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Rio pisca o olho a Costa: "Os eleitores estão ávidos de algo novo"

Num ponto Rui Rio concorda com António Costa: "Não é destituído de lógica refletir sobre a hipótese de uma renegociação da dívida", algo que o ex-autarca do Porto diz ter que acontecer "mais tarde ou mais cedo"

Rui Duarte Silva

O "Rui", referido por António Costa no Congresso do PS, já tem biografia. Lançada esta quarta-feira no Porto, inclui aviso do próprio: "Não será possível reformar o país sem um acordo PSD/PS".

"Os eleitores estão ávidos de algo novo", afirma Rui Rio ao seu biógrafo autorizado - Mario Jorge Carvalho - que na próxima quarta-feira lança, no Porto, a obra intitulada "Rui Rio - de corpo inteiro". Daniel Bessa, ex-ministro de António Guterres foi convidado para a apresentação e aceitou.

O livro inclui uma entrevista do autor ao ex-autarca e este insiste na ideia que há muito defende: "Não será possível reformar o país sem consenso político e sem o entendimento, pelo menos, dos dois maiores partidos portugueses".

Colado ao Congresso do Partido Socialista, realizado este fim de semana, onde António Costa fez questão de esclarecer que, seja com o "Pedro" (Passos Coelho) ou com o "Rui" (Rio), ele, Costa, não está disposto a coligar-se para prosseguir com as atuais políticas, as palavras de Rio ganham redobrado peso político.

Na sua opinião, o que os eleitores têm dito é: "Vejam lá se arranjam pessoas experientes e credíveis, se se entendem e se arranjam uma solução coerente para o país".

Rio fala de Costa em tom elogioso. "Penso que António Costa tem preocupações reais com o estado do país e entende que algo de substancial tem de mudar para se credibilizar o regime. Penso que ele também concorda com a necessidade urgente de se fazer algumas reformas profundas", afirma no livro. O antigo artarca do Porto esclarece, no entanto, que "nunca houve nenhum acordo entre nós, por cima ou por baixo da mesa".

Num ponto, Rio concorda com Costa: "Não é destituído de lógica refletir sobre a hipótese de uma renegociação da dívida", algo que diz ter que acontecer "mais tarde ou mais cedo".

Na sua opinião, "há algumas reformas no sistema político que, para se concretizarem exigem uma revisão constitucional", e a rotura que defende para o sistema político português não pode ser feita "por pequenos passos" nem "às pinguinhas".

A pedra de toque para se iniciar uma verdadeira reforma, diz, "terá de se suportar na vontade do Presidente da República e na de, pelo menos, um dos líderes dos grandes partidos". Rui Rio não esclarece se preferirá entrar neste jogo como futuro líder do PSD ou como candidato presidencial.

Sobre o seu partido, elogia Passos Coelho pela forma como disse "não" a Ricardo Salgado, diverge dele na avaliação do governador do Banco de Portugal - não percebe porque se penalizou Vitor Constâncio no BPN e se poupa Carlos Costa no BES - e critica-o pelo "disparate" de ter escolhido Luís Filipe Menezes para candidato ao Porto nas últimas autárquicas - "na prática renegou o trabalho feito".

No prefácio, Nuno Morais Sarmento, amigo e colega de partido de Rio, afirma que  a rotura proposta pelo ex-autarca pode não ser suficiente para mudar Portugal, mas considera que "não existirá nenhuma estratégia para o futuro do país que possa ter sucesso sem incluir a mudança que Rui Rio nos propõe".