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Rui Rio e as presidenciais. "Eu não sou nenhum D. Sebastião"

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Rui Rio gostaria que o próximo Presidente da República "se dedicasse bastante a reunir e fomentar esses consensos no sentido da reforma do regime"

Rui Duarte Silva

"Não vou falar de eleições, há poeira a mais no ar. Conhecem-me já há muitos anos e não entro nessa poeira", diz o antigo autarca do Porto, um dos nomes mais falados no centro-direita como possível candidato presidencial.

O social-democrata Rui Rio, que garante não ser um D. Sebastião, escusa-se a falar de eleições porque "há poeira a mais no ar", esperando que o próximo Presidente da República reúna consensos para reformar o regime.



O antigo presidente da Câmara do Porto foi um dos convidados que segunda-feira à noite participou nas "Conversas de Abril", ciclo de colóquios promovido pela Câmara de Gondomar, e à chegada foi questionado pelos jornalistas sobre uma eventual candidatura sua à Presidência da República - Rui Rio é um dos nomes falados no centro-direita, ainda sem qualquer candidato assumido, juntamente com o ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa e o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.



"Não vou falar de eleições, há poeira a mais no ar. Conhecem-me já há muitos anos e não entro nessa poeira. Sim, se assentar a poeira depois vê-se. Há muita conversa, muita coisa", respondeu. Perante a insistência dos jornalistas, o antigo autarca do Porto garantiu que não iria falar sobre as próximas eleições - legislativas ou presidenciais - "de certeza absoluta".



Já dentro do auditório onde decorreu a conferência, Rio não se livrou do tema das eleições e de qual o papel que poderá assumir no panorama nacional e, quer do moderador, quer do público, surgiram diversas e diferentes perguntas sobre o seu futuro político, questão que nunca esclareceu.



O social-democrata disse que gostaria que o próximo Presidente da República "se dedicasse bastante a reunir e fomentar esses consensos no sentido da reforma do regime", considerando que esta atuação terá que ser "sóbria e recatada", uma vez que o chefe de Estado "tem que interferir pouco, bem e certo" e fora dos holofotes.



Na sequência de uma sugestão que partiu de um elemento do público - que Rio seria muito mais útil como primeiro-ministro do que como Presidente da República -, o antigo presidente da Câmara do Porto foi perentório: "Eu não sou nenhum D. Sebastião. Não sou dono das soluções".



Rui Rio recordou ainda que, ao longo da vida partidária, sempre criticou aqueles que "estavam permanentemente a tentar deitar abaixo o líder do partido", condenando quem "desestabilizava a vida do partido" e reiterou uma ideia que já defendeu, de que quando o partido tem um líder que é primeiro-ministro, "compete-lhe a ele a decisão de se recandidatar ou não".



"Quando as pessoas têm uma exposição muito grande é que podem ficar desgastadas", comentou Rio.