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Sampaio da Nóvoa. "Não serei o espectador impávido perante a degradação da nossa vida pública"

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FOTO LUÍS BARRA

Na cerimónia de apresentação oficial da candidatura a Presidente da República, Sampaio da Nóvoa prometeu um papel interventivo de norte a sul, regiões autónomas e diáspora. "Chegou o tempo de acordar e despertar", afirmou. "O que falta a Portugal? Um projeto de mudança. Candidata-se para "unir os portugueses e criar pactos para o futuro".

Raquel Pinto

Foi com uma sala lotada que Sampaio da Nóvoa subiu ao palco do Teatro da Trindade, em Lisboa. Para apresentar-se como candidato oficial à sucessão de Cavaco Silva na Presidência. "Não venho para deixar tudo na mesma", garantiu. Fê-lo pela "obrigação de não ficar em silêncio, não me esconder num tempo tão duro". "Se for eleito Presidente da República não serei o espectador impávido perante a degradação da nossa vida pública".

A intervenção passará por ser "presente, capaz de ouvir, cuidar, proteger e promover a inclusão". "Não me resignarei perante a destruição do Estado Social". O exercício das suas funções passará pela continente, regiões autónomas e junto da diáspora "para poder agir com o conhecimento de experiência de cada pessoa, cada lugar, cada história".

À plateia, composta por várias personalidades históricas do PS, dirigiu um agradecimento particular aos antigos chefes de Estado Mário Soares e Jorge Sampaio, reconhecendo "um legado de liberdade, de luta por causas sociais". Uma herança "que temos obrigação de honrar e renovar". Como candidato, garantiu que "tudo fará para reforçar a democracia" e "restaurar a confiança dos portugueses". 

Acredita que Portugal "tem tudo para ser um país de referencia no século XXI". O que nos falta? "Outra visão. Outra ideia de Portugal". É por um projeto comum que irá lutar. Promete "estimular" o diálogo entre Governo e oposição, reforçar a cooperação institucional, promover a participação dos cidadãos. "Não podemos perder o país que conseguimos levantar nas últimas décadas, nem por silêncio, nem renúncia". Deixar que a crise se eternize seria "deitar por terra 41 anos de democracia, um a um dos ideais de abril".

E incluiu as Forças Armadas na mensagem. Se for escolhido em 2016, dará  "especial atenção às Forças Armadas, militares e antigos combatentes".

Num discurso de cerca de meia hora, Sampaio da Nóvoa assegurou que "nunca" permitirá que o interesse nacional seja dominado por "interesses ilegítimos". E avisa desde já que a sua campanha para as presidenciais decorrerá com "uma grande contenção de custos e enorme transparência de contas". 

É candidato também para "unir os portugueses e fazer pactos para o futuro" "Tudo na mesma é que não". E seu compromisso para Presidente ficará selado numa carta de princípios a ser apresentada "dentro em breve", anunciou. Um Presidente da República "pode fazer a diferença". "Não governa nem legisla", lembra, mas deve ser "um moderador, um regulador". "É por isso que aqui estou", referiu. Propõe-se a dizer o que pensa sobre as grandes questões de Portugal e "agitar".

"Nas últimas décadas, os portugueses criaram condições como nunca tiveram nas suas vidas em tantos domínios. Não deixemos que tudo isto voe para trás. Podemos prepararmo-nos", destacou, apontando o reforço dos centros de ciência e tecnológicos, os recursos do mar e da terra, o investimento nas pessoas, não aceitar "desperdícios" de jovens, e encontrar um novo posicionamento geoestratégico - "que não se feche na Europa, que se abra ao mundo e em particular à língua portuguesa". Porque a " língua permite identificar as ligações decisivas no plano cultural, político e económico".

Disse que a política não serve para explicar inevitabilidades mas para abrir caminhos. Lembrou não ter filiação partidária nem "nunca exerceu cargos políticos". Isso "não em aumenta, nem me diminui. Mas marca uma diferença". A questão central, agora, é "saber se os portugueses querem ou não esta diferença".  A sua proposta, sustenta, "não é um sonho nem ilusão, mas uma certeza e uma esperança".

Sampaio da Nóvoa terminou a apresentação em apotesose. "Não podemos continuar à espera que nos salvem" e "peço a todos que se elevem acima da mediocridade e não esmoreçam perante as dificuldades", disse antes fazer levantar a plateia e arrancar os aplausos na sala.