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Silva Peneda diz que é preciso cuidado com "grau de otimismo" do PS

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FOTO Nuno Fox

O ex-presidente do Conselho Económico e Social (CES) concorda com a proposta socialista de diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social. Mas alerta, em entrevista à TSF, que o cenário do PS é "demasiado otimista" e esquece a reforma do Estado.

Silva Peneda defendeu hoje numa entrevista à TSF que o cenário macroeconómico divulgado esta semana pelo partido socialista é excessivamente otimista e tem como base a crença em níveis de confiança não garantidos.



"O PS adota um cenário que se baseia em algum otimismo no futuro. É bom ser otimista, mas é preciso ver onde o grau de otimismo vai. E de facto aí há uma ideia de que a confiança vai surgir e aumentar o investimento, porque as perspetivas de procura serão mais sólidas a nível europeu, os spreads das dívidas públicas vão diminuir nos próximos tempos e aí aparece aquela palavra importante, mas complicada em termos de análise do seu impacto que é a confiança", declarou Silva Peneda.



O ex-presidente do Conselho Económico e Social (CES), que assumirá em breve o cargo de conselheiro principal do presidente da Comissão Europeia, realçou o facto de o estudo encomendado pelo PS apostar nos rendimentos das famílias, no entanto, esquecer por outro lado a reforma do Estado.



"Há uma aposta clara no aumento da procura interna e é através do aumento da procura interna que vai aumentar o rendimento das famílias", aponta o economista, admitindo estar de acordo com as questões que têm a ver com o complemento de salário.



"De facto temos um problema sério, quem trabalha ficar abaixo do limiar da pobreza acho que não é digno e é intolerável. É algo repugnante em termos de sociedade e acho bem que aqui se faça alguma coisa, não sei se é esta a forma. Mas estou de acordo que haja aqui uma preocupação", acrescentou.



Na visão de Silva Peneda, outra proposta do PS que tem sentido é a diversificação das fontes de financiamento na Segurança Social, frisando que é insustentável manter apenas o fator trabalho.  "O princípio parece-me bem, há muito que defendo que tem que ser encarada a reforma do sistema da Segurança Social por uma razão simples: o factor trabalho é o único que financia a Segurança Social e isto resultado do tempo em que foi criada a Segurança Social, em que havia mão-de-obra intensiva em meados do século passado", sinaliza.



Para o ex-presidente da CES, manter o financiamento da Segurança Social pelo fator trabalho é "errado a nível técnico" e até "socialmente injusto" . "Portanto vejo com bons olhos encarar outras hipóteses", concluiu.