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Política

Soares definido como "homem da liberdade"

Mário Soares no seu almoço de aniversário, que junta mais de 250 convidados, este domingo, em Lisboa

José Caria

"É com homens como Mário Soares que se defende mais a liberdade e a democracia", defendeu João Semedo, ex-coordenador do Bloco de Esquerda, à entrada para o almoço de aniversário do antigo Presidente da República.

Um homem da liberdade e um homem da democracia foram as expressões mais usadas por personalidades à esquerda e à direita, para definir Mário Soares, à chegada ao almoço de aniversário do ex-presidente da República, que faz 90 anos este domingo.

"Não esqueço e nenhum português deve esquecer que Mário Soares foi o político que mais combateu a ditadura da direita antes do 25 de Abril e a ditadura de esquerda em 1975", destacou Freitas do Amaral, que chegou ao almoço acompanhado pela mulher.

Recusando fazer comentários sobre a atualidade política, Freitas do Amaral optou por destacar o objetivo do convívio no Espaço Tejo, da antiga Feira das Indústrias de Lisboa, e considerou que "se um político tão destacado da história de Portugal nos últimos 40 anos não tivesse amigos fora do PS também não tinha feito tudo o que fez".

O capitão de Abril e presidente da Associação 25 de Abril Vasco Lourenço afirmou que Mário Soares foi, acima de tudo, um "homem da liberdade, que "nunca aceitou assumir posições que colocassem em causa a liberdade".

Em declarações aos jornalistas, à chegada ao almoço, o ex-coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo considerou que Soares "fez coisas muito boas e também muito más" no passado mas, sobretudo, frisou, "quando se fala em liberdade e democracia pensa-se em Mário Soares".

"É com homens como Mário Soares que se defende mais a liberdade e a democracia. Não estão nunca suficientemente defendidas, todos os dias temos que as defender, os 90 anos de Mário Soares são uma ótima oportunidade para isso", disse.

Acompanhado pela filha, a deputada do PS Isabel Moreira, o ex-ministro e ex-presidente do CDS-PP Adriano Moreira, referiu-se à amizade por Mário Soares e à intervenção política do ex-chefe de Estado. "A intervenção fundamental no momento da revolução, porque essa é que ajudou a parte civil a encaminhar a organização constitucional do país. Acho que por vocação, e até hereditariamente, é sobretudo um estadista", declarou.

O ex-presidente da República Jorge Sampaio afirmou que Soares "é uma grande figura portuguesa e europeia e um homem com grande sentido estratégico que se bateu em circunstâncias difíceis por muitos momentos importantes da vida portuguesa".

Também Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud e antiga ministra da Saúde do PSD, destacou Mário Soares como um "português que se distinguiu e se distingue pela defesa da democracia"."Não tem a ver com esta ou aquela faceta política, tem a ver com aquilo que o nosso país é e aquilo que quer ser", considerou.

O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, o socialista Almeida Santos e o ex-presidente da República portuguesa Jorge Sampaio, e respetivas mulheres, e o secretário-geral do PS, António Costa, acompanham Mário Soares na mesa de honra do almoço.