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Sócrates diz que viveu em casa emprestada por Santos Silva

José Sócrates ditou a carta a partir da prisão

José Caria

O ex-primeiro-ministro ditou a partir da prisão uma carta para o seu advogado entregar à RTP, após o termo do congresso do PS.

Ao longo de uma carta de duas páginas, José Sócrates afirma que o apartamento onde viveu em Paris, após ter deixado de ser primeiro-ministro, nunca lhe pertenceu, acrescentando que este lhe foi emprestado pelo seu amigo Carlos Santos Silva, que também se encontra preso preventivamente, sob as acusações de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

"No primeiro ano, vivi num apartamento arrendado; depois, de setembro de 2012 a junho de 2013, vivi no apartamento que me foi emprestado pelo amigo eng. Santos Silva, que o comprou para o restaurar, arrendar ou vender, que é a situação atual dele. Saí quando começaram as obras".

A carta, que surge em reação a uma reportagem da RTP, foi ditada por Sócrates a partir da prisão ao seu advogado, dando-lhe instruções para só a fazer chegar ao destino após o fim do congresso do PS que decorreu no fim de semana.

"No princípio deste ano, depois de uns meses a viver com a família em hotéis, arrendei outro apartamento que mantenho atualmente como minha residência em Paris."

Ainda em reação à peça da RTP, o ex-primeiro-ministro nega que a mãe tenha vendido dois apartamentos no Cacém por um valor superior ao preço do mercado. "A minha mãe vendeu, na altura com a ajuda do meu irmão, dois - não um como afirma a peça - apartamentos por um preço total de 100.000 euros e não, como afirmam, um por aquele preço."

"Em 2011, decidiu regressar a Cascais de onde se mudara para Lisboa para ficar a viver perto de mim, porque, nesse ano, me desloquei para Paris e ela ficou sozinha em Lisboa. Daí, o regresso a Cascais e a venda do apartamento de Lisboa. O preço por que o vendeu foi o preço justo que resultou de uma avaliação".