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Vem aí o 24.º partido. "Pensamos até em ganhar as eleições"

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FOTO MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Chama-se Partido Unido dos Reformados e Pensionistas. Nasceu há quatro meses numa página do Facebook. O tempo suficiente para angariar 8770 assinaturas, que foram entregues esta terça-feira no Tribunal Constitucional.

António Mateus Dias não tem dúvidas. Se o Tribunal Constitucional aceitar o pedido de formalização do PURP, "pensamos em voos mais altos" e concorrem mesmo às próximas legislativas. "Pensamos até em ganhar as eleições", diz ao Expresso. São o 24.º candidato a partido em Portugal.

Reformado há três anos de uma carreira de técnico administrativo da ANA e da NAVE, as empresas que gerem os aeroportos nacionais, sabe bem o significado das expressões "altos voos". Ou de "ficar em terra". Mas para este pensionista, a ideia da criação de um partido é recente no seu currículo. "Tínhamos um grupo cívico no Facebook", mas a falta de capacidade de passar da realidade virtual para a intervenção política fê-los avançar. "Percebemos que assim não íamos a lado nenhum", refere ao Expresso. Mudaram a página para um projeto de partido e começaram a reunir assinaturas, vontades e programas. Sozinhos, porque "não há organizações de reformados isentas e não queremos nada com o passado, nem com o poder instalado".

Foram precisos apenas quatro meses para entregar um projeto completo junto dos juízes constitucionais. Com símbolo, nome registado, estatutos e declaração de princípios, os reformados acreditam que podem ir longe. "Somos quatro milhões em Portugal", diz António Dias. Os reformados "são os detentores da maioria dos votos e podem decidir, se o quiserem, os resultados das eleições", acrescenta a declaração de princípios do PURP.

Entre os perto de três mil apoiantes da página do Facebook do candidato a partido - a única bitola que têm para medir o seu apoio político -, António Dias garante que "há de tudo, pessoas de todos os quadrantes e profissões". Uma garantia que "há muitos reformados das diversas áreas que podem bem governar este país. Melhor mesmo que muitos dos que lá estão, ou estiveram."

O Tribunal Constitucional não tem prazo para decidir sobre a legalização do novo partido. Os dirigentes do PURP estão confiantes que o processo estará encerrado a tempo de concorrer às próximas legislativas. E aí jogam alto. "Pensamos até em ganhar as eleições."