A federação internacional dos pilotos de linha aérea considera que a TAP está a incentivar os pilotos a voar em condições físicas que põem em causa a segurança aérea, segundo uma carta a que a agência Lusa teve acesso.
Em causa estão as medidas da administração da TAP, aplicáveis a todos os funcionários, que cortam o acesso às facilidades de passagem - possibilidade de comprar bilhetes a custo reduzido quando houver vagas nos voos - a quem ultrapassar mais de seis dias de baixa num trimestre ou mais de 14 dias num ano.
"Temos sérias dúvidas sobre os efeitos da aplicação do sistema aos pilotos", refere a Federação Internacional das Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (IFALPA, na sigla em inglês) numa carta enviada à administração da TAP e a que a agência Lusa teve acesso.
"Qualquer pressão que encoraje os pilotos a voar quando não estejam totalmente em boas condições físicas para o serviço tem consequências para a segurança do voo," acrescenta a IFALPA.
TAP desmente acusações
Fonte oficial da transportadora portuguesa considerou em declarações ser "natural que as organizações referidas defendam as posições do sindicato" dos pilotos, mas realçou que nada "as autoriza a pôr em causa em segurança da companhia nacional".
"É a responsabilidade legal e individual do piloto, e não das transportadoras, retirar-se de funções quando não esteja em condições físicas para voar", refere a carta da Associação de Pilotos da Star Alliance (APSA) - parceria de 26 transportadoras aéreas, que inclui a TAP - enviada à administração da transportadora portuguesa.
A fonte oficial da TAP referiu à agência Lusa que a administração da empresa alterou em Abril as disposições sobre "facilidades de passagens para viagens particulares", que se aplicam a todos os trabalhadores da empresa.
Baixa taxa de absentismo
"Com as alterações introduzidas passa a haver uma relação entre tais facilidades e o absentismo de cada um. Refira-se, no entanto, que tais disposições praticamente não se aplicam aos pilotos devido à sua reduzida taxa de absentismo", acrescentou a mesma fonte.
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil convocou para hoje uma assembleia geral extraordinária, justificada com uma série de "atentados perpetrados" pela administração da TAP, entre as quais a instauração, de forma "arbitrária e prepotente", de um processo disciplinar com "intenção de despedimento" a um piloto e a falta de correcção dos descontos feitos aos pilotos que trabalharam parcialmente durante a greve de 24 e 25 de Setembro.