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Soares reaparece no Panteão acompanhado de uma enfermeira

O ex-Presidente discursou no ciclo comemorativo dos 50 anos da morte de Aquilino Ribeiro. 

45 dias depois de ter sido internado de urgência num hospital de Lisboa, com uma encefalite, Mário Soares fez a sua reaparição pública numa homenagem ao escritor Aquilino Ribeiro.

A sessão decorreu no chamado coro-alto do Panteão Nacional, um espaço acanhado e frio, que se encheu facilmente. O ex-Presidente da República esteve sempre de sobretudo comprido e cachecol e, como o próprio fez questão de explicar, fez-se acompanhar de uma enfermeira, para o caso de surgir algum problema - que, disse, "espero que não surja".

Soares falou durante cerca de 15 minutos, com uma voz pausada mas clara, ainda que num tom bastante baixo. Explicou que "desta vez" não iria falar de improviso, uma vez que não tinha "a certeza absoluta" de que a memória não lhe pregasse alguma partida. Disse que os problemas de saúde que ditaram o seu internamento hospitalar, a 12 de janeiro, "estavam ultrapassados, graças aos médicos, evidentemente". Pontuada por alguns improvisos, interrompeu a meio a leitura do seu texto (dactilografado) para "tomar um rebuçado por causa da tosse". Só no final fez uma alusão à atualidade, para lamentar os "tempos tão duros e tão desagradáveis que estamos a viver".

A sessão, que marca o início de um ciclo comemorativo dos 50 anos da morte de Aquilino Ribeiro (ocorrida a 27 de Maio de 1963), foi aberta pelo poeta José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE). "Agradeço comovidamente a presença de Mário Soares", começou por dizer José Manuel Mendes, que manifestou o seu regozijo por ter ultrapassado "o acidente de saúde" que o levou a estar internado nove dias num hospital. Em condições normais, caberia a Soares encerrar a sessão, mas o presidente da APE convidou-o compreensivelmente a tomar logo a palavra.

O fundador e primeiro secretário-geral do PS falou do seu convívio com Aquilino Ribeiro, que classificou, mais que uma vez, como "um dos melhores escritores portugueses de todos os tempos", merecedor inclusivamente do Nobel da literatura. Ao enunciar a vasta bibliografia de "mestre Aquilino", deteve-se em particular no "Aventura Maravilhosa", inspirado no rei D. Sebastião, o que, num improviso, lhe permitiu confirmar a sua proverbial memória (que só não esteve apurada em matéria de um ou outro nome), bem como o saudável sentido de humor.

No final, agradeceu aos deputados a decisão de trasladar os restos mortais do escritor para o Panteão, o que aconteceu em 2007. Após a sua intervenção, muito aplaudida, Mário Soares, de 88 anos, pediu licença para se retirar, acompanhado pela enfermeira.

A sessão prosseguiu, com intervenções de António Valdemar, Mário de Carvalho e Serafina Martins. 

Mário Soares e a enfermeira que o acompanhou
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Mário Soares e a enfermeira que o acompanhou

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O fundador do PS cumprimenta o investigador António Valdemar
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O fundador do PS cumprimenta o investigador António Valdemar

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O poeta José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, (à direita) partilhou a mesa com Soares
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O poeta José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, (à direita) partilhou a mesa com Soares

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A enfermeira esteve sempre sentada perto do ex-Presidente
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A enfermeira esteve sempre sentada perto do ex-Presidente

António Valdemar também interveio na cerimónia
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António Valdemar também interveio na cerimónia

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A sessão também contou com intervenções de Mário de Carvalho e Serafina Martins
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A sessão também contou com intervenções de Mário de Carvalho e Serafina Martins

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Soares considerou Aquilino "um dos melhores escritores portugueses de todos os tempos"
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Soares considerou Aquilino "um dos melhores escritores portugueses de todos os tempos"