto como é o caso do Nicolau Santos, aqui do EXPRESSO. Uma última nota introdutória para adiantar que, em termos de substância, o apelo é paupérrimo, pois omite o essencial: como fazer e quando fazer a solução que propõe. Peca, pois, pelo seu carácter excessivamente vago. O que se compreende: seria uma impossibilidade lógica, uma tomada de posição política que junta gente da extrema-esquerda (como Francisco Louçã) à direita (como Diogo Freitas do Amaral) se comprometer com medidas específicas e declarações políticas com significado político. Portanto, a linguagem do apelo político é tão cuidadosa que acaba por redundar num conjunto de banalidades e frases feitas. Como justificar o seu impacto? Pelas personalidades envolvidas, algumas das quais (como Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix) que oficializam a sua "oposição" ao Governo de Pedro Passos Coelho. Além disso, o apelo político utiliza a expressão semântica considerada proibida entre nós: a de reestruturação da dívida pública.

Dito isto, passemos a analisar o pseudo-manifesto dos 70, começando pelo seu conteúdo, seguida das reacções do Governo e, terminando, com a indicação da posição que perfilhamos quanto à questão de fundo.

Pois bem, no que concerne ao conteúdo, refira-se que o único ponto que verdadeiramente introduz algo novo na discussão sobre o futuro próximo e relativamente longínquo de Portugal é a proposta de reestruturação da dívida pública ao sector oficial - ou seja, às instituições que nos emprestaram dinheiro. Aparentemente, não se trata (como Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite deram a entender ontem, nos seus espaços de comentário televisivo) de um "haircut" puro e duro - o que prova a irrelevância do Manifesto. Porquê? Porque pessoas como Francisco Louçã e Carvalho da Silva, que assinaram o Manifesto, defendem a reestruturação da dívida total, não limitada ao sector oficial. Mudaram a sua posição? Não nos parece - ou seja, há personalidades que assinaram o Manifesto e que mantêm, entre elas, interpretações diversas sobre o seu conteúdo. Em segundo lugar, a tónica do apelo político está centrada na actuação da União Europeia e das suas instituições - e menos na conduta ou opções que podem ser tomadas pelo Governo português. A única crítica, em rigor, ao Governo de Passos Coelho é implícita - relaciona-se com a condução da política externa europeia por parte de Passos Coelho. No fundo, os apelantes defendem que Passos Coelho deve ter uma posição mais dura para com as instâncias comunitárias, não sendo subserviente à política de Angela Merkel e do "alemão pequeno", como qualificou Francisco Assis. O que significa que este pseudo-Manifesto dos 70 foi pensado para ser apresentado na pré-campanha para as eleições europeias (lá para final de Abril/ início de Maio), com o intuito claro de fragilizar a coligação governamental. Porquê a antecipação? Por uma razão muito simples: é que este manifesto foi uma resposta clara ao prefácio de Cavaco Silva. E Cavaco sentiu essa dor, exonerando os seus colaboradores que subscreveram o dito Manifesto: evidentemente, que não foi porque o Manifesto acarretava o risco de subida dos juros da dívida pública portuguesa! Era só o que faltava que agora os accionistas andassem perturbados com o que o Louçã, o Carvalho da Silva, a Manuela Ferreira Leite (com toda a admiração que tenho por ela) e mais umas quantas personalidades andassem a assinar! A ser verdade seria a confirmação que o Mundo em que vivemos endoideceu de vez! Não: Cavaco Silva exonerou Sevinate Pinto porque sentiu o afrontamento político e a desautorização às suas palavras pela adesão do seu colaborador a uma acção política de contestação ao próprio Cavaco e ao Governo.

Quanto à reacção do Governo, há que distinguir. Por um lado, Passos Coelho, por uma vez na vida, esteve bem ao afirmar que a reestruturação da dívida não faz parte do plano do executivo. Surpreendido, caro leitor, por esta minha conclusão? Expliquemos: é que o pior que um político, sobretudo um Primeiro-Ministro, pode ter é estar em permanente ziguezague com contradições sucessivas. Se Passos Coelho, hoje, viesse afirmar que a reestruturação da dívida é o melhor para Portugal seria uma vergonha - seria inutilizar por completo os sacrifícios que os portugueses fizeram durante três anos, por imposição deste Governo, para que nos afastássemos da Grécia, conferíssemos confiança aos mercados quanto à nossa determinação no cumprimento dos nossos compromissos - e possamos trabalhar para um regresso, com a mínima turbulência possível, aos mercados. Propor a reestruturação da dívida, neste momento, não é atacar o Governo - é brincar com Portugal e com os Portugueses! Agora, que estamos a chegar à nossa primeira meta, vamos andar para trás? Vamos voltar ao ponto de partida? Isto é uma opção inteligente e sensata?

Passos Coelho - bem, mas politicamente inábil!  

Dito isto, julgo que Passos Coelho, não obstante ter estado bem ao não ceder neste momento, cometeu dois erros. Primeiro, revelou um espírito autoritário e mesquinho ao qualificar aqueles que assinaram o apelo político dos 70 são anti-patriotas. Defender medidas contraproducentes e desprovidas de timing estratégico é ser politicamente desastrado - mas não anti-patriota. Até porque, entre os 70, estão pessoas que já colaboraram com o Governo: por exemplo, um Professor brilhante e notável da minha Faculdade, o Professor Fausto de Quadro, foi o responsável, por nomeação do Governo de Passos Coelho, pela elaboração do projecto de revisão do CPA e do CPTA - certamente, o Governo não confiaria tão relevante tarefa a pessoas anti-patriotas.

Ademais, Passos Coelho perdeu a oportunidade de ouro para explicar cabalmente a razão de ser da sua posição, com moderação - mostrando que tudo fará para que Portugal, após passar esta primeira meta, tenha condições mais favoráveis de pagamento dos compromissos financeiros por si assumidos. Que explicará nas instituições próprias da União Europeia que todos ganharemos com a criação de um quadro macroeconómico mais favorável para "alavancar" a economia portuguesa, alterar o seu paradigma e promover a sua competitividade. Que se crescermos economicamente, mais condições teremos para também pagar o que devemos. Portanto, os nossos credores são interessados directos no revigoramento da nossa economia. Com isto, Passos Coelho tirava o tapete por completo ao PS de António José Seguro.

Em suma, onde está a razão? No nosso entendimento, ninguém com responsabilidades (quer António José Seguro, quer António Costa, perceberam-no) pode publicamente defender a reestruturação da dívida. É a pior solução possível! Agora, o Governo deve é com, discrição, prudência e sensatez, trabalhar "nos bastidores" a renegociação de condições mais favoráveis para Portugal. Sem alarmes, sem golpes mediáticos, mas explicando, em oportuna e devida altura, aos portugueses. Eis, pois, o que faríamos se tivéssemos responsabilidades governamentais. É a vida dos portugueses que está em jogo - e com elas não se pode brincar!

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Paulo Rangel: o "Pongo" de Passos Coelho ou a vida de cão em Bruxelas?

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Paulo Rangel, sem surpresa, é o cabeça de lista do PSD às eleições europeias. Evidentemente, é um tiro favorável para Passos Coelho. Desde logo, porque é trazer o seu principal adversário nas últimas directas, que verdadeiramente contaram, para o seu círculo político próximo. Em segundo lugar, é contar numa eleição importante como serão as próximas eleições europeias - porque serão um ensaio para as legislativas - com um político muito bem preparado, com um pensamento claro sobre o projecto político europeu (não por acaso o transconstitucionalismo é um dos seus temas predilectos de estudo e investigação académica) e um poder de retórico muito forte. E muito combativo em debates eleitorais. Por outro lado, ter Paulo Rangel como seu candidato, permite a Passos Coelho segurar o partido contra Rui Rio - de facto, até Junho, no pior dos cenários, o fantasma Rui Rio andará escondido. Porquê? Porque Paulo Rangel era apontado como o "braço direito", o " ideólogo" de Rui Rio - ora, não é politicamente sustentável que Paulo Rangel esteja a fazer campanha, procurando o melhor resultado possível (porque ele também estará em cheque politicamente) e a preparar o partido para uma alternativa a Passos Coelho. E Rio, por seu turno, não tem ninguém cum um perfil tão bom como Paulo Rangel para seu número dois. Portanto, foi uma escolha certeira de Passos Coelho.

Dito isto, pergunta-se: foi uma boa decisão esta a de Paulo Rangel aceitar ser o cabeça de lista de Passos Coelho nas próximas europeias? Bom, devo começar que caso fosse Paulo Rangel, eu teria recusado simpaticamente o convite. Isto porque teria concluído que o meu contributo à Europa e à construção da solidariedade europeia estava dado, até porque a União Europeia hoje é uma realidade fortemente centralizada e com o ascendente (dominante) de um país: a Alemanha. Este era o momento de me assumir como um político com claras aspirações nacionais - e iniciar, sem dúvidas nem hesitações, um caminho próprio. Mas Paulo Rangel pensou diferentemente. Em que termos? Vejamos.

Ora, Rangel está convencido que é melhor, para o seu futuro político, ter um cargo de protagonismo e de exercício formal de poder - do que não ter de todo. De facto, Rangel ponderou muito - chegando à conclusão de que se não tivesse aceitado o convite para encabeçar a lista às europeias, seria afastado das posições centrais de decisão do PSD. É que Paulo Rangel jamais seria convidado para as listas a constituir para as legislativas (e tal jamais lhe interessaria, porque seria indelevelmente ficar associado a Passos Coelho) - e, internamente, no PSD, Paulo Rangel não tem tropas no aparelho, o que, face às actuais circunstâncias, significaria quase uma impossibilidade objectiva de manter o seu protagonismo. Mais: Paulo Rangel seria uma sombra de Rui Rio. Pois bem! Esta é, na nossa perspectiva, a principal razão para que Paulo Rangel tenha respondido afirmativamente a este apelo de Passos Coelho: é que Rangel percebeu que foi excluído da discussão sobre o futuro, pelo menos a curto-médio prazo, da liderança do PSD. Efectivamente, a discussão sobre a liderança do PSD há muito que se polarizou entre Passos Coelho e Rui Rio - sendo este último o sucessor natural do actual Presidente do Partido. Paulo Rangel jamais se poderá candidatar contra Rui Rio: o que significa que as suas possibilidades de chegar à liderança do Partido são extremamente remotas.

Uma última nota sobre o Twitter 101 Dálmatas apresentado por Paulo Rangel: muitos se surpreenderam pelo nome tão pomposo, tendo Paulo Rangel esclarecido que não resultou de uma estratégia de marketing, tendo-lhe saído por acaso. Quanto a nós, entendemos que a referência aos 101 dálmatas teve um objectivo de marketing: é que Paulo Rangel é um intelectual, com um ar distante, frio e com pouca empatia. Ora, a referência às adoráveis personagens de Walt Disney é sempre uma ternura... Até porque Paulo Rangel tem uma enorme paixão por cães! Agora, que a ideia é ridícula, é. Enfim, esperemos bem que Paulo Rangel não queira ser o "Pongo" (o Dálmata principal do filme) de Passos Coelho, sob pena de se perder um verdadeiro talento político....É que os números podem ser um bocadinho melhores: mas a vida continua muito difícil em Portugal. Uma verdadeira vida de dálmata, isto é, uma verdadeira vida de cão...

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O regresso do "herói" Miguel Relvas: Nuno Crato já foi demitido?

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Após semanas repletas de trabalho, voltamos hoje (ainda que com algumas intermitências) às crónicas regulares aqui no POLITICOESFERA. Enquanto estive ausente, fui registando os factos políticos mais relevantes, mais insólitos e mais surpreendentes. Hoje, terei de me pronunciar sobre o facto mais insólito deste ano (até ao momento, mas dada a sua bizarrice será difícil de superar) político: o regresso de Miguel Relvas à política activa, por via da sua eleição para o Conselho Nacional do PSD. Miguel Relvas - registe-se, para memória futura - encabeçou a lista de Pedro Passos Coelho, elegendo apenas 18 representantes. Valeu a pena esta aposta de Pedro Passos Coelho? A primeira resposta seria um categórico "não": Passos elegeu apenas 18 representantes para o Conselho Nacional, obtendo o seu pior resultado de sempre em eleições internas. O que mostra bem como o PSD é um partido fantástico: enquanto Passos Coelho apresentava com alegria e satisfação o nome de Miguel Relvas, os militantes olhavam-se entre si, estupefactos, a questionar se tal revelação era mesmo verdade! Os militantes do PSD não aguentam Passos Coelho, discordam de Passos Coelho - mas, colocando o interesse de Portugal em manter a estabilidade política num momento em que Paulo Portas chamou para si a liderança do Governo, vão aguentando o seu "líder" de Partido.

Dito isto, a verdade é que Passos Coelho cumpriu os seus objectivos ao fazer regressar Miguel Relvas à política activa (sim, porque Relvas está de volta: só por ingenuidade será possível afirmar que Relvas vai para um órgão nacional do PSD para "brincar" ou para "andar a esconder-se"...). Vejamos porquê.

Em primeiro lugar, Passos Coelho mostrou claramente que defende o seu núcleo duro até ao "último sopro", custe o que custar. Passos Coelho deixou cair Relvas no ano passado, num episódio que causou algum atrito na relação entre os dois. E Relvas, ao contrário do que afirmou, não tem andado desaparecido da vida do partido. Relvas é incapaz de deixar a política - porque depende dela e os seus negócios estão a ela associados. Relvas precisa de poder - sem poder não há Relvas. É uma questão de sobrevivência. Ora, o que tem feito Miguel Relvas? Miguel Relvas, como vingança da atitude do Primeiro-Ministro, andou a sondar a disponibilidade de gente não alinhada com Passos para formar uma alternativa à sua liderança. Ou seja, Relvas percebendo que Passos Coelho estava muito enfraquecido e que tinha quebrado o dever de solidariedade que os unia, tentou criar uma onda de agitação no partido e através de alguns meios de comunicação social (os almoços com alguns jornalistas mantiveram-se). Há quem diga que Miguel Relvas chegou a almoçar com Rui Rio algumas vezes - não sei se tal rumor tem ou não fundamento: direi apenas que é muito provável que tenha algum fundo de veracidade. Ora, Passos Coelho, ao convidar Miguel Relvas, volta a ter o seu amigo "operacional" consigo para dominar a máquina, para preparar as eleições autárquicas (Relvas mexe-se muito bem nos bastidores e ainda tem algumas posições estratégicas em algumas redacções) - e dá uma imagem de força política. De facto, se Passos Coelho não estivesse confiante de que a conjuntura lhe é particularmente favorável, não terei certamente chamado Miguel de Relvas de volta - no fundo, o sinal que pretende dar aos Portugueses é o de que ele rinha razão desde o início, até na equipa que formou! E que Miguel Relvas é um dos protagonistas do "milagre económico português" - merecendo, por conseguinte, um reconhecimento por tal feito! Passos Coelho já dá a sua vitória nas legislativas como dado adquirido!

Por outro lado, Passos Coelho pretendeu com o regresso de Miguel Relvas colocar travões à ascensão, segura e meritória, de Marco António Costa dentro do PSD - mas também no País. Marco António Costa tem sido a revelação do "passismo": seguro, muito trabalhador, com um discurso social forte e um trabalho notável de concertação e colaboração com as Misericórdias. Até um conhecido meu comunista elogiou a qualidade do trabalho de Marco António Costa! - o que é obra! Marco António Costa é muito melhor do que muitos (incluindo eu) julgavam! Ultimamente, têm surgidas inúmeras divergências - sobre matérias politicamente importantes - entre Passos Coelho e Marco António Costa. O regresso de Miguel Relvas é, pois, também uma forma de Passos Coelho controlar Miguel Relvas. Passos Coelho quer ser ele a dominar a máquina, sem qualquer contestação. Eis as verdadeiras razões do regresso de Miguel Relvas.

Enfim, Passos Coelho não vive sem Miguel Relvas. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... Refira-se, ainda, que o regresso de Relvas é uma desautorização objectiva de Nuno Crato: então, o Ministro da Educação retira o diploma a Relvas e Passos Coelho vem reabilitar o seu ex-Ministro? Tem alguma lógica? Por isso é que Passos não consegue ter pulso no Governo, precisando de Paulo Portas...

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Capucho: Passos Coelho também não deveria ser expulso do PSD?

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Escrevo hoje aqui no POLITICOESFERA em jeito de homenagem a António Capucho. Parece que o órgão de "justiça" do PSD, presidido pelo Professor Calvão da Silva, decidiu expulsar o militante António Capucho, devido à sua candidatura independente à Assembleia Municipal de Sintra contra a candidatura oficial do partido, liderada por Pedro Pinto. Foi esta uma boa decisão? Do ponto de vista técnico-jurídico, parece que sim: Calvão da Silva é um jurista qualificado e encontrou um critério certo e seguro - a apresentação da certidão de candidatura apresentada pelo s tribunais. Portanto, António Capucho, com comprovação judicial, candidatou-se contra o candidato do PSD - logo, é expulso do partido. Contudo, esta simplicidade de critério decisório jurídico esconde a profunda injustiça política.

António Capucho é muito mais do que o candidato que se recusou a apoiar Pedro Pinto em Sintra - posição, aliás, que os eleitores sintrenses secundaram ao rejeitar liminarmente a candidatura (muito estranha, refira-se) do PSD. Capucho é fundador do Partido, tendo estado ao lado de Francisco Sá Carneiro, tem uma vasta experiência política, incluindo ao nível governamental, e deixou um magnífico legado à frente da gestão autárquica de Cascais. Por conseguinte, António Capucho merecia, no mínimo, um pouco de respeito por parte de Passos Coelho. Mas não: como os portugueses estão fartos de saber, a palavra "respeito" não consta do léxico do Primeiro-Ministro. Por outro lado, Passos Coelho revela uma ignorância profunda pela História de Portugal e até pela história do PSD. Mais: Passos Coelho despreza a história do PSD. Porque, no fundo, Passos Coelho é um daqueles militantes que está no PSD, como poderia estar no PS, desde que fosse mais fácil ingressar e ascender neste partido. Daí que Passos Coelho nada saiba sobre Francisco Sá Carneiro; ignore Mota Pinto; odeie Marcelo Rebelo de Sousa e insulta, em privado, Manuela Ferreira Leite. António Capucho já fez tanto, tanto pelo PSD, que não pode deixar de chocar todos os militantes do partido a sua expulsão!

Em rigor, aliás, quem deveria ser expulso não era António Capucho: era Pedro Passos Coelho quem deveria ser responsabilizado. Porquê? Atente-se no último processo eleitoral autárquico. Houve uma série de candidaturas da área política do PSD que Passos Coelho recusou - e que teriam vencido sem dificuldades o PS. Por exemplo, o caso de Marco Almeida, em Sintra. O caso da Covilhã, em que o PSD perdeu a Câmara depois de uma gestão autárquica brilhante porque Passos Coelho quis apoiar um amigo seu, que acabou por perder pornograficamente! O caso do Porto, em que Passos Coelho retribuiu favores políticos a Menezes, o que se saldou na derrota estrondosa do PSD. E muitos mais casos se poderiam enunciar...ora, quem é que prejudicou gravemente o PSD? Foi António Capucho? Ou Passos Coelho? Não me parece que tenha sido António Capucho. A derrota do PSD nas autárquicas tem um rosto claro: Pedro Passos Coelho. Se António Capucho é expulso, não há nenhuma sanção para a irresponsabilidade, para a péssima gestão política de Passos Coelho? Que sacrificou o interesse das populações locais e do PSD em prol do "amiguismo" e dos favores políticos?

Uma última nota para os militantes expulsos: compreendo a vossa decisão de se candidatarem noutras listas que não as do PSD de Passos Coelho. O nosso partido foi sequestrado por um grupo muito, enfim,...peculiar. Assim que recuperarmos o nosso partido de volta, o nosso PSD, então, terão evidentemente a porta aberta! Porque o PSD precisa de militantes que não se verguem, que nunca se vergaram, à tragédia que é a liderança de Passos Coelho!

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Edição Diária 17.Abr.2014

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