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Salgado não entrega à AR atas apreendidas pelas autoridades

Banqueiro escreveu à comissão de inquérito explicando que não entrega as atas do Conselho Superior do GES, por terem sido apreendidas, estando agora em segredo de justiça.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Ricardo Salgado enviou esta quarta-feira uma carta à comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES recusando o envio das gravações e atas das reuniões do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES). Razão: "Toda a documentação" relativa a essas reuniões que Salgado tinha em sua posse foi apreendida pelas autoridades no âmbito das buscas relativas aos processos Monte Branco e GES. Sendo assim, estão em "segredo de justiça".

As reuniões  em causa, que juntavam os representantes de topo de cada um dos cinco clãs do universo Espírito Santo, eram gravadas e transcritas. Depois da resolução do BES, têm sido divulgadas pela imprensa (jornais "i" e "Sol") partes dessas discussões, em tom bastante livre, versando os principais problemas que levaram ao desmoronar o Grupo e do banco.

Embora Salgado apresente as suas dúvidas sobre se essa documentação pode se querida no âmbito da CPI, "por suscitar questões de reserva da intimidade" - sobretudo no caso das garavatos áudio, sublinha - não é essa a razão que apresenta para recusar o pedido dos deputados. O motivo, diz, é já não ter esse material em sua posse, tendo o mesmo passado "a integrar os aludido processos judiciais, que se encontram em fase de inquérito e aos quais foi aplicado o segredo de justiça". 

"Conforme profusamente divulgado através dos meios de comunicação social e de comunicados de imprensa emitidos pela Procuradoria-Geral da República (...) foram realizad diligências de buscas nos processos-crime 'Monte Branco' e 'Universo Espírito Santo', em que sou visado", escreve Salgado, sem deixar de lembrar que a comissão parlamentar de inquérito deve estar a par dessas diligências.

"No âmbito das referidas diligências judiciais o meu domicílio pessoal e os espaços que utilizei (e utilizo) para fins profissionais foram objeto de buscas, tendo toda a documentação relativa às reuniões do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo que tinha em minha posse sido apreendida. Consequentemente os objetos apreendidos passaram a integrar os aludidos processos judiciais, que se encontram em fase de inquérito e aos quais foi aplicado o segredo de justiça", informa o antigo homem-forte do BES e do GES.

"Assim, não disponho de condições para satisfazer o pedido que me foi dirigido", conclui Salgado, reafirmando, porém, a sua "inteira disponibilidade para prestar depoimento e os esclarecimentos necessários" na audição parlamentar marcada para dia 9.