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"Um dia inesquecível para a Madeira"

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PSD perdeu a maioria absoluta. CDU, que conquistou um deputado no processo, celebra; sociais-democratas, que admitem recorrer para o TC, dizem que farão governo sozinhos, com ou sem maioria.

Marta Caires

Jornalista

A CDU tirou a maioria absoluta ao PSD na recontagem dos votos. A assembleia de apuramento geral dos resultados das eleições regionais alterou a atribuição de mandatos e o quadro político que durante anos vigorou na Madeira: governos sucessivos do PSD com maiorias absolutas.  

"Este é um dia inesquecível para a Madeira e para os madeirenses", disse Leonel Nunes, dirigente histórico do PCP, quando, por fim, foi afixado o edital a atribuir o último deputado à CDU. Com esta mudança, Ricardo Lume, o número três na lista da coligação PCP / Verdes, entra para a Assembleia Regional e é o rosto do sonho de anos da oposição na Madeira. Os comunistas dizem lamentar, no entanto, as chapeladas que ainda acontecem nas mesas de votos na Madeira.  

 

Ricardo Lume, o homem que tirou a maioria ao PSD

Ricardo Lume, o homem que tirou a maioria ao PSD

"Pelo que nos informaram, houve um erro informático no carregamento de umas das mesas", admitiu já o PSD através de Tranquada Gomes, o homem que está indicado pelos sociais-democratas para ser o futuro presidente da Assembleia Regional. Tranquada Gomes não adiantou se haverá recurso para o Tribunal Constitucional, mas o Expresso soube que é essa a intenção depois de analisadas as atas.  

A mudança na atribuição de mandatos aconteceu por um engano numa das mesas de votos em Santa Cruz, onde se introduziu mais 100 votos ao PSD. Durante a assembleia de apuramento desta terça-feira, as atas foram revistas e foram contados votos de algumas mesas do Funchal, Santa Cruz e Ponta do Sol. A verificação mudou o resultado provisório de domingo à noite. 

O último deputado tinha sido atribuído ao PSD, que ficou com 24, o mínimo para ter maioria. A CDU estava a cinco votos de eleger o terceiro deputado. A recontagem na assembleia de apuramento geral veio confirmar a esperança dos comunistas de eleger mais um deputado e tirar a maioria absoluta ao PSD. 

Com ou sem maioria absoluta, Tranquada Gomes voltou a dizer que o PSD irá formar governo sozinho e que irá fazer acordos parlamentares. O que Miguel Albuquerque repetiu várias vezes desde que foi eleito líder do PSD-Madeira.  

O edital da assembleia de apuramento que fixou a nova atribuição de mandatos pode ainda ser contestado com recurso para o Tribunal Constitucional.