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Soares não vai ao 25 de Abril. "Ouvir discursos do Presidente da República não é comigo"

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FOTO RUI OCHÔA

O ex-chefe de Estado continuará ausente das cerimónias oficiais, evitando assim cruzar-se com Cavaco e Passos. Horas depois, estará na inauguração do Museu do Aljube, para a qual estão também convidados Eanes, Costa e Jerónimo.

Mário Soares mantém a recusa de assistir às comemorações oficiais do 25 de Abril, que decorrem na Assembleia da República. O ex-chefe de Estado persiste, portanto, na posição adotada em 2012, primeiro ano em que a data foi celebrada já com a maioria PSD/CDS no Governo. 

"Não irei", respondeu Soares ao Expresso. "Ouvir discursos do Presidente da República não é comigo", acrescentou. "Como conselheiro de Estado ou na qualidade de ex-Presidente da República poderia ir, mas não irei", disse ainda. 

Mário Soares continua, pois, a alinhar a sua posição relativamente às comemorações solenes do Dia da Liberdade pela da Associação 25 de Abril, que também não estará presente nas galerias do Parlamento este sábado. 

As declarações de Soares foram feitas esta quinta-feira de tarde, frente à antiga cadeia do Aljube, em Lisboa. Minutos antes, o ex-Presidente da República visitara o espaço, onde este sábado será inaugurado um museu, tendo ficado a conhecer as linhas gerais dos núcleos das futuras exposições. 

O Aljube foi até 1965 uma das prisões políticas do fascismo (Soares esteve lá detido várias vezes, a primeira delas em 1949). A partir deste fim de semana, o Aljube será um equipamento dedicado à memória do combate e da resistência à ditadura, e da defesa da liberdade e da democracia. 

Mário Soares não estará no Parlamento este sábado, mas voltará ao Aljube, às 19h00. A inaguração do museu, que será feita pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, ocorre quando passam 41 anos da Revolução e 40 das primeiras eleições livres e universais em Portugal (para a Assembleia Constituinte).

Medina tem convidados de peso: além de Soares, outro ex-presidente da República, Ramalho Eanes; o agora líder do PS, António Costa; o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa; e o historiador José Pacheco Pereira, uma das vozes do PSD mais críticas do atual Governo. 

O Aljube pertenceu ao Estado até 2009. Na altura foi cedido ao município de Lisboa (num protocolo assinado entre o ministro da Justiça, Alberto Costa, e o então presidente da Câmara, António Costa), com o propósito de funcionar como museu.