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Sampaio da Nóvoa. Alegre gosta, Vera Jardim nem por isso

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Mário Soares foi o primeiro histórico socialista a manifestar o seu apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa

Miguel A. Lopes/Lusa

Pré-candidato a Presidente da República volta a dividir socialistas. Antigo reitor da Universidade de Lisboa é elogiado por Manuel Alegre, mas não cativa Vera Jardim devido ao seu "perfil interventivo". 

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Tal como Henrique Neto, Sampaio da Nóvoa volta a agitar a família socialista. Manuel Alegre não poupa elogios ao ex-reitor da Universidade de Lisboa, gabado por ser "um democrata que se identifica com o 25 de Abril, um  homem de esquerda e não um esquerdista", além de ser "um académico e um inteletual brilhante".

Embora sublinhe que estas opiniões não configuram uma declaração de apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, até por formalmente não existir ainda, o histórico socialista não esconde, em declarações do "Diário de Notícias" de hoje, a irritação com os ataques a Nóvoa no interior do PS.

Depois de o deputado Sérgio Sousa Pinto ter desferido um ataque feroz no Facebook a Sampaio Nóvoa, também Vera Jardim não vê com bons olhos a candidatura do académico sem filiação partidária, criticado pelo seu "perfil interventivo" quando um Presidente da República deve exercer "um papel moderador".

Em declarações à Rádio Renascença, o ex-ministro da Justiça afirma não se rever em perfis de candidatos muito interventores, "quase como programa de Governo", razão pela qual não se vê a apoiar a candidatura de Nóvoa ou a de Henrique Neto, que "tem um perfil idêntico.

"O chefe de Estado deve ser um árbitro supremo do sistema, defensor da Constituição e dos equilíbrios do sistema", sustenta Vera Jardim, advertindo, contudo, que não entra no "campeonato dos nomes" de potenciais candidatos.

Questionado sobre a sua posição se o PS vier a apoiar a candidatura de Nóvoa, Jardim responde que não irá virar as costas à sua família política. "Se o meu partido apoiar, naturalmente que eu alinho com o meu partido. Não vou fazer campanha contra o candidato do meu partido", repete.

A ausência de consensos entre os socialistas são mau sinal para Manuel Alegre, alertando que foram as divisões de esquerda, "em particular do PS", que levaram à eleição em 2006 de Cavaco Silva.

"Querem outro candidato de direita?", adverte o ex-candidato derrotado duas vezes por Cavaco Silva, uma como independente contra o Mário Soares, outra com a chancela do PS.