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Uma "diferença do mundo" separa polémica das dívidas de Passos da afirmação de Costa sobre Portugal

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Vice-presidente do CDS-PP está convencido que o ano eleitoral ficará marcado pela afirmação de António Costa a investidores chineses e "a dificuldade que teve de reagir a ela".  

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Com o tema das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social a fervilhar, sobretudo, no campo político, o comentário no seio do CDS surgiu pela voz de Diogo Feio, esta terça-feira, no programa "Falar Claro" da Rádio Renascença. 

"Uma certeza eu tenho: Não vai marcar o ano eleitoral. Estou convencido, pelo contrário, que a afirmação de António Costa e a dificuldade que teve de reagir a ela vai marcar o ano eleitoral e a discussão política enquanto não for resolvida", comentou o vice-presidente do CDS-PP, que excecionalmente substituiu Morais Sarmento, parceiro habitual do socialista Vera Jardim, antigo-ministro da Justiça, no espaço de debate moderado pelo jornalista José Pedro Frazão.

O caso das contribuições obrigatórias em falta entre 1999 e 2004, enquanto trabalhador independente, trouxe outra acesa troca de acusações entre PS e PSD, tendo vindo à baila, por meio do Facebook um recorte do extinto semanário "Tal & Qual", com uma notícia de há mais de uma década, a propósito do não pagamento da contribuição autárquica por parte de António Costa, então ministro da Justiça. 

Para Diogo Feio, a última polémica com Passos não apagará da memória dos portugueses as afirmações de António Costa a investidores chineses de que Portugal "está melhor do que há quatro anos". Um caso que levou mesmo à demissão do histórico Alfredo Barroso. 

Ainda que considere "mais do que natural que um líder da oposição ou alguém da oposição não vá falar mal do país perante investidores", para Diogo Feio os dois casos têm duas medidas distintas. "Temos, politicamente, uma diferença do mundo", reforçou o ex-eurodeputado centrista Diogo Feio. 

Vera Jardim fala do caso Passos "como especialmente grave" ainda que evite entrar no campo de um pedido de demissão. Já sobre António Costa entende que "não foi favorável à imagem de António Costa e do PS". "Não direi que foi infeliz, mas não foram as melhores palavras escolhidas".

Com as legislativas na mira, Vera Jardim desvaloriza problemas com governação em minoria, mas admite uma coligação PS/PSD "se for a única solução de estabilidade", muito embora acredite que o cenário trará de novo uma coligação com o CDS. E a questão do Bloco Central? Talvez no futuro seja possível, admite. Por agora, fala "na atual situação" e tendo em conta isso "não tem razões de ser em Portugal", disse perentório à Rádio Renascença. Só contribui para "uma espécie de pantano político que não é favorável ao país. Não somos a Alemanha, não temos essa cultura. Sempre fui a favor de compromisso sérios".

Quanto a uma repetição da coligação PSD-CDS, Diogo Feio ficou-se pelas seguintes palavras: "Há momentos que são de sigilo e segredo partidário. Estamos nessa fase".